sábado, 25 de dezembro de 2010

A Memória como base do conhecimento


A memória como base do conhecimento

“Um povo sem memória e sem tradição é um povo sem alma e sem passado. Não vivemos do passado, mas o cultuamos para trazer vivo na memória dos nossos descendentes aquilo que nossos ancestrais construíram”.

A memória é a capacidade de adquirir (aquisição),
armazenar (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória biológica), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial).

A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade. É um processo que conecta pedaços de memória e conhecimentos a fim de gerar novas idéias, ajudando a tomar decisões diárias.

Os neurocientistas (psiquiatras, psicólogos e neurologistas) distinguem memória declarativa de memória não-declarativa. A memória declarativa, grosso modo, armazena o saber que algo se deu, e a memória não-declarativa o como isto se deu.

A memória declarativa, como o nome sugere, é aquela que pode ser declarada (fatos, nomes, acontecimentos, etc.) e é mais facilmente adquirida, mas também mais rapidamente esquecida. Para abranger os outros animais (que não falam e logo não declaram, mas obviamente lembram), essa memória também é chamada explícita. Memórias explicitas chegam ao nível consciente. Esse sistema de memória está associado com estruturas no lobo temporal medial (ex: hipocampo, amígdala).

Psicólogos distinguem dois tipos de memória declarativa, a memória episódica e a memória semântica. São instâncias da memória episódica as lembranças de acontecimentos específicos. São instâncias da memória semântica as lembranças de aspectos gerais.

Já a memória não-declarativa, também chamada de implícita ou procedural, inclui procedimentos motores (como andar de bicicleta, desenhar com precisão ou quando nos distraímos e vamos no "piloto automático" quando dirigimos). Essa memória depende dos gânglios basais (incluindo o corpo estriado) e não atinge o nível de consciência. Ela em geral requer mais tempo para ser adquirida, mas é bastante duradoura.

Memória, segundo diversos estudiosos, é a base do conhecimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. É através dela que damos significado ao cotidiano e acumulamos experiências para utilizar durante a vida.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Características multidisciplinares da narrativa

"a narrativa está presente em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as sociedades, começa com a própria história da humanidade. (...) é fruto do gênio do narrador ou possui em comum com outras narrativas uma estrutura acessível à análise".

Narrativa existe desde o tempo em que as primeiras pinturas da idade das pedras foram feitas em cavernas e as primeiras histórias foram contadas ao redor do fogo. Na vida cotidiana uma pessoa é cercada por narrativas desde o momento em que torna-se capaz de compreender a fala. Uma pessoa pode aprender sobre o passado, eventos atuais e futuro a partir de contos, piadas, novelas, filmes, desenhos, jornais, telejornais, obituários de outras pessoas e entre outros. Seja a narrativa simples ou complexa, os indivíduos precisam ser capazes de entender suas funções para compreender o mundo circundante.

Narrativas, do latim narre ‘dar a conhecer, transmitir informações’, fornecem aos indivíduos uma ferramenta para aprender e ensinar uns aos outros sobre o mundo. A tradição oral de contar histórias que se transformou em nossos modos contemporâneos de narrativa tem sido reconhecida como a base da transferência de conhecimento no seio das sociedades (Campbell, 1949). Narrativas também são usadas por pesquisadores como uma metalinguagem que os permite descrever seus estudos e aproximar-se do objeto de estudo como um discurso narrativo.

O conceito da narrativa pode ser encontrado em inúmeros trabalhos produzidos por investigadores na área das humanidades e ciências sociais, seja ela o foco principal do trabalho ou apenas um dos elemento estudados. Como a narrativa é estudada a partir de uma variedade de perspectivas, suas abordagens podem variar significativamente. Ela pode ser abordada como um método para produzir, como uma teoria para investigar, como uma prática social, política ou estratégica.

Na maioria dos casos, no entanto, existem duas teorias principais através das quais as narrativas são analisadas: as teorias funcionalistas (focada na função da narrativa); e as teorias estruturalistas (focada na forma como a narrativa é produzida) (Threadgold, 2005, 262-267).

Paul Ricoeur e Peter Brooks apresentam uma abordagem existencial a narrativa como um fenômeno que dá significado a vida das pessoas. A abordagem cognitiva apresentada por Mark Turner e Jerome Bruner lida com a narrativa como instrumentos elementar do pensamento humano, de cognição. Os esteticistas (aestheticians), como Philip Sturgess, cuja obra Narrativity : Theory and Practice publicada em 1992 pode ser utilizada como principal exemplo, integra narratividade, ficcionalidade, e literariedade como aspectos indissociáveis.
Sociólogos focam-se no contexto no qual a narrativa é criada. Abordagens técnicas preferem análises narrativas baseadas na linguagem e incluem narratologias estruturalistas e análises lingüistas e do discurso (por exemplo em trabalho por Barbara Herrnstein Smith, ou Dan Ben-Amos). A narrativa é ainda caracterizada como um conceito, categoria analítica, tipo de discurso, tipo de texto, e macro-gênero (Ryan, 2004, p. 2-8). Com tantas variedades de contextos e abordagens a narratologia expande-se em um campo muito complexo.

Devido o significativo aumento de interesse sob os variados aspectos da narrativa, a narrativa deixou de ser um domínio exclusivo dos estudos literários, de forma que sua teorização carrega, desde seu início, características multidisciplinares. Dessa maneira, a teoria da narrativa ou narratologia é mais do que nunca aberta a diversas metodologias de diferentes áreas: filosofia, história, sociologia, psicologia, religião, etnografia, lingüística, comunicação e estudos de mídia.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Narrativa e narração


“O narrador conta o que ele extraí da experiência – sua própria ou aquela contada por outros. E, de volta, ele a torna experiência daqueles que ouvem sua história”
Walter Benjamin
Dominando a palavra o homem tentou perpetuar seus mitos, sua visão mágica do mundo, suas conquistas, sua história. Nas narrativas, nas lendas, nas epopéias e canções, alegorizou seus ritos, temores e feitos, Seus registros venceram o tempo nos traçados de múltiplos códigos, como a escrita cuneiforme, os hieróglifos e a arte primitiva.

Assim, as pinturas rupestres da caverna de Altamira, as escrituras sagradas dos Vedas, as epopéias gregas, as cantigas provençais, os contos de fadas contam cada qual a fantasia, a mitologia,a história de seu povo. No texto oral ou escrito, ouvir e ler histórias é uma atividade antropológico-social que distingue culturalmente o homem.

Desde que descobriu o poder encantatório da palavra, o ser humano deu curso ao pensamento mítico, deu permanência às crenças, às divindades, à criação do mundo, ao cosmos, envolvendo-os em alegorias. Nos séculos XVI e XVII, na literatura oral de raízes populares, predominam os contos folclóricos, os ditos e provérbios. Na segunda metade do século XVII, propaga-se a ação sistemática da Igreja para cristianizar a cultura popular, mas o patrimônio imaginário dos contos, sobretudo os de fadas, resiste à luta de forças da Contra Reforma que domina o cenário religioso e escolar daquele século.

Com a evolução da História, a interpretação dos acontecimentos foi-se distanciando das alegorias, da imaginação; entre o mito e as formas derivadas da narrativa (o romance, a novela, o conto, a crônica), os heróis divinos torna-se personagens humanas. Os fator históricos de épocas primordiais cedem lugar aos episódios cotidianos contemporâneo. Hoje, afirma Nelly Novaes Coellho (O conto de fadas), “uma das características mais significativas do nosso século é a coexistência, pacífica ou não, entre inteligência racional/cientificista, altamente desenvolvida, e o pensamento mágico que dinamiza o imaginário”.

Nas narrativas orais, nas fábulas, nos contos de fadas ou nos romances contemporâneos, é a imaginação que faz com que apreciemos os encantamentos de Branca de Neve como apreciamos o fascínio de Cem anos de solidão.

Foi pensando no imaginário, na magia e na fantasia que foram selecionados os textos narrativos desta coletânea. Histórias que, sem deixar à margem o padrão culto da língua, encantam pela simplicidade, pelo humor, pela sátira, pela inovação, pela singularidade, enfim pelo aproveitamento exemplar das virtualidades da língua.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Narrativa oral


Sem narrativa oral, experiência de vida diminui

Marcada pelo pensamento de Karl Marx, a obra do filósofo alemão
Walter Benjamin (1892-1940) tem sido revisitada. Essa retomada evidencia contribuições importantes da filosofia do século passado à interpretação de questões sociais contemporâneas.
Destacaremos o que Benjamin chama de experiência - quando os seres humanos tomam posse de sua própria história.
Livro impresso
A base das mudanças na estrutura da experiência, para Benjamin, é o divórcio entre o sujeito e sua obra. Contribuem para isso diversos aspectos. Entre eles está desaparecimento da narrativa oral.
É um processo que vem de longe e que acompanha a evolução secular das forças produtivas. A invenção da imprensa favoreceu a difusão do romance e o declínio da tradição oral. Depois, ao colaborar na consolidação da burguesia e instituir uma nova forma de comunicação - a informação - provocou a crise do próprio romance impresso.
Trabalho artesanal
Outro aspecto determinante no processo de privar as pessoas da experiência é a falta de distensão psíquica que se vivencia em função do declínio do trabalho artesanal.
Ninguém mais tece ou fia enquanto ouve uma história. O trabalho industrial inaugurou o estado de atenção. E compõe com a rapidez e a objetividade da notícia um quadro caracterizado pela crescente disponibilidade da memória voluntária.
Marx e Benjamin
O percurso que Benjamin traça para caracterizar o divórcio entre o homem e seu trabalho incorpora elementos da obra de Marx. Mas se diferencia dela quando não vê na evolução do progresso técnico a promessa da libertação.
O que o filósofo observa é um aprisionamento marcado pela vivência do choque, pela redução da imaginação e pela temporalidade do progresso. É a existência de um tempo infernal em que nunca é permitido concluir o que foi começado.
Referências simbólicas
O propósito da imprensa, para Benjamin, é transmitir informações de forma plausível, fatos passíveis de verificação imediata e acompanhados de explicações. A linguagem informativa é marcada pelo ritmo do trabalho mecanizado, pela busca do incessantemente novo.
A notícia se torna obsoleta da noite para o dia. No fim da tarde as folhas de jornal não têm valor algum. O mesmo processo que impossibilita o trabalho artesanal na modernidade, também configura uma nova forma de comunicação e uma nova maneira de o indivíduo homem se relacionar com ela.
A informação não tem a mesma amplitude que o episódio narrado. Este pode ser interpretado e necessita da construção de referências simbólicas para que se incorpore à vida do narrador.
Vida e palavra
Para que a experiência tivesse condições de realização seria preciso existir uma comunidade de vida e de discurso que o rápido desenvolvimento da técnica na sociedade capitalista vem destruindo.
Desapareceu a comunidade entre vida e palavra, própria da atividade artesanal. Esta pratica a narrativa tradicional, quando aquele que conta transmite um saber que seus ouvintes receberão como seu.
Com o declínio de um trabalho e de um tempo partilhados num mesmo universo de prática e linguagem, as inquietações de nossa vida interior adquirem um caráter privado. A memória é invadida pelo tempo da morte da singularidade e pela quase impossibilidade de fazer parte de uma comunidade simbólica.

*Celina Fernandes Gonçalves Bruniera é mestre em sociologia da educação pela Universidade de São Paulo e assessora educacional.

sábado, 27 de novembro de 2010

Literatura oral: Os textos de tradição oral...



Os textos de tradição oral...

Os textos de tradição oral são histórias contadas em voz alta por um narrador a um grupo de ouvintes. Essa é uma tradição que data da Pré-História. Até hoje, nas tribos primitivas da África, da Austrália ou mesmo do Brasil, escutar um narrador contando histórias ainda é um costume comum.

A importância social da narrativa oral, cujas finalidades variam de acordo com as circunstâncias, gerou muitas maneiras de contar uma história. Isso criou vários gêneros de narrativas como o
conto (popular, maravilhoso, de fadas), as fábulas, os apólogos, as parábolas, as lendas e os mitos.

Por meio dessa diversidade de
narrativas, entra-se em contato com ideias que já fazem parte do patrimônio cultural da humanidade. O advento da escrita ajudou a preservar as narrativas da tradição oral, desde as mais remotas, como as do Antigo Egito e da Mesopotâmia, até as mais recentes, como os contos de fadas.

A importância de conhecer essa literatura é ampliar o nosso conhecimento de mundo e da história do homem. Abrir horizontes para o universo cultural da humanidade é um forma de crescer tanto pessoal quanto profissionalmente profissional. Mas, além de conhecimentos, essas histórias - em especial por sua engenhosidade - também entretêm e proporcionam diversão.

sábado, 20 de novembro de 2010

Literatura oral

Literatura oral - Histórias atravessam milênios

As lendas e tradições orais sempre foram contadas de gerações a gerações, desde os tempos da Pré-História. A literatura oral ainda é muito presente nas tribos indígenas e nos povos da África e Austrália, e durante milênios fora a única forma de memorizar fatos e mitos de diversos grupos.
O surgimento da escrita e a oficialização da história humana no planeta, auxiliou o homem a registrar os fatos antes passados oralmente. O escritor francês Charles Perrault foi um dos pesquisadores de tradições passadas oralmente e as transformaram em livros.

Hans Christian Andersen se baseou em muitas histórias orais para compor seus contos infantis. No Brasil, a literatura oral, além das culturas indígenas, também está presente em nosso folclore , o primeiro a imortalizar nossas histórias foi Luís Câmara Cascudo.

A história contada e recontada no decorrer de diversas gerações sofre modificações ao longo do tempo, sem compromisso com a cultura formal. Muitas destas histórias são contadas e adaptadas em contos populares.

Os personagens, na maioria das vezes, são mitológicos ou descritos dentro da simplicidade do homem da sociedade na qual a narrativa é contada. Há também a ocorrência de fatos fantásticos e miraculosos.

sábado, 13 de novembro de 2010

Literatura Popular Tradicional


Literatura popular tradicional

“A designação de Literatura Popular, literatura do povo, associa uma entidade social que as mais das vezes não usa a escrita para representar a sua arte verbal. E, se assim é, o vocábulo literatura, no seu sentido próprio, não serve bem o fenômeno a que se aplica. (...)

Outra designação é a de literatura tradicional. E esta se nos afigura mais desajustada ainda do que as anteriores. Tradicional significa o que é transmitido de geração em geração, o que vem de longe, que tem certa duração no tempo e vai nele vivendo. Teremos, por isso, que eliminar a invenção recente que ainda não passou à voz do povo ou que, por ela passando, com pouca demora se poderá extinguir.

Dizer literatura oral e tradicional é juntar os dois adjetivos sem anular a referida contradição e com exclusão da sua parte escrita.

Mas tornemos à literatura popular que, apesar de sua relativa impropriedade, é a de mais extenso significado e a que prefiro. A locução tem dois sentidos: o de produção literária de eruditos destinada ao povo ou que, sem essa intenção o povo adota - Gramsci até a designa de literatura popular artística - e o de obras literárias de invenção popular.

E escusado dizer que não estamos a pensar em elaboração coletiva. A obra literária é individual, depois, de boca em boca, de tal modo se conforma com o sentir do seu intérprete, que ele a tem como sua. «Mantém-se o tema fundamental, mas os acidentes mudam e, de tal sorte, que quase se pode afirmar que a cada exibição a peça se recria: uma sucessão de variantes em que muitos colaboram, cada um por sua vez, sem lhe pôr assinatura». No longo trânsito por que passa se vai tornando anônima até perder de todo o seu autor de origem.”

Fonte: Manuel Veiga Guerreiro, in Literatura Popular: em torno de um conceito.

sábado, 6 de novembro de 2010

Literatura Popular


Literatura popular

De acordo com Vítor Manuel de Aguiar e Silva (cf. Teoria da Literatura, 8.a ed., Coimbra, 1988, pp. 116-118), a designação de literatura popular é equívoca, dada a polissemia do termo "popular".

Deste modo, numa perspectiva romântico-tradicionalista, literatura popular significa "aquela literatura que exprime, de modo espontâneo e natural, na sua profunda genuinidade, o espírito nacional de um povo, tal como aparece modelado na particularidade das suas crenças, dos seus valores tradicionais e do seu viver histórico".

Neste sentido, literatura popular aproxima-se dos conceitos de literatura oral, literatura tradicional e até de romanceiro, enquanto literatura que, opondo-se a uma literatura mais erudita decorrente de uma cultura letrada, é composta para o povo, ou criada pelo próprio povo, muitas vezes anonimamente, veiculando informações sobre eventos e personagens históricos ou semilendários, registrando os seus anseios diante de fenômenos da Natureza, as suas formas de reagir à insegurança, o seu imaginário, e transmitida quer oralmente (com recurso a processos mnemónicos como a rima, o refrão, a isometria, etc.), quer através de circuitos e estratégias particulares de distribuição (caso, por exemplo, da literatura de cordel).


Ainda segundo Vítor Manuel de Aguiar e Silva, esse sentido não se confunde com a perspectiva romântico-socialista, pela qual o conceito de popular equivale a "classe social trabalhadora que se contrapõe às classes sociais hegemónicas, detentoras dos meios de produção econômica e ideológica e dos mecanismos de dominação política".

Neste caso, a literatura popular é aquela que decorre frequentemente do desejo de "exercer uma ação pedagógica sobre o povo, no quadro de um projeto utópico-reformista que visa a libertação das classes sociais inferiores - libertação da ignorância, do medo e da injustiça -, a renovação social e a fraternidade humana" (id. ibi., p. 117).

Fonte: Disponível na www: http://www.infopedia.pt/$literatura-popular>.

sábado, 30 de outubro de 2010

Memória como identidade cultural


A memória, entendida como elemento fundamental na formação da identidade cultural individual e coletiva, na instituição de tradições e no registro de experiências significativas, deve ser valorizada e preservada.

Preservar a memória cultural de uma sociedade não significa atrelá-la ao passado e impedir o seu desenvolvimento, mas sim conservar seus pilares constituintes a fim de não perder conhecimentos e identidades.

À medida que avançam a ciência e a tecnologia, e novas ordens sociais se instauram com novos paradigmas, valores e linguagens, a ruptura com o passado torna-se inevitável. O esfacelamento da memória cultural, das tradições, desvincula o homem de suas raízes, aliena-o da "realidade objetiva", impossibilita-o de compreender como e porque se dão as transformações econômicas, políticas, sociais e culturais, porque faltam-lhe os elos que dão sentido aos acontecimentos, tornando-o, dessa forma, presa fácil de manipulação e dominação.

sábado, 23 de outubro de 2010

Diversidade Cultural acerca do Brasil


Diversidade Cultural brasileira

O Brasil tem uma notável diversidade criativa. Diversidade cultural pode ter um papel central no desenvolvimento de projetos culturais no país, especialmente com ênfase nos indígenas e afrodescendentes.
Áreas como o artesanato tradicional, pequenas manufaturas, moda e design são áreas estratégicas para o país, em vista de sua potencialidade em termos da melhoria das condições de vida das populações mais pobres.

Elas podem trazer empoderamento individual e contribuir com a reduçâo da pobreza.
Ao tentar enfrentar seu problema mais urgente – a desigualdade social – o país vem descobrindo a forte influência da cultura para a configuração dessa realidade, bem como seu potencial de transformação social do cenário atual.

Falta ainda uma abordagem cultural mais profunda com relação aos povos indígenas e aos afrodescendentes. Estes dois grupos de minoria apresentam os piores indicadores sociais do país, mas que apenas nos últimos anos passaram a ser alvo de políticas sociais específicas.

É preciso que mais seja feito para preservar:

· tradições indígenas,
· línguas indígenas ameaçadas de desaparecimento,
· conhecimento tradicional indígena sobre a natureza
· terras índigenas - há conflitos a respeito da expansão a fronteira agrícola e os investimentos em infraestrutura,
· afirmação dos direitos dos povos indígenas,
· Influência da cultura africana na cultura e história do Brasil.

sábado, 16 de outubro de 2010

Diversidade Cultural


A Diversidade cultural em xeque!

Diversidade cultural tem como função unir todas as diferenças culturais em uma única, bem como a forma que se organizam e suas concepções religiosas e morais, utilizando a linguagem, as danças, a maneira de se vestir e suas tradições, o termo diz respeito a variedade de idéias, caracterizando os diferentes elementos da convivência e de determinados assuntos, referindo se também a crenças e a padrões de tempo e espaço, de diferentes ângulos de visões e abordagem, a diversidade cultural é indicada para pessoas que são ligadas ao conceito de pluralidade, e podem encontrar uma comunhão na tolerância mutua.

A diversidade cultural é um caminho que abrange boa parte das pessoas, dando a todos o direito de expressão, proporcionando as muitas sociedades que surgiram separadas e sentindo diferenças culturais o direito de se expressarem através de suas culturas, essas diferenças culturais que existem entre os povos, também fazem com que exista variações na forma de como as sociedades se organizam, e a maneira que interagem no seu ambiente mudando suas concepções.Importante dizer que a diversidade cultural preserva a sobrevivência e a longo prazo as culturas indígenas que são tão importantes para humanidade assim como a conservação de todas as espécies existentes no ecossistema.

sábado, 9 de outubro de 2010

Dimensões da cultura


Dimensões da cultura & cia

Com freqüência, a política cultural é pensada com ênfase exclusiva nas artes consolidadas. Considerando-se que a diversidade cultural é o maior patrimônio da população brasileira, no âmbito do PNC busca-se transcender as linguagens artísticas, sem contudo minimizar sua importância. Uma perspectiva ampliada, que articula as diversas dimensões da cultura, ganhou corpo e espaço na estrutura de financiamento público nos últimos anos e é um dos pilares do Plano Nacional de Cultura.

Dimensão simbólica

Adotando uma abordagem antropológica abrangente, o PNC retoma o sentido original da palavra cultura e se propõe a “cultivar” as infinitas possibilidades de criação simbólica expressas em modos de vida, motivações, crenças religiosas, valores, práticas, rituais e identidades. Para desfazer relações assimétricas e tecer uma complexa rede que estimule a diversidade, o PNC prevê a presença do poder público nos diferentes ambientes e dimensões em que a cultura brasileira se manifesta. As políticas culturais devem reconhecer e valorizar esse capital simbólico, por meio do fomento à sua expressão múltipla, gerando qualidade de vida, auto-estima e laços de identidade entre os brasileiros.

Dimensão cidadã

Os indicadores de acesso a bens e equipamentos culturais no Brasil refletem conhecidas desigualdades e estão entre os piores do mundo, mesmo se comparados aos de países em desenvolvimento. Apenas uma pequena parcela da população brasileira tem o hábito da leitura. Poucos freqüentam teatros, museus ou cinemas. A infra-estrutura cultural, os serviços e os recursos públicos alocados em cultura demonstram ainda uma grande concentração em regiões, territórios e estratos sociais. Populações tradicionais não estãoplenamente incorporadas ao exercício de seus direitos culturais, uma vez que os meios para assegurar a promoção e o resguardo de culturas indígenas e de grupos afro-brasileiros são insuficientes.

O acesso universal à cultura é uma meta do Plano que se traduz por meio do estímulo à criação artística, democratização das condições de produção, oferta de formação, expansão dos meios de difusão, ampliação das possibilidades de fruição, intensificação das capacidades de preservação do patrimônio e estabelecimento da livre circulação de valores culturais, respeitando-se os direitos autorais e conexos e os direitos de acesso e levando-se em conta os novos meios e modelos de difusão e fruição cultural.

Dimensão econômica

Para a realização dos objetivos citados até aqui, torna-se imperativa a regulação das “economias da cultura”, de modo a evitar os monopólios comerciais, a exclusão e os impactos destrutivos da exploração predatória do meio ambiente e dos valores simbólicos a ele relacionados. Nos anos 70, por exemplo, o Brasil cresceu a patamares de 10% ao ano, mas concentrou renda, ampliou as desigualdades sociais e conservou distâncias culturais. A década de 90, por sua vez, foi marcada pela ampliação desses problemas em conseqüência da hegemonia de idéias que privilegiaram o mercado como meio regulador das dinâmicas de expressão simbólica.

Hoje, no entanto, a cultura, como lugar de inovação e expressão da criatividade brasileira, apresenta-se como parte constitutiva do novo cenário de desenvolvimento econômico socialmente justo e sustentável. A implementação do Plano Nacional de Cultura apoiará de forma qualitativa o crescimento econômico brasileiro. Para isso, deverá fomentar a sustentabilidade de fluxos de formação, produção e difusão adequados às singularidades constitutivas das distintas linguagens artísticas e múltiplas expressões culturais. Inserida em um contexto de valorização da diversidade, a cultura também deve ser vista e aproveitada como fonte de oportunidades de geração de ocupações produtivas e de renda e, como tal, protegida e promovida pelos meios ao alcance do Estado.

sábado, 2 de outubro de 2010

Cultura um conceito antropológico - resumo do livro de Roque de Barros Laraia


Resumo do livro Cultura:Um conceito antropológico (LARAIA,Roque de Barros)

O autor promove um estudo acerca do conceito de cultura em diversas temporalidades.Inicia o Livro pontuando os determinismos biológicos e geográficos como elementos marcantes da Estrutura mental do Séc XIX.Sendo que o primeiro basea-se na idéia central de que a constituição genética de grupos sociais determina o comportamento humano.Já o determinismo geográfico,prisma pela supervalorização do meio físico,onde as características destes condicionam a Vida Humana.

Depois de comentar sobre as idéias de alguns antropólogos-Boas,Wissler,kroebes,- acerca desses reducionismo,chega a conclusão de que a diversidade característica dos grupos humanos,não pode ser explicada pelos seus caracteres biológicos ou pelas limitações impostas pelo meio ambiente.

Outra questão desenvolvida por Laraia,e acerca do conceito de cultura,é segundo ele,o primeiro antropólogo a abordar o conceito de cultura no sentido moderno foi Taylo.Esse estudioso,define o termo como todo comportamento humano aprendido,independente de uma herança genética.Em seguida, Laraia ao expor a idéia básica de Boas e Kroeber,faz uma viagem ao pensamento difusionista.Esse pode ser explicado pelo relativismo Cultural,onde cada povo deve ser compreendido pelo seu próprio paradigma cultural

Laraia, além de demonstrar que o evolucionismo biológico acompanha o cultural,discorre sobre as teorias modernas,descrevendo alguns abordagens,entre elas:Cultura como um sistema cognitivo,cultural ou simbólico.Segundo o autor,a cultura condiciona a visão de mundo do homem,tornando-o,muitas vezes,etnocêntrico.Além disso,ela segue um sistema lógico,próprio e dinâmico.
O Autor conclui,enfatizando a importância de respeitar a diversidade cultural e de compreender as mudanças internas.

sábado, 25 de setembro de 2010

Cultura como um conceito antropológico


Cultura como um conceito antropológico

Cultura são as mais variadas formas de vida, englobando as instiuições, os hábitos, as crenças, comidas típicas e principalmente a forma de viver e sobreviver.Não se pode afirmar que a cultura é determinada pelo lugar onde nasceu, determinismo geográfico, pois se aos 3 anos de idade a criança mudar de país, ela irá se socializar com a cultura daquele país, ela não levará arraigado em sí.

Não podemos também afirmar que a cultura nasce com o biotipo da pessoa, determinismo biológico, pois irmãos de mesmo tipo genético, até gêmeos, se separados terão culturas diferentes.

Edward Tylor deu um amplo sentido etnográfico para o vocábulo cultura, ao dizer que é todo complexo que inclui conhecimentos, crenças,arte, moral, leis, costumes, ou qualquer outra capacidade ou hábitos, adquiridos por um homem de uma determinada sociedade.

Segundo Laraia há muito tempo se estuda os comportamentos dos animais, e também do homem, com a intenção de compreender e assimilar suas diversas atividades cotidianas.Pois não dá para aceitar nada como mal ou como bom sem uma análise prévia. Foram feitos muitos experimentos com animais para tentar entender a fragilidade e ao mesmo tempo a força de um ser vivo.

Existem vários tipos de culturas, até aqueles mais absurdos que podemos imaginar, tanto nós, quanto "eles", isso mesmo, é aí que entra o etnocentrismo, sempre achamos que a nossa cultura é a mais correta, e na verdade não é. Para cada um existe uma verdade absoluta a ser aplicada no decorrer de sua vida.

sábado, 18 de setembro de 2010

Conceito antropológico de cultura


Conceito antropológico de cultura

O Conceito antropológico de cultura passa necessariamente pelo dilema da unidade biológica e a grande diversidade cultural da espécie humana. Um dilema que permanece como tema central de numerosas polêmicas e que aponta para a preocupação, há muito presente, com a diversidade de modos de comportamento existentes entre os diferentes povos.

Desde a Antigüidade, foram comuns as tentativas de explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das variações dos ambientes físicos. No entanto, logo os estudiosos concluíram que as diferenças de comportamento entre os homens não poderiam ser explicadas através das diversidades somatológicas ou mesológicas.

Tanto o determinismo geográfico quanto o determinismo biológico foram incapazes de resolver o dilema, pois o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado chamado de endoculturação, ou seja, um menino e uma menina agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada.

Da mesma forma, as diferenças entre os homens não podem ser explicadas em termos das limitações que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente. A grande qualidade da espécie humana foi a de romper em suas próprias limitações: um animal frágil, provido de insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos predadores. Sem asas dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias conquistou os mares.

Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura. Apesar da dificuldade que os antropólogos enfrentam para definir a cultura, não se discute a sua realidade. A cultura se desenvolveu a partir da possibilidade da comunicação oral e a capacidade de fabricação de instrumentos, capazes de tornar mais eficiente o seu aparato biológico. Isto significa afirmar que tudo o que o homem faz, aprendeu com os seus semelhantes e não decorre de imposições originadas fora da cultura.

A comunicação oral torna-se então um processo vital da cultural: a linguagem é um produto da cultura, mas ao mesmo tempo não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral. A cultura desenvolveu-se simultaneamente com o próprio equipamento biológico humano e é, por isso mesmo, compreendida como uma das características da espécie, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral.

Uma vez parte da estrutura humana, a cultura define a vida, e o faz não através das pressões de ordem material, mas de acordo com um sistema simbólico definido, que nunca é o único possível. A cultura, portanto, constitui a utilidade, serve de lente através da qual o homem vê o mundo e interfere na satisfação das necessidades fisiológicas básicas. Embora nenhum indivíduo conheça totalmente o seu sistema cultural, é necessário ter um conhecimento mínimo para operar dentro do mesmo.

Conhecimento mínimo este que deve ser compartilhado por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a convivência dos mesmos. A cultura estrutura todo um sistema de orientação que tem uma lógica própria. Já foi o tempo em que se admitia existir sistemas culturais lógicos e sistemas culturais pré-lógicos. A coerência de um hábito cultural somente pode ser analisada a partir do sistema a que pertence. Todas as sociedades humanas dispõem de um sistema de classificação para o mundo natural que constitui categorias diversificadas e com características próprias.

sábado, 11 de setembro de 2010

Comunicação visual


Comunicação Visual é todo meio de comunicação expresso com a utilização de componentes visuais, como: signos, imagens, desenhos, gráficos, ou seja, tudo que pode ser visto. O termo comunicação visual é bastante abrangente e não precisa ser limitado a uma única área de estudo ou atuação, embora o termo possa ter o mesmo sentido de design visual.

Design visual e comunicação visual
Antes do uso dos termos design visual ou programação visual serem adotados, o termo comunicação visual servia para determinar a área de atuação do designer visual (comunicador visual). Mas como alguns consideravam o termo "comunicação" muito abrangente, problema às vezes enfrentado por comunicadores sociais, o termo em inglês para projeto foi adotado. Isso foi disputado por muitos, mas a decisão foi mantida e, em se tratando de projeto, comunicação visual é sinônimo de design visual.

sábado, 4 de setembro de 2010

Símbolo e simbolização


Simbolo e simbolização

O termo símbolo, com origem no grego σύμβολον (sýmbolon), designa um elemento representativo que está (realidade visível) em lugar de algo (realidade invisível) que tanto pode ser um objecto como um conceito ou idéia, determinada quantidade ou qualidade.

O "símbolo" é um elemento essencial no processo de comunicação, encontrando-se difundido pelo cotidiano e pelas mais variadas vertentes do saber humano. Embora existam símbolos que são reconhecidos internacionalmente, outros só são compreendidos dentro de um determinado grupo ou contexto (religioso, cultural, etc.).Ele intensifica a relação com o transcendente.

Também pode ser uma palavra ou imagem que designa outro objecto ou qualidade por ter com estes uma relação de semelhança.

A representação específica para cada símbolo pode surgir como resultado de um processo natural ou pode ser convencionada de modo a que o receptor (uma pessoa ou grupo específico de pessoas) consiga fazer a interpretação do seu significado implícito e atribuir-lhe determinada conotação. Pode também estar mais ou menos relacionada fisicamente com o objecto ou idéia que representa, podendo não só ter uma representação gráfica ou tridimensional como também sonora ou mesmo gestual.

Símbolos gravados há mais de 60 mil anos na casca de ovos de avestruz podem evidenciar o mais antigo sistema de representação simbólica usado por humanos modernos. Os sinais repetitivos e padronizados foram encontrados em Howiesons Poort, na África do Sul, e destacados em artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A semiótica é a disciplina que se ocupa do estudo dos símbolos, do seu processo e sistema em geral. Outras disciplinas especificam metodologias de estudo consoante a área, como a semântica, que se ocupa do simbolismo na linguagem, ou seja, das palavras, ou a psicanálise, que, entre outros, se debruça sobre a interpretação do simbolismo nos sonhos.

Na Semiótica todo sígno que a convencionalidade predomina possui uma relação símbolo. Exemplo disso é a paz mundial e a pomba da paz, a convenção fez da imagem semelhante a uma pomba branca, um símbolo de paz.

De acordo com a semiótica podemos resumir simbolo como [algo que representa algo para alguém].

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

sábado, 28 de agosto de 2010

O Signo na Indústria Cultural


O Signo na Indústria Cultural

A Indústria Cultural é permeada pelo signo índice, ou indiciai (Ex.: o água no asfalto é o signo que aponta para a anterior existência de chuva ali). Desta forma ela interage provocando a formação de consciências indiciais: tudo é rápido e passageiro, o tempo é pouco.

Não existem revelações, descobertas e nem existe estímulo à intuição, tudo é apenas mostrado e constatado superficialmente. Enquanto o símbolo e o ícone são signos que fazem as pessoas sentirem, intuírem e argumentarem, o índice é apenas mais uma peça na grande máquina fazedora de alienação.

O símbolo busca a interpretação com coerência e explicações das causas das coisas e o ícone revela as coisas através dos sentidos. Enquanto isso, os índices apontam para as qualidades que indicam que houve a presença do objeto (o asfalto molhado não dá outra informação exceto que houve uma chuva).

Nos processos de significação da indústria os índices são sobrepostos aos outros signos, de modo que o receptor caminha de um lado para outro orientado por esses índices, enquanto revelações e interpretações iconográficas e simbólicas são postas de lado. A produção de significados alcançada através desse esquema se mostra bastante empobrecida.

Teixeira Coelho trás uma reflexão importante a essa altura: esse esquema de significação é tão inerente à sociedade da tecnologia e de mercado que e está impregnado na Indústria Cultural, ou esta última seria a responsável por produzí-lo nas pessoas? Essa formação de consciência de índices, no entanto, não é algo que foi maquiavelicamente arquitetado.

Se desenvolveu lentamente de maneira proporcional ao desenvolvimento das tendências tecnológicas e à visão que a sociedade criou do mundo e de si própria. Uma consciência que acaba por se fazer mais presente e notada nas entranhas da indústria cultural. Afinal, somos nós os proprietários desse tipo de pensar. Não vivemos na era dos ícones.

Por um tempo a Indústria Cultural mais voltada à produção de imagens difundiu este mito, mas a operação dos signos impôs a produção de ícones sustentados por índices, não ícones puros e reveladores. Esses ícones aos quais ela se refere não proporcionam uma visão íntegra ao receptor, mas seqüências de imagens rápidas que se sucedem dando uma idéia desconexa da realidade.

A TV, por exemplo, apresentando a todo momento trechos de informações soltas no tempo e espaço sem antecedentes que não revelam muito, apenas se remete situações análogas que o receptor já viu anteriormente. São só as pegadas na areia, mas não se sabe quem as fez, onde está e porque fez. É preciso libertar o pensamento humano através das práticas da significação iconográfica e simbólica dentro da Indústria Cultural. O uso exagerado da produção de signos indiciais é um impecilho à produção de conteúdos culturais positivos para o homem.

sábado, 21 de agosto de 2010

Código Cultural


Código Cultural

Em síntese, o psicólogo francês e consultor de empresas Clotaire Rapaille, radicado nos EUA há mais de vinte anos, propõe que o ser humano é moldado por 3 códigos: um código universal comum a toda humanidade (arquétipos junguianos), um código cultural fornecido pela cultura em que nasceu e um código individual formado por suas experiências pessoais. Por que o termo “código”? Porque é a forma como a pessoa “decodifiga”, traduz um significado inconsciente de uma imagem, idéia, conceito etc.

A consultoria que ele faz para as empresas é para orientá-las em suas campanhas de marketing para obter sucesso comercial com um produto, posicionando-o de acordo com uma idéia pré-existente naquela cultura. Por exemplo, para lançar um novo modelo de utilitário americano na Europa, tipo um jipe de luxo, Rapaille levantou as idéias de “jipe” e “EUA” que as pessoas tinham na França e na Alemanha.

A metodologia dele é a seguinte: entrevista centenas de pessoas em três horas. Na primeira, ele finge ser um alienígena e pede explicações básicas sobre o que ele quer saber. Por exemplo “jipe”. As pessoas tem que explicar aquilo para alguém que não tem a menor idéia do que se trata. Na segunda hora, as pessoas recortam de revistas imagens e frases sobre o tema em questão. Na terceira, elas relaxam e fazem uma regressão para alcançar memórias e sensações ligadas ao tema. Depois, as centenas de relatos são analisados por uma equipe onde o “como” é contado tem tanto peso quanto o “o quê” é contado.

Ele extraiu alguns conceitos interessantes:


Os EUA são uma cultura “adolescente”, sem muito respeito pela opinião dos “mais velhos” (Europa), autocentrada e que não se importa de errar de primeiro desde que continue tentando até acertar.
Códigos Culturais:
· Amor: EUA (falsa expectativa); França (ajudar o parceiro a alcançar o maior prazer possível); Itália (amor- mãe, romance-mulher); Japão (doença temporária).
· Sedução: EUA (manipulação); Itália (passatempo; jogo em que jogar é mais importante que ganhar)
· Saúde: EUA (movimento)


E por aí vai. É um livro bem interessante para mim que por ter tido mãe americana e uma infância marcada por seriados e quadrinhos americanos reconheci em mim alguns dos códigos americanos misturados a sensações que devem ser códigos brasileiros. Rapaille coloca que a pessoa tem sua individualidade que pode fazer com que ela se identifique pouco ou muito com os códigos de sua cultura. Às vezes, o melhor mesmo é migrar ou emigrar para outra cultura que esteja mais de acordo com a pessoa, tamanha a falta de identificação com a sua cultura nativa.

Quais seriam os códigos brasileiros? Para se saber teríamos que usar o método de Rapaille entrevistando centenas de pessoas e comparando os relatos. Ou outro método equivalente com um bom número de entrevistas. Fora disso, é “achovski” e “chutágoras”, pensador russo e filósofo grego que fizeram mais mal do que bem a nosso país.

O Código Cultural (por que somos tão diferentes na forma de viver, comprar e amar?)Clotaire RapailleEditora Campus

sábado, 14 de agosto de 2010

Simbolo Cultural


Símbolo Cultural

O símbolo é a mais antiga forma de expressar a cultura de um povo. A simbolização permite ao homem transmitir os seus conhecimentos adquiridos e acumulados no decorrer do tempo. Os símbolos conservam os valores básicos para que a cultura de uma sociedade seja perene.

Os símbolos são constituídos de várias coisas concretas ou abstratas que se lhe são atribuídos valores ou significados específicos, dentro de um contexto cultural, por meio de atos, atitudes e sentimentos. A criação deles consiste, basicamente, na associação de significados daquilo que pode ser percebido pelos sentidos.

Sabemos que as culturas mudam continuamente, assimilam novos traços ou abandonam os antigos, através de diferentes formas. Toda sociedade está sujeita a essas modificações pelo próprio processo de desenvolvimento, pelos contatos com povos de culturas diferentes, pelas inovações científicas e tecnológicas interferindo nas artes, no artesanato e na sua cultura como um todo.

sábado, 7 de agosto de 2010

Cultura um conceito antropológico


” Cada cultura segue os seus próprios caminhos em função dos diferentes eventos históricos que enfrentou.”

” O Homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquirida pelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação adequada e criativa desse patrimônio cultural permite as inovações e invenções.”

“Se tivesse nascido no Congo ao invés da Saxônia, não poderia Bach ter composto nem mesmo um fragmento de coral ou sonata, se bem que possamos confiar igualmente em que ele teria eclipsado os seus compatriotas em alguma espécie de música.”

” Os homens ao contrário das formigas, têm a capacidade de questionar seus próprios hábitos e modificá-los.”
” O sábio nunca dialoga com a natureza pura, senão com um determinado estado de relação entre natureza e cultura, definida por um período na história em que vive, a civilização que é a sua e os meios materiais de que dispõe.”

” A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade.”

” É comum assim a crença do povo eleito, predestinado por seres sobrenaturais para ser superior aos demais. Tais crenças contêm o germe do racismo, da intolerância, e, frequentemente, são utilizadas para justificar a violência praticada contra os outros.”

“Em outras palavras, não basta a natureza criar indivíduos altamente inteligentes, isto ela o faz com frequência, mas é necessário que coloque ao alcance dos indivíduos o material que lhes permita exercer a sua criatividade de uma maneira revolucionária. Santos Dumont(1873-1932) não teria sido o inventor do avião se não tivesse abandonado a sua pachorrente Palmira, no final do século XIX, e se transferido em 1892 para Paris. Ali teve acesso a todo o conhecimento acumulado pela civilização ocidental. Em Palmira, o seu cérebro privilegiado poderia talvez realizar outras invenções, como por exemplo um eixo mais aperfeiçoado para carros de bois, mas jamais teria tido a oportunidade de proporcionar a humanidade a capacidade da locomoção aérea.”

Segundo Krober uma ampliação do conceito de cultura:

A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem e justifica suas realizações.

O homem age de acordo com seus padrões culturais. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou.

A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Em vez de modificar para isto o seu aparato biológico, o homem modifica seu equipamento superorgâncio.

Adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes genéticamente determinadas.

A cultura é um processo acumulativo, resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores. Este processo limita ou estimula ação criativa do indivíduo.

Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor, construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural, e criar um novo objeto ou uma nova técnica. Nesta classificação podem ser incluídos os indivíduos que fizeram as primeiras invenções, tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do atrito da madeira seca; ou o primeiro homem que fabricou a primeira máquina capaz de ampliar a força muscular, o arco e flecha etc. São eles gênios da mesma grandeza de Santos Dumont e Einstein. Sem as suas primeiras invenções ou descobertas, hoje consideradas modestas, não teriam ocorrido as demais. E pior do que isto, talvez nem mesmo a espécie humana teria chegado ao que é hoje.

” Assim sendo, a comunicação é um processo cultural. Mais explicitamente, a linguagem humana é um produto da cultura, mas não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral.”

“Cada um de nós sabe o que fazer em determinadas situações, mas nem todos sabem prever o que fariam nessas situações. Estudar a cultura é portanto estudar um código de símbolos partilhados pelos membros dessa cultura.”

” O estudo da cultura nunca terminará, pois uma compreensão exata do conceito de cultura significa a compreensão da própria natureza humana, tema perene de incansável reflexão.”
Fonte: Cultura um conceito antropológico – Roque de Barros Laia

sábado, 31 de julho de 2010

Etnocentrismo cultural

Etnocentrismo

O conceito de Etnocentrismo parte do estudo do estudo do grande choque e da grande estranheza que se dá no encontro de dois ou mais grupos diferentes. Surge, então, o grupo do "eu" e o grupo do "outro", tendo o primeiro como real, absoluta e principal referência e a segunda como algo exótico, excêntrico, anormal, exuberante e primitivo.

No contexto do Descobrimento da América, a problematização dessa expressão se deu de forma mais grave, pois como o grupo do eu (colonizador) tinha o recurso da força das armas de fogo, se achou no direito de definir o grupo do outro (índio) segundo seus princípios e valores e exercer a grande dificuldade moral e intelectual que tinham de conviver com a diferença cultural, social e emocional deste povo, impondo que suas manifestações eram selvagens, esdrúxulas, antropófagas, pré-históricas e precisavam serem destruídas ou "civilizadas".

Essa iniciativa causou em toda a história da formação do continente americano genocídios, pré-conceitos, preconceitos, manipulações ideológicas, julgamentos precipitados e sérias distorções culturais, comportamentais e educacionais na construção do conhecimento da trajetória do ameríndio na nossa "civilização ocidental", pois jamais lhe era dado o direito e o dever de falar de si e por si próprio, sendo sempre mau interpretado e estereotipado em filmes e livros didáticos ora como brabo, ora como manso, ora como preguiçoso, ora como incapaz, ora como bobo e nunca como ser pensante, inteligente dotado de cultura, tradições e costumes.

Esta visão de mundo é o pontapé inicial para a construção de uma ciência que trabalhe a diferença entre os seres humanos de forma que essas mesmas diferenças não causem hostilidades e sim alternativas e possibilidades diversas à superação de limites existenciais comuns de abertura do "eu" para o "outro" ou vice-versa.
Esta ciência é a "Antropologia" que através da teoria da relativização, criada após a teoria do evolucionismo (diferentes graus de evolução de grupos sociais no processo progressivo do desenvolvimento humano), se preocupou em refletir sobre o conceito de cultura e descentralizar qualquer tipo de ideologia, apresentando aspectos, nuanças e características na abertura da multiplicidade de pontos de vista, soluções e perguntas sobre o saber científico.

Bibliografia: Everardo, Rocha. O que é etnocentrismo Coleção primeiros passos, ed. Brasiliense.

sábado, 24 de julho de 2010

Relativismo cultural


Relativismo cultural

O Relativismo Cultural é uma ideologia político-social que defende a validade e a riqueza de qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética dos mesmos.

O Relativismo cultural defende que o bem e o mal, o certo e o errado, e outras categorias de valores são relativos a cada cultura. O "bem" coincide com o que é "socialmente aprovado" numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade.

Relativismo cultural é o princípio que prega que uma crença e/ou atividade humana individual deva ser interpretada em termos de sua própria cultura. Esse princípio foi estabelecido como axiomático na pesquisa antropológica de Franz Boas nas primeiras décadas do século XX e, mais tarde, popularizado pelos seus alunos. A idéia foi articulada por Boas em 1887: "...civilização não é algo absoluto, mas (...) é relativa, e, nossas idéias e concepções são verdadeiras apenas na medida de nossa civilização".

O próprio Boas não usou tal termo, que acabou ficando comum entre os antropólogos depois da sua morte em 1942. O termo foi usado pela primeira vez em 1948, após sua morte, na revista American Anthropologist. O termo em si representa como os alunos de Boas resumiram suas próprias sínteses dos vários princípios ensinados por Boas.

Relativismo cultural envolve específicas declarações epistemológicas e metodológicas. Se tais afirmações necessitam ou não de uma postura ética é um argumento para ser debatido. No entanto, o que é importante é que este princípio não seja confundido com relativismo moral.

Origens Epistemológicas do Relativismo Cultural

Kant quer na gnoseologia, ao apresentar o homem como dotado de conceitos puros a priori, as 12 categorias, quer na ética, através da boa vontade (racional e formal) faz depender o conhecimento e a acção humana de categorias ou formulação universal. Por isso kant não apresenta um pensamento de relativismo cultural. Kant defende sim, a subjectividade - a subjectividade do sujeito epistêmico ou do homem que decide de forma autónoma obedecendo ao (seu) imperativo categórico. Aplicando um aspecto bem interessante da psicologia.

Fonte: wikipédia – a enciclopédia livre

sábado, 17 de julho de 2010

Contracultura


Contracultura o que é...

Nas sociedades capitalistas, a organização da sociedade e das instituições promoveu a observância de um interessante processo de homogeneização da população como um todo. Diversos teóricos apontaram uma reprodutibilidade em alta escala de formas de pensar, agir e sentir que estariam sendo levadas a todos os indivíduos com o objetivo de propagar uma mesma compreensão do mundo. Nas Ciências Humanas, os conceitos de “cultura de massa” e “indústria cultural” surgiram justamente para consolidar tal ideia.

Em muitos estudos, alguns pesquisadores tiveram a intenção de mostrar como determinadas ideologias ganham alcance na sociedade e, a partir de sua propagação, passam a sedimentar um costume compreendido como natural. Apesar da relevância incontestável desse tipo de trabalho, outros importantes pensadores da cultura estabeleceram um questionamento sobre essa ideia de “cultura dominante” ao mostrarem outra possibilidade de resposta para o tema.

Partindo para o campo das práticas culturais, também podemos notar que o desenvolvimento de costumes vão justamente contra os pressupostos comungados pela maioria. Foi nesse momento em que passou a se trabalhar com o conceito de “contracultura”, definidor de todas as práticas e manifestações que visam criticar, debater e questionar tudo aquilo que é visto como vigente em um determinado contexto sócio-histórico.

Um dos mais reconhecidos tipos de manifestação contracultural aconteceu nas décadas de 1950 e 1960, nos Estados Unidos. Após a saída deste país da Segunda Guerra Mundial, um verdadeiro “baby-boom” foi responsável pelo surgimento de uma nova geração que viveria todo o conforto de um país que se enriqueceu rapidamente. Contudo, ao contrário do que se podia esperar, essa geração desempenhou o papel de apontar os limites e problemas gerados pela sociedade capitalista.

Rejeitando o elogio cego à nação, o trabalho e a rápida ascensão social, esses jovens buscaram um refúgio contra as instituições e valores que defendiam o consumismo e o cumprimento das obrigações. A partir daí foi dado o aparecimento do movimento hippie, que incitou milhares de jovens a cultuarem o amor livre, o desprendimento às convenções e o desenvolvimento de todo um mundo que fosse alternativo ao que fosse oferecido pelo sempre tão criticado “sistema”.

No Brasil, essa ideia de contracultura pode ser observada com o desenvolvimento do movimento hip hop. Embalados pela “beat” eletrônico e letras com rimas ácidas, diversos jovens da periferia dos grandes centros urbanos absorveram um gênero musical estrangeiro para retratar a miséria e violência que se alastravam em várias cidades do país. Atualmente, essa manifestação se diversificou e protagoniza a realização de diversos projetos sociais que divulgam cultura e educação.

Com respeito ao conceito de contracultura, não podemos simplesmente pensar que ele vá simplesmente definir a existência de uma cultura única e original. Pelo contrário, as manifestações de traço contracultural têm a importante função de revisar os valores absorvidos em nosso cotidiano e, dessa forma, indicar novos caminhos pelo qual o homem trilha suas opções. Assim, é necessário sempre afirmar que contracultura também é cultura!

fonte:
Por Rainer Sousa - Mestre em História
Mundo Educação » Sociologia » Contracultura

sábado, 10 de julho de 2010

Subcultura


Subcultura e "cenas" musicais

A partir da Segunda Guerra Mundial, vê-se o surgimento de diversas manifestações culturais ligadas a uma nova condição juvenil. As formas de expressão, práticas, atitudes e comportamento diferenciados dos grupos de jovens reunidos por um estilo e interesses comuns foram caracterizados, ao longo das últimas décadas, como subculturas.

O conceito de subcultura solidificou-se ao longo das décadas de 1970 e 1980, principalmente no campo dos Estudos Culturais alinhado ao Centro de Estudos Culturais Contemporâneos da Universidade de Birmingham (CCCS). Dick Hebdige (1996), na obra que se tornou referência para os estudos da área, Subculture, the meaning of style, publicado originalmente em 1979, apresenta a seguinte definição para subcultura:

Os estudos de subcultura trouxeram significativas contribuições ao abordar a importância do estilo, dos significados referentes aos símbolos criados e recriados nos bens de consumo por estes jovens. As análises mais recentes, porém, têm promovido uma revisão crítica e séria questionamentos da abordagem subculturalista.

Um dos problemas identificados é que as subculturas são geralmente posicionadas por aqueles estudos a partir de dicotomias limitadores, como resistência-cooptação, posições hegêmonicas-posições subordinadas, em uma perspectiva que se mostra distante do cotidiano dos jovens analisados, além de pouco atentar para as relações entre estes, os movimentos que ele participam e a mídia, assim como a complexidade das práticas sócio-culturais juvenis.

O conceito de “cena” surge como forma de tentar superar as principais limitações presentes nas teorias de subcultura, enfatizando outro aspecto negligenciado naqueles estudos, a questão da localidade. Identificar as particularidades do local em relação ao global e as relações entre estes, mapear e discutir os significados das práticas culturais dessas manifestações juvenis específicas, abordar as relações destes jovens com o espaço urbano são pontos enfatizados pelos trabalhos mais recentes.

Uma das principais características dessas diversas formas de manifestações é o papel da música como um elemento central na congregação dos jovens em grupos específicos. O punk-rock, com letras de protesto e a celebração do “tosco” no processo de composição musical, é o eixo principal do movimento punk, o oi! (derivado do punk) é o estilo musical de preferência dos skinheads, o rap é um dos elementos principais da cena hip hop, os gêneros da música eletrônica na cena club e rave ou de música eletrônica em uma visão mais ampla. Coexistindo com outras no espaço urbano, uma cena musical poderia ser conceituada como:

A construção dessas “práticas musicais contemporâneas” e do “patrimônio musical” na cena de música eletrônica implica em uma multiplicidade de questões, como a celebração do hedonismo nas pistas de dança, a crescente participação dos gêneros da e-music no mercado musical e a influência que estes exercem na produção musical contemporânea, as relações sociais presentes nos ambientes específicos de clubs noturnos e raves, a configuração de políticas de gênero e classe nesses espaços, entre uma série de outros aspectos dignos de análise.

Um ponto atravessa todas essas questões. É a idéia de “autenticidade”, caracterizada por significados variáveis que são determinados por práticas e contextos específicos da cena (por exemplo, quando vinculada ao processo de produção musical, a discussão do que seria “autêntico” incorre na reconfiguração dos conceitos de autoria e originalidade no trabalho de composição resultante da técnica do sampling·, todos intimamente relacionados, porém. Neste artigo, ela é abordada sob duas perspectivas: o “autêntico” como valor recorrente na produção, criação musical e legitimação dos gêneros da música eletrônica (ou dance music, termo mais comum em outros países) e, em outro plano, como elemento essencial na constituição das relações sociais estabelecidas entre os participantes da cena, no estabelecimento de hierarquias, lógicas de pertencimento, inclusão e exclusão).