sábado, 25 de setembro de 2010

Cultura como um conceito antropológico


Cultura como um conceito antropológico

Cultura são as mais variadas formas de vida, englobando as instiuições, os hábitos, as crenças, comidas típicas e principalmente a forma de viver e sobreviver.Não se pode afirmar que a cultura é determinada pelo lugar onde nasceu, determinismo geográfico, pois se aos 3 anos de idade a criança mudar de país, ela irá se socializar com a cultura daquele país, ela não levará arraigado em sí.

Não podemos também afirmar que a cultura nasce com o biotipo da pessoa, determinismo biológico, pois irmãos de mesmo tipo genético, até gêmeos, se separados terão culturas diferentes.

Edward Tylor deu um amplo sentido etnográfico para o vocábulo cultura, ao dizer que é todo complexo que inclui conhecimentos, crenças,arte, moral, leis, costumes, ou qualquer outra capacidade ou hábitos, adquiridos por um homem de uma determinada sociedade.

Segundo Laraia há muito tempo se estuda os comportamentos dos animais, e também do homem, com a intenção de compreender e assimilar suas diversas atividades cotidianas.Pois não dá para aceitar nada como mal ou como bom sem uma análise prévia. Foram feitos muitos experimentos com animais para tentar entender a fragilidade e ao mesmo tempo a força de um ser vivo.

Existem vários tipos de culturas, até aqueles mais absurdos que podemos imaginar, tanto nós, quanto "eles", isso mesmo, é aí que entra o etnocentrismo, sempre achamos que a nossa cultura é a mais correta, e na verdade não é. Para cada um existe uma verdade absoluta a ser aplicada no decorrer de sua vida.

sábado, 18 de setembro de 2010

Conceito antropológico de cultura


Conceito antropológico de cultura

O Conceito antropológico de cultura passa necessariamente pelo dilema da unidade biológica e a grande diversidade cultural da espécie humana. Um dilema que permanece como tema central de numerosas polêmicas e que aponta para a preocupação, há muito presente, com a diversidade de modos de comportamento existentes entre os diferentes povos.

Desde a Antigüidade, foram comuns as tentativas de explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das variações dos ambientes físicos. No entanto, logo os estudiosos concluíram que as diferenças de comportamento entre os homens não poderiam ser explicadas através das diversidades somatológicas ou mesológicas.

Tanto o determinismo geográfico quanto o determinismo biológico foram incapazes de resolver o dilema, pois o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado chamado de endoculturação, ou seja, um menino e uma menina agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada.

Da mesma forma, as diferenças entre os homens não podem ser explicadas em termos das limitações que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente. A grande qualidade da espécie humana foi a de romper em suas próprias limitações: um animal frágil, provido de insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos predadores. Sem asas dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias conquistou os mares.

Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura. Apesar da dificuldade que os antropólogos enfrentam para definir a cultura, não se discute a sua realidade. A cultura se desenvolveu a partir da possibilidade da comunicação oral e a capacidade de fabricação de instrumentos, capazes de tornar mais eficiente o seu aparato biológico. Isto significa afirmar que tudo o que o homem faz, aprendeu com os seus semelhantes e não decorre de imposições originadas fora da cultura.

A comunicação oral torna-se então um processo vital da cultural: a linguagem é um produto da cultura, mas ao mesmo tempo não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral. A cultura desenvolveu-se simultaneamente com o próprio equipamento biológico humano e é, por isso mesmo, compreendida como uma das características da espécie, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral.

Uma vez parte da estrutura humana, a cultura define a vida, e o faz não através das pressões de ordem material, mas de acordo com um sistema simbólico definido, que nunca é o único possível. A cultura, portanto, constitui a utilidade, serve de lente através da qual o homem vê o mundo e interfere na satisfação das necessidades fisiológicas básicas. Embora nenhum indivíduo conheça totalmente o seu sistema cultural, é necessário ter um conhecimento mínimo para operar dentro do mesmo.

Conhecimento mínimo este que deve ser compartilhado por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a convivência dos mesmos. A cultura estrutura todo um sistema de orientação que tem uma lógica própria. Já foi o tempo em que se admitia existir sistemas culturais lógicos e sistemas culturais pré-lógicos. A coerência de um hábito cultural somente pode ser analisada a partir do sistema a que pertence. Todas as sociedades humanas dispõem de um sistema de classificação para o mundo natural que constitui categorias diversificadas e com características próprias.

sábado, 11 de setembro de 2010

Comunicação visual


Comunicação Visual é todo meio de comunicação expresso com a utilização de componentes visuais, como: signos, imagens, desenhos, gráficos, ou seja, tudo que pode ser visto. O termo comunicação visual é bastante abrangente e não precisa ser limitado a uma única área de estudo ou atuação, embora o termo possa ter o mesmo sentido de design visual.

Design visual e comunicação visual
Antes do uso dos termos design visual ou programação visual serem adotados, o termo comunicação visual servia para determinar a área de atuação do designer visual (comunicador visual). Mas como alguns consideravam o termo "comunicação" muito abrangente, problema às vezes enfrentado por comunicadores sociais, o termo em inglês para projeto foi adotado. Isso foi disputado por muitos, mas a decisão foi mantida e, em se tratando de projeto, comunicação visual é sinônimo de design visual.

sábado, 4 de setembro de 2010

Símbolo e simbolização


Simbolo e simbolização

O termo símbolo, com origem no grego σύμβολον (sýmbolon), designa um elemento representativo que está (realidade visível) em lugar de algo (realidade invisível) que tanto pode ser um objecto como um conceito ou idéia, determinada quantidade ou qualidade.

O "símbolo" é um elemento essencial no processo de comunicação, encontrando-se difundido pelo cotidiano e pelas mais variadas vertentes do saber humano. Embora existam símbolos que são reconhecidos internacionalmente, outros só são compreendidos dentro de um determinado grupo ou contexto (religioso, cultural, etc.).Ele intensifica a relação com o transcendente.

Também pode ser uma palavra ou imagem que designa outro objecto ou qualidade por ter com estes uma relação de semelhança.

A representação específica para cada símbolo pode surgir como resultado de um processo natural ou pode ser convencionada de modo a que o receptor (uma pessoa ou grupo específico de pessoas) consiga fazer a interpretação do seu significado implícito e atribuir-lhe determinada conotação. Pode também estar mais ou menos relacionada fisicamente com o objecto ou idéia que representa, podendo não só ter uma representação gráfica ou tridimensional como também sonora ou mesmo gestual.

Símbolos gravados há mais de 60 mil anos na casca de ovos de avestruz podem evidenciar o mais antigo sistema de representação simbólica usado por humanos modernos. Os sinais repetitivos e padronizados foram encontrados em Howiesons Poort, na África do Sul, e destacados em artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A semiótica é a disciplina que se ocupa do estudo dos símbolos, do seu processo e sistema em geral. Outras disciplinas especificam metodologias de estudo consoante a área, como a semântica, que se ocupa do simbolismo na linguagem, ou seja, das palavras, ou a psicanálise, que, entre outros, se debruça sobre a interpretação do simbolismo nos sonhos.

Na Semiótica todo sígno que a convencionalidade predomina possui uma relação símbolo. Exemplo disso é a paz mundial e a pomba da paz, a convenção fez da imagem semelhante a uma pomba branca, um símbolo de paz.

De acordo com a semiótica podemos resumir simbolo como [algo que representa algo para alguém].

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

sábado, 28 de agosto de 2010

O Signo na Indústria Cultural


O Signo na Indústria Cultural

A Indústria Cultural é permeada pelo signo índice, ou indiciai (Ex.: o água no asfalto é o signo que aponta para a anterior existência de chuva ali). Desta forma ela interage provocando a formação de consciências indiciais: tudo é rápido e passageiro, o tempo é pouco.

Não existem revelações, descobertas e nem existe estímulo à intuição, tudo é apenas mostrado e constatado superficialmente. Enquanto o símbolo e o ícone são signos que fazem as pessoas sentirem, intuírem e argumentarem, o índice é apenas mais uma peça na grande máquina fazedora de alienação.

O símbolo busca a interpretação com coerência e explicações das causas das coisas e o ícone revela as coisas através dos sentidos. Enquanto isso, os índices apontam para as qualidades que indicam que houve a presença do objeto (o asfalto molhado não dá outra informação exceto que houve uma chuva).

Nos processos de significação da indústria os índices são sobrepostos aos outros signos, de modo que o receptor caminha de um lado para outro orientado por esses índices, enquanto revelações e interpretações iconográficas e simbólicas são postas de lado. A produção de significados alcançada através desse esquema se mostra bastante empobrecida.

Teixeira Coelho trás uma reflexão importante a essa altura: esse esquema de significação é tão inerente à sociedade da tecnologia e de mercado que e está impregnado na Indústria Cultural, ou esta última seria a responsável por produzí-lo nas pessoas? Essa formação de consciência de índices, no entanto, não é algo que foi maquiavelicamente arquitetado.

Se desenvolveu lentamente de maneira proporcional ao desenvolvimento das tendências tecnológicas e à visão que a sociedade criou do mundo e de si própria. Uma consciência que acaba por se fazer mais presente e notada nas entranhas da indústria cultural. Afinal, somos nós os proprietários desse tipo de pensar. Não vivemos na era dos ícones.

Por um tempo a Indústria Cultural mais voltada à produção de imagens difundiu este mito, mas a operação dos signos impôs a produção de ícones sustentados por índices, não ícones puros e reveladores. Esses ícones aos quais ela se refere não proporcionam uma visão íntegra ao receptor, mas seqüências de imagens rápidas que se sucedem dando uma idéia desconexa da realidade.

A TV, por exemplo, apresentando a todo momento trechos de informações soltas no tempo e espaço sem antecedentes que não revelam muito, apenas se remete situações análogas que o receptor já viu anteriormente. São só as pegadas na areia, mas não se sabe quem as fez, onde está e porque fez. É preciso libertar o pensamento humano através das práticas da significação iconográfica e simbólica dentro da Indústria Cultural. O uso exagerado da produção de signos indiciais é um impecilho à produção de conteúdos culturais positivos para o homem.

sábado, 21 de agosto de 2010

Código Cultural


Código Cultural

Em síntese, o psicólogo francês e consultor de empresas Clotaire Rapaille, radicado nos EUA há mais de vinte anos, propõe que o ser humano é moldado por 3 códigos: um código universal comum a toda humanidade (arquétipos junguianos), um código cultural fornecido pela cultura em que nasceu e um código individual formado por suas experiências pessoais. Por que o termo “código”? Porque é a forma como a pessoa “decodifiga”, traduz um significado inconsciente de uma imagem, idéia, conceito etc.

A consultoria que ele faz para as empresas é para orientá-las em suas campanhas de marketing para obter sucesso comercial com um produto, posicionando-o de acordo com uma idéia pré-existente naquela cultura. Por exemplo, para lançar um novo modelo de utilitário americano na Europa, tipo um jipe de luxo, Rapaille levantou as idéias de “jipe” e “EUA” que as pessoas tinham na França e na Alemanha.

A metodologia dele é a seguinte: entrevista centenas de pessoas em três horas. Na primeira, ele finge ser um alienígena e pede explicações básicas sobre o que ele quer saber. Por exemplo “jipe”. As pessoas tem que explicar aquilo para alguém que não tem a menor idéia do que se trata. Na segunda hora, as pessoas recortam de revistas imagens e frases sobre o tema em questão. Na terceira, elas relaxam e fazem uma regressão para alcançar memórias e sensações ligadas ao tema. Depois, as centenas de relatos são analisados por uma equipe onde o “como” é contado tem tanto peso quanto o “o quê” é contado.

Ele extraiu alguns conceitos interessantes:


Os EUA são uma cultura “adolescente”, sem muito respeito pela opinião dos “mais velhos” (Europa), autocentrada e que não se importa de errar de primeiro desde que continue tentando até acertar.
Códigos Culturais:
· Amor: EUA (falsa expectativa); França (ajudar o parceiro a alcançar o maior prazer possível); Itália (amor- mãe, romance-mulher); Japão (doença temporária).
· Sedução: EUA (manipulação); Itália (passatempo; jogo em que jogar é mais importante que ganhar)
· Saúde: EUA (movimento)


E por aí vai. É um livro bem interessante para mim que por ter tido mãe americana e uma infância marcada por seriados e quadrinhos americanos reconheci em mim alguns dos códigos americanos misturados a sensações que devem ser códigos brasileiros. Rapaille coloca que a pessoa tem sua individualidade que pode fazer com que ela se identifique pouco ou muito com os códigos de sua cultura. Às vezes, o melhor mesmo é migrar ou emigrar para outra cultura que esteja mais de acordo com a pessoa, tamanha a falta de identificação com a sua cultura nativa.

Quais seriam os códigos brasileiros? Para se saber teríamos que usar o método de Rapaille entrevistando centenas de pessoas e comparando os relatos. Ou outro método equivalente com um bom número de entrevistas. Fora disso, é “achovski” e “chutágoras”, pensador russo e filósofo grego que fizeram mais mal do que bem a nosso país.

O Código Cultural (por que somos tão diferentes na forma de viver, comprar e amar?)Clotaire RapailleEditora Campus

sábado, 14 de agosto de 2010

Simbolo Cultural


Símbolo Cultural

O símbolo é a mais antiga forma de expressar a cultura de um povo. A simbolização permite ao homem transmitir os seus conhecimentos adquiridos e acumulados no decorrer do tempo. Os símbolos conservam os valores básicos para que a cultura de uma sociedade seja perene.

Os símbolos são constituídos de várias coisas concretas ou abstratas que se lhe são atribuídos valores ou significados específicos, dentro de um contexto cultural, por meio de atos, atitudes e sentimentos. A criação deles consiste, basicamente, na associação de significados daquilo que pode ser percebido pelos sentidos.

Sabemos que as culturas mudam continuamente, assimilam novos traços ou abandonam os antigos, através de diferentes formas. Toda sociedade está sujeita a essas modificações pelo próprio processo de desenvolvimento, pelos contatos com povos de culturas diferentes, pelas inovações científicas e tecnológicas interferindo nas artes, no artesanato e na sua cultura como um todo.

sábado, 7 de agosto de 2010

Cultura um conceito antropológico


” Cada cultura segue os seus próprios caminhos em função dos diferentes eventos históricos que enfrentou.”

” O Homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquirida pelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação adequada e criativa desse patrimônio cultural permite as inovações e invenções.”

“Se tivesse nascido no Congo ao invés da Saxônia, não poderia Bach ter composto nem mesmo um fragmento de coral ou sonata, se bem que possamos confiar igualmente em que ele teria eclipsado os seus compatriotas em alguma espécie de música.”

” Os homens ao contrário das formigas, têm a capacidade de questionar seus próprios hábitos e modificá-los.”
” O sábio nunca dialoga com a natureza pura, senão com um determinado estado de relação entre natureza e cultura, definida por um período na história em que vive, a civilização que é a sua e os meios materiais de que dispõe.”

” A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade.”

” É comum assim a crença do povo eleito, predestinado por seres sobrenaturais para ser superior aos demais. Tais crenças contêm o germe do racismo, da intolerância, e, frequentemente, são utilizadas para justificar a violência praticada contra os outros.”

“Em outras palavras, não basta a natureza criar indivíduos altamente inteligentes, isto ela o faz com frequência, mas é necessário que coloque ao alcance dos indivíduos o material que lhes permita exercer a sua criatividade de uma maneira revolucionária. Santos Dumont(1873-1932) não teria sido o inventor do avião se não tivesse abandonado a sua pachorrente Palmira, no final do século XIX, e se transferido em 1892 para Paris. Ali teve acesso a todo o conhecimento acumulado pela civilização ocidental. Em Palmira, o seu cérebro privilegiado poderia talvez realizar outras invenções, como por exemplo um eixo mais aperfeiçoado para carros de bois, mas jamais teria tido a oportunidade de proporcionar a humanidade a capacidade da locomoção aérea.”

Segundo Krober uma ampliação do conceito de cultura:

A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem e justifica suas realizações.

O homem age de acordo com seus padrões culturais. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou.

A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Em vez de modificar para isto o seu aparato biológico, o homem modifica seu equipamento superorgâncio.

Adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes genéticamente determinadas.

A cultura é um processo acumulativo, resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores. Este processo limita ou estimula ação criativa do indivíduo.

Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor, construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural, e criar um novo objeto ou uma nova técnica. Nesta classificação podem ser incluídos os indivíduos que fizeram as primeiras invenções, tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do atrito da madeira seca; ou o primeiro homem que fabricou a primeira máquina capaz de ampliar a força muscular, o arco e flecha etc. São eles gênios da mesma grandeza de Santos Dumont e Einstein. Sem as suas primeiras invenções ou descobertas, hoje consideradas modestas, não teriam ocorrido as demais. E pior do que isto, talvez nem mesmo a espécie humana teria chegado ao que é hoje.

” Assim sendo, a comunicação é um processo cultural. Mais explicitamente, a linguagem humana é um produto da cultura, mas não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral.”

“Cada um de nós sabe o que fazer em determinadas situações, mas nem todos sabem prever o que fariam nessas situações. Estudar a cultura é portanto estudar um código de símbolos partilhados pelos membros dessa cultura.”

” O estudo da cultura nunca terminará, pois uma compreensão exata do conceito de cultura significa a compreensão da própria natureza humana, tema perene de incansável reflexão.”
Fonte: Cultura um conceito antropológico – Roque de Barros Laia

sábado, 31 de julho de 2010

Etnocentrismo cultural

Etnocentrismo

O conceito de Etnocentrismo parte do estudo do estudo do grande choque e da grande estranheza que se dá no encontro de dois ou mais grupos diferentes. Surge, então, o grupo do "eu" e o grupo do "outro", tendo o primeiro como real, absoluta e principal referência e a segunda como algo exótico, excêntrico, anormal, exuberante e primitivo.

No contexto do Descobrimento da América, a problematização dessa expressão se deu de forma mais grave, pois como o grupo do eu (colonizador) tinha o recurso da força das armas de fogo, se achou no direito de definir o grupo do outro (índio) segundo seus princípios e valores e exercer a grande dificuldade moral e intelectual que tinham de conviver com a diferença cultural, social e emocional deste povo, impondo que suas manifestações eram selvagens, esdrúxulas, antropófagas, pré-históricas e precisavam serem destruídas ou "civilizadas".

Essa iniciativa causou em toda a história da formação do continente americano genocídios, pré-conceitos, preconceitos, manipulações ideológicas, julgamentos precipitados e sérias distorções culturais, comportamentais e educacionais na construção do conhecimento da trajetória do ameríndio na nossa "civilização ocidental", pois jamais lhe era dado o direito e o dever de falar de si e por si próprio, sendo sempre mau interpretado e estereotipado em filmes e livros didáticos ora como brabo, ora como manso, ora como preguiçoso, ora como incapaz, ora como bobo e nunca como ser pensante, inteligente dotado de cultura, tradições e costumes.

Esta visão de mundo é o pontapé inicial para a construção de uma ciência que trabalhe a diferença entre os seres humanos de forma que essas mesmas diferenças não causem hostilidades e sim alternativas e possibilidades diversas à superação de limites existenciais comuns de abertura do "eu" para o "outro" ou vice-versa.
Esta ciência é a "Antropologia" que através da teoria da relativização, criada após a teoria do evolucionismo (diferentes graus de evolução de grupos sociais no processo progressivo do desenvolvimento humano), se preocupou em refletir sobre o conceito de cultura e descentralizar qualquer tipo de ideologia, apresentando aspectos, nuanças e características na abertura da multiplicidade de pontos de vista, soluções e perguntas sobre o saber científico.

Bibliografia: Everardo, Rocha. O que é etnocentrismo Coleção primeiros passos, ed. Brasiliense.

sábado, 24 de julho de 2010

Relativismo cultural


Relativismo cultural

O Relativismo Cultural é uma ideologia político-social que defende a validade e a riqueza de qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética dos mesmos.

O Relativismo cultural defende que o bem e o mal, o certo e o errado, e outras categorias de valores são relativos a cada cultura. O "bem" coincide com o que é "socialmente aprovado" numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade.

Relativismo cultural é o princípio que prega que uma crença e/ou atividade humana individual deva ser interpretada em termos de sua própria cultura. Esse princípio foi estabelecido como axiomático na pesquisa antropológica de Franz Boas nas primeiras décadas do século XX e, mais tarde, popularizado pelos seus alunos. A idéia foi articulada por Boas em 1887: "...civilização não é algo absoluto, mas (...) é relativa, e, nossas idéias e concepções são verdadeiras apenas na medida de nossa civilização".

O próprio Boas não usou tal termo, que acabou ficando comum entre os antropólogos depois da sua morte em 1942. O termo foi usado pela primeira vez em 1948, após sua morte, na revista American Anthropologist. O termo em si representa como os alunos de Boas resumiram suas próprias sínteses dos vários princípios ensinados por Boas.

Relativismo cultural envolve específicas declarações epistemológicas e metodológicas. Se tais afirmações necessitam ou não de uma postura ética é um argumento para ser debatido. No entanto, o que é importante é que este princípio não seja confundido com relativismo moral.

Origens Epistemológicas do Relativismo Cultural

Kant quer na gnoseologia, ao apresentar o homem como dotado de conceitos puros a priori, as 12 categorias, quer na ética, através da boa vontade (racional e formal) faz depender o conhecimento e a acção humana de categorias ou formulação universal. Por isso kant não apresenta um pensamento de relativismo cultural. Kant defende sim, a subjectividade - a subjectividade do sujeito epistêmico ou do homem que decide de forma autónoma obedecendo ao (seu) imperativo categórico. Aplicando um aspecto bem interessante da psicologia.

Fonte: wikipédia – a enciclopédia livre

sábado, 17 de julho de 2010

Contracultura


Contracultura o que é...

Nas sociedades capitalistas, a organização da sociedade e das instituições promoveu a observância de um interessante processo de homogeneização da população como um todo. Diversos teóricos apontaram uma reprodutibilidade em alta escala de formas de pensar, agir e sentir que estariam sendo levadas a todos os indivíduos com o objetivo de propagar uma mesma compreensão do mundo. Nas Ciências Humanas, os conceitos de “cultura de massa” e “indústria cultural” surgiram justamente para consolidar tal ideia.

Em muitos estudos, alguns pesquisadores tiveram a intenção de mostrar como determinadas ideologias ganham alcance na sociedade e, a partir de sua propagação, passam a sedimentar um costume compreendido como natural. Apesar da relevância incontestável desse tipo de trabalho, outros importantes pensadores da cultura estabeleceram um questionamento sobre essa ideia de “cultura dominante” ao mostrarem outra possibilidade de resposta para o tema.

Partindo para o campo das práticas culturais, também podemos notar que o desenvolvimento de costumes vão justamente contra os pressupostos comungados pela maioria. Foi nesse momento em que passou a se trabalhar com o conceito de “contracultura”, definidor de todas as práticas e manifestações que visam criticar, debater e questionar tudo aquilo que é visto como vigente em um determinado contexto sócio-histórico.

Um dos mais reconhecidos tipos de manifestação contracultural aconteceu nas décadas de 1950 e 1960, nos Estados Unidos. Após a saída deste país da Segunda Guerra Mundial, um verdadeiro “baby-boom” foi responsável pelo surgimento de uma nova geração que viveria todo o conforto de um país que se enriqueceu rapidamente. Contudo, ao contrário do que se podia esperar, essa geração desempenhou o papel de apontar os limites e problemas gerados pela sociedade capitalista.

Rejeitando o elogio cego à nação, o trabalho e a rápida ascensão social, esses jovens buscaram um refúgio contra as instituições e valores que defendiam o consumismo e o cumprimento das obrigações. A partir daí foi dado o aparecimento do movimento hippie, que incitou milhares de jovens a cultuarem o amor livre, o desprendimento às convenções e o desenvolvimento de todo um mundo que fosse alternativo ao que fosse oferecido pelo sempre tão criticado “sistema”.

No Brasil, essa ideia de contracultura pode ser observada com o desenvolvimento do movimento hip hop. Embalados pela “beat” eletrônico e letras com rimas ácidas, diversos jovens da periferia dos grandes centros urbanos absorveram um gênero musical estrangeiro para retratar a miséria e violência que se alastravam em várias cidades do país. Atualmente, essa manifestação se diversificou e protagoniza a realização de diversos projetos sociais que divulgam cultura e educação.

Com respeito ao conceito de contracultura, não podemos simplesmente pensar que ele vá simplesmente definir a existência de uma cultura única e original. Pelo contrário, as manifestações de traço contracultural têm a importante função de revisar os valores absorvidos em nosso cotidiano e, dessa forma, indicar novos caminhos pelo qual o homem trilha suas opções. Assim, é necessário sempre afirmar que contracultura também é cultura!

fonte:
Por Rainer Sousa - Mestre em História
Mundo Educação » Sociologia » Contracultura

sábado, 10 de julho de 2010

Subcultura


Subcultura e "cenas" musicais

A partir da Segunda Guerra Mundial, vê-se o surgimento de diversas manifestações culturais ligadas a uma nova condição juvenil. As formas de expressão, práticas, atitudes e comportamento diferenciados dos grupos de jovens reunidos por um estilo e interesses comuns foram caracterizados, ao longo das últimas décadas, como subculturas.

O conceito de subcultura solidificou-se ao longo das décadas de 1970 e 1980, principalmente no campo dos Estudos Culturais alinhado ao Centro de Estudos Culturais Contemporâneos da Universidade de Birmingham (CCCS). Dick Hebdige (1996), na obra que se tornou referência para os estudos da área, Subculture, the meaning of style, publicado originalmente em 1979, apresenta a seguinte definição para subcultura:

Os estudos de subcultura trouxeram significativas contribuições ao abordar a importância do estilo, dos significados referentes aos símbolos criados e recriados nos bens de consumo por estes jovens. As análises mais recentes, porém, têm promovido uma revisão crítica e séria questionamentos da abordagem subculturalista.

Um dos problemas identificados é que as subculturas são geralmente posicionadas por aqueles estudos a partir de dicotomias limitadores, como resistência-cooptação, posições hegêmonicas-posições subordinadas, em uma perspectiva que se mostra distante do cotidiano dos jovens analisados, além de pouco atentar para as relações entre estes, os movimentos que ele participam e a mídia, assim como a complexidade das práticas sócio-culturais juvenis.

O conceito de “cena” surge como forma de tentar superar as principais limitações presentes nas teorias de subcultura, enfatizando outro aspecto negligenciado naqueles estudos, a questão da localidade. Identificar as particularidades do local em relação ao global e as relações entre estes, mapear e discutir os significados das práticas culturais dessas manifestações juvenis específicas, abordar as relações destes jovens com o espaço urbano são pontos enfatizados pelos trabalhos mais recentes.

Uma das principais características dessas diversas formas de manifestações é o papel da música como um elemento central na congregação dos jovens em grupos específicos. O punk-rock, com letras de protesto e a celebração do “tosco” no processo de composição musical, é o eixo principal do movimento punk, o oi! (derivado do punk) é o estilo musical de preferência dos skinheads, o rap é um dos elementos principais da cena hip hop, os gêneros da música eletrônica na cena club e rave ou de música eletrônica em uma visão mais ampla. Coexistindo com outras no espaço urbano, uma cena musical poderia ser conceituada como:

A construção dessas “práticas musicais contemporâneas” e do “patrimônio musical” na cena de música eletrônica implica em uma multiplicidade de questões, como a celebração do hedonismo nas pistas de dança, a crescente participação dos gêneros da e-music no mercado musical e a influência que estes exercem na produção musical contemporânea, as relações sociais presentes nos ambientes específicos de clubs noturnos e raves, a configuração de políticas de gênero e classe nesses espaços, entre uma série de outros aspectos dignos de análise.

Um ponto atravessa todas essas questões. É a idéia de “autenticidade”, caracterizada por significados variáveis que são determinados por práticas e contextos específicos da cena (por exemplo, quando vinculada ao processo de produção musical, a discussão do que seria “autêntico” incorre na reconfiguração dos conceitos de autoria e originalidade no trabalho de composição resultante da técnica do sampling·, todos intimamente relacionados, porém. Neste artigo, ela é abordada sob duas perspectivas: o “autêntico” como valor recorrente na produção, criação musical e legitimação dos gêneros da música eletrônica (ou dance music, termo mais comum em outros países) e, em outro plano, como elemento essencial na constituição das relações sociais estabelecidas entre os participantes da cena, no estabelecimento de hierarquias, lógicas de pertencimento, inclusão e exclusão).

sábado, 3 de julho de 2010

Aculturação...uma outra definição

O conceito de aculturação nega o caráter dinâmico dos costumes e hábitos das sociedades.

O conceito de aculturação foi durante muito tempo utilizado para se avaliar o processo de contacto entre duas diferentes culturas. Entretanto, a utilização desse tipo de categoria vem sendo cada vez mais criticada e combatida por antropólogos e outros especialistas das ciências humanas. Em geral, a crítica realizada a esse conceito combate a ideia de que uma cultura desaparece no momento em que entra em contacto com os valores de outras culturas.
No entanto, essa premissa se mostra completamente equivocada por compreender que a cultura consiste em um conjunto de valores, práticas e signos imutáveis no interior de uma sociedade. Estudos de natureza histórica e antropológica, principalmente a partir da segunda metade do século XX, demonstraram que as sociedades humanas estão constantemente reorganizando suas formas de compreender e lidar com o mundo. Dessa forma, a cultura não pode ser vista de uma forma estática.
Um dos mais claros exemplos desse processo pode ser visto com relação às comunidades indígenas brasileiras. No começo do século XX, as autoridades oficiais acreditavam que a ampliação do contacto entre brancos e índios poderia, em questão de décadas, extinguir as comunidades indígenas. Contudo, o crescimento das comunidades indígenas – a partir da década de 1950 – negou o prognóstico do início daquele século.
Dessa forma, devemos compreender que a cultura é um processo dinâmico e aberto em que hábitos e valores são sistematicamente ressignificados. Por isso, a ideia de aculturação não pode ser vista como o fim de uma cultura, pois não há como pensar que um mesmo grupo social irá preservar os mesmos costumes durante décadas, séculos ou milénios. A cultura de um povo, para manter-se viva, deve ser suficientemente livre para conduzir suas próprias escolhas, inovações e permanências.

Fonte: Mundo Educação

sábado, 26 de junho de 2010

Aculturação

Aculturação... um pouco de seu conhecimento

Aculturação é um termo cunhado inicialmente por antropólogos norte-americanos, muito útil para tratar de reflexões sobre as mudanças que podem acontecer em uma sociedade diante de sua fusão com elementos externos.

Segundo o historiador francês Nathan Watchel, aculturação é todo fenômeno de interação social que resulta do contato entre duas culturas, e não somente da sobreposição de uma cultura a outra.

Já Alfredo Bosi em "Dialética da colonização" afirma que esse fenômeno provém do contato entre sociedades distintas e pode ocorrer em diferentes períodos históricos, dependendo apenas da existência do contato entre culturas diversas, constituindo-se, assim, um processo de sujeição social.

A maioria dos autores acredita que a aculturação é sempre um fenômeno de imposição cultural. Ver SILVA, K.V; SILVA, M.H.Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006. Trata-se de aculturação quando duas culturas distintas ou parecidas são absorvidas uma pela outra formando uma nova cultura diferente. Além disso, aculturação pode ser também a absorção de uma cultura pela outra, onde essa nova cultura terá aspectos da cultura inicial e da cultura absorvida. Um exemplo é a cultura brasileira que adquiriu traços da cultura de Portugal, da África, que juntamente com a cultura indígena formou-se a cultura brasileira.

Com a crescente globalização a aculturação vem se tornando um dos aspectos fundamentais na sociedade. Pela proximidade a grandes culturas e rapidez de comunicação entre os diferentes países do globo cada cultura está perdendo sua identificação cultural e social aderindo em parte a outras culturas. Um exemplo disso é cultura ocidental similar em muitos países. Mesmo assim a aculturação não tira totalmente a identidade social de um povo, crendo-se que talvez no futuro não exista mais uma diferença cultural tão acentuada como a aquela que hoje ainda se observa entre alguns países.

significado: Nome que se dá ao grupo de fenômenos decorrentes do contato direto de integrantes de várias culturas, ou seja, o processo de aquisição através do contato dos elementos culturais de um grupo com uma cultura com elementos de um grupo de outra cultura. Pode ser também entendido como os processos pelos quais as pessoas aprendem os padrões de comportamento do seu grupo social

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

sábado, 19 de junho de 2010

O modo de falar do brasileiro: variações linguísticas


O modo de falar do brasileiro: variações lingüísticas

Entende-se por variação lingüística os vários falares entre falantes de uma língua. Toda língua natural tem suas variações. Em se tratando da língua portuguesa, pode-se citar como uma das principais variações a diferença entre os falares do Brasil e de Portugal.

No Brasil temos muitos falares. Essa variação é justificada não apenas pelo fato histórico, que, necessariamente, leva a profundas transformações qualquer língua, como também pelas diferenças regionais, sociais, grau de escolaridade, sexo e principalmente pelas categorias profissionais.

Dentro de uma mesma região, as pessoas formam pequenas comunidades que acabam criando, por repetição de hábitos e tendências, suas características, até não entendível por outras comunidades: presidiários, internautas, trabalhadores rurais, os urbanos, os políticos, etc. O que é muito importante compreender é que essas variações não devem ser vistas como 'erro' e sim – variações.

Até mesmo a questão do uso da 'Norma-não-padrão' não pode ser discriminada. Muitas vezes, ela prende-se à raízes perfeitamente históricas e à leis que a própria língua protege, tais como, economia, suficiência e necessidade.

A variação lingüística, porém, não torna a língua melhor ou pior nem mais bonita. Simplesmente aproxima o indivíduo de uma melhor compreensão do mundo e sua relação no meio em que vive.

sábado, 12 de junho de 2010

Existe uma "Lingua brasileira?"


Existe uma “Língua brasileira?”

Vou tentar responder objetivamente e com a maior simplicidade possível. Aqui no Brasil, nós ainda falamos a língua portuguesa. Temos, na minha opinião, um falar brasileiro, que seria um modo brasileiro de usar a língua portuguesa.

É importante lembrar o que afirmaram alguns estudiosos: o professor Antenor Nascentes não falava em língua brasileira, e sim em "idioma nacional"; o mestre Gladstone Chaves de Melo falava em língua comum e variantes regionais; e o grande filólogo Serafim da Silva Neto afirmou que o português culto do Brasil é quase igual ao português culto de Portugal. Isso significa, portanto, que as diferenças maiores estão na linguagem do dia-a-dia.

O jornalista Barbosa Lima Sobrinho, no livro A língua portuguesa e a unidade do Brasil , resume bem: "Em poucas palavras, existe unidade na variedade de normas e de usos lingüísticos. E isso porque, se os morfemas gramaticais permanecem os mesmos, a língua não mudou, a despeito de qualquer variação de pronúncia, de vocabulário ou mesmo de sintaxe."

O que existe na verdade são variantes lingüísticas:
- variantes geográficas: nacionais (Brasil, Portugal, Angola...) e regionais (falar gaúcho, mineiro, baiano, pernambucano...);
- variantes socio-econômicas (vulgar, popular, coloquial, culta...);
- variantes expressivas (linguagem da prosa, linguagem poética).

Quem estiver interessado em ver o assunto analisado com maior profundidade poderá consultar os respeitadíssimos Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova Gramática do Português Contemporâneo , e a Moderna Gramática Portuguesa do nosso querido e eterno mestre Evanildo Bechara.

O importante mesmo é respeitar as diferenças, sejam fonéticas, semânticas ou sintáticas. Vejamos rapidamente algumas diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal.

Uma diferença fonética bem "visível" é a pronúncia da vogais. Aqui no Brasil, nós pronunciamos bem todas as vogais, sejam tônicas ou átonas. Em Portugal, a tendência é só pronunciar bem as vogais tônicas. As vogais átonas são verdadeiramente átonas (= fracas). Uma conseqüência disso é a colocação dos chamados pronomes átonos (me, te, se, o, lhe, nos...). Em Portugal, por ter a pronúncia fraca, não se põe o pronome átono no início da frase: "Dê-me um cigarro"; no Brasil, como as vogais átonas são pronunciadas como se fossem tônicas, não temos nenhuma dificuldade em pôr os pronomes átonos no início da frase: "Me dá um cigarro". É assim que o brasileiro fala. E quando me refiro ao brasileiro, estou falando do brasileiro em geral, de todos os níveis sociais e culturais. Não estou fazendo referência ao "povo" com aquela conotação pejorativa e discriminatória que alguns ainda atribuem à palavra.

Diferenças semânticas existem muitas. Algumas famosas já viraram até piada. Em Portugal, "uma bicha enorme" não é nada mais do que "uma fila imensa", sem nenhuma outra conotação que algum brasileiro queira dar.

E diferenças sintáticas também existem. No Brasil, nós preferimos o gerúndio ("Estamos trabalhando"); em Portugal, preferem o infinitivo ("Estamos a trabalhar"). No Brasil, gostamos da forma "você"; em Portugal, usam mais o pronome "vos": "Se eu lesse para você" e "Se eu vos lesse". Aqui "falar consigo" é "falar com si mesmo"; em Portugal "falar consigo" é "falar com você". Em Portugal, é freqüente o uso de "mais pequeno"; no Brasil, aprendemos que o certo é falar "menor", que "mais pequeno" é "errado".

E assim voltamos ao ponto de partida: a eterna briga do certo e do errado. Espero que me perdoem pela repetição, mas não é uma questão simplista de certo ou errado. É uma questão de adequação. Usar "mais pequeno" no Brasil é tão inadequado quanto iniciar uma frase com um pronome átono em Portugal.
Por que eu teria de afirmar que alguém está falando "errado" quando o carioca fala "sinal", o paulista prefere "farol" e o gaúcho usa "sinaleira"? Afinal das contas, é tudo semáforo.

Fonte: Jornal do Brasil – 25/06/2000
Prof. Sérgio Nogueira Duarte

sábado, 5 de junho de 2010

Idioma predominante: o falar brasileiro


Idioma predominante: o falar brasileiro

O famoso professor Pasquale Cipro Neto e sua luta (de tempos!) contra o gerundismo, o famoso, Ministro Aldo Rebelo e sua luta, desde a Câmara dos Deputados, pela forma correta de falar o idioma pátrio. O português.

Aí é em minha modesta opinião que se inicia o grande erro. Por isso o enorme esforço que ambos vêm realizando, em todas as oportunidades que têm, para que nós brasileiros falemos todos - mesmo que não completamente - um correto português.

O erro é que: se somos brasileiros nossa língua é brasileira e devemos falar o idioma brasileiro, da mesma forma que portugueses falam português, franceses falam francês, italianos falam italiano, japoneses falam japonês e por ai vai.

Nunca vai dar certo brasileiro falar português! Primeiro porque não sentimos como nossa língua, a língua que falamos, e sim de outro, o estrangeiro (no caso o português), o que acredito, sedimenta o sentimento de usurpação, dos primórdios da colonização. Segundo porque o idioma português não é o idioma brasileiro, que tem “dialetos” diferentes no País, devido às suas características regionais. Terceiro porque importamos palavras de diferentes países, mas com grande destaque para o inglês, haja vista os delivery, off , trade, edge etc.

Para exemplificar as diferenças do português “legítimo”, uma das mais comuns é bicha, que para nós brasileiros significa um tipo de verme ou um rótulo advindo de uma opção sexual, enquanto que para os portugueses é uma fila de espera.

Além desses exemplos temos muitos outros como o mouse para computadores, que em brasileiro foi importado do inglês (mouse mesmo) e que o português chama de rato. Além do pois sim deles que é sim, e o pois não nosso é que sim.

Aqui no Brasil, mano na Região Norte, é qualquer pessoa, amigo íntimo ou não, na Região Sudeste pode ser cara no Rio de Janeiro, amigo, ou tio em São Paulo, ocê ou criatura em Minas Gerais.

Na Região Sul, guri ou guria não é usado apenas para crianças, qualquer pessoa pode ser, enquanto muitos se tratam por meu velho, minha velha ou mãe e pai, enquanto são na verdade casais de qualquer idade, além do tchê.

Já no Nordeste se usa cabra, para certos casos, amigo para outros, e de um insignificante turista você vira Doutor, ou Doutora, por todos aqueles que lhe prestam serviços em hotéis, táxis e cabanas beira-mar.

Além desses exemplos teríamos muitos outros, adaptados à nossa brasileira forma de ser, entender e conhecer as coisas da vida, importados de ingleses, americanos, franceses, espanhóis, holandeses como também dos portugueses, africanos, além dos índios (que já viviam aqui).

Para mim é muito claro.

Enquanto essa coisa que não é nossa, mal definida, dúbia na identidade – língua portuguesa – idioma português – continuar assim, estaremos sujeitos às importações delivery, gerundismos e outras tão abominadas por brasileiros como atual Ministro Aldo Rebelo, o Professor Pasquale Cipro Neto e modestamente eu e, tenho certeza, muitos outros brasileiros.

“A gente pensa” pensa que a globalização se deu só no mundo dos negócios, enganamo-nos. A globalização envolveu também os idiomas pátrios, daí as importações grotescas tipo disk isso, disk aquilo, que nem os estrangeiros sabem o que é. Só enfraquecemos nosso próprio idioma e com a forma de expressão nosso patriotismo.

Por este motivo, aliás, o inglês é apenas umas das diversas línguas que devemos saber hoje, como espanhol, francês, chinês e tantas outras que interessam ao nosso País.

Já pararam para pensar? Se começamos a adaptar ou importar expressões chinesas? Um exemplo: ma em mandarim - que é o idioma predominante chinês e que possui muitos dialetos – dependendo do tom que você fala pode significar “cânhamo”, “mãe” ou “cavalo”....

É imperioso e necessário que se crie já, a consciência da língua brasileira, do idioma brasileiro caso contrário “estaremos importando uma língua, que seremos obrigados a falar assim: vou estar telefonando para algum planeta, para estar solicitando uma pizza delivery, pelo disk-pizza”, ou ainda “caso contrário me inclua fora dessa”, ou então “between, between my well”, este último em out-doors de escolas de inglês...

Ou então “esse filé dá satisfeitamente pra duas pessoas comê”. Já aconteceu comigo, quando a trabalho por esse “brasilzão”, já ouviram isso?

Deixo de falar do tupi-guarani e outras línguas ou dialetos indígenas, porque os considero brasileiros, assim como se lê em capas de dicionários: ...Dicionário da língua brasileira...

Um último alerta, os moçambicanos não se sentem portugueses, os angolanos não se sentem portugueses, os nascidos em São Tomé e Príncipe, Macau, da mesma forma que os brasileiros não se sentem portugueses, e isso não é entrave para os progressos da CPLP.

Alô, Alô, Marciano, aqui quem fala é a terra....
...até a próxima!!!!!!!

sábado, 29 de maio de 2010

Identidade cultural: língua e religião


Identidade cultural (língua e religião)

A identidade cultural de um país pode ser caracterizada por vários aspectos, porém os mais percebidos e importantes são respectivamente a língua (idioma predominante) e a religião (religião predominante), esses são elementos culturais que diferenciam as sociedades espalhadas pelo mundo.
A língua é o principal mecanismo de comunicação no convívio humano, por possibilitar as relações afetivas e ideológicas dentro de um grupo ou fora dele. Hoje são faladas aproximadamente 3 mil línguas e 7 mil dialetos em todo planeta, mas as seis mais faladas representam um terço do total da população planetária.
Dentre as línguas mais faladas no mundo, destaca-se:
- Mandarim: língua mais falada no mundo, há aproximadamente 1 bilhão de falantes. Essa língua é natural da China, país que conta com a maior população do mundo, e é justamente por isso que a língua é a mais falada.
- Inglês: segundo idioma mais falado em número de pessoas, no entanto, é o mais aceito no mundo, hoje cerca de 508 milhões de pessoas falam a língua inglesa.
- Hindi: cerca de 487 milhões de pessoas utilizam esse idioma, que é o oficial da Índia. Falado por 18% do contingente populacional indiano.
- Espanhol: o berço da língua é a Espanha, além da grande parte dos países da América Latina, somando toda a população dos países que têm o idioma como oficial totalizam aproximadamente 417 milhões de pessoas.
- Bengali: esse idioma é falado no território indiano, no entanto, não se enquadra como língua oficial, apesar disso cerca de 211 milhões de pessoas a utilizam.
- Português: o berço da língua portuguesa é Portugal, porém é mais falado no Brasil, nesse a população atinge a marca de aproximadamente 180 milhões de pessoas. No mundo cerca de 191 milhões de pessoas falam o português.
Como foi apresentado, o Mandarim é a língua mais utilizada, porém só é difundido na China, país mais populoso do mundo. Mas a língua que possui maior destaque é o inglês, pois é bastante difundido nos veículos de comunicação de escala internacional (revistas, jornais, filmes, músicas e internet).
A religião desenvolve também as características de um povo, pois através dela é possível que um povo apresente sua fé, sua crença e seus costumes. Dentre todas as religiões praticadas no mundo as que possuem maior número de seguidores são: cristianismo com 2 bilhões, islamismo com 1,2 bilhão, hinduísmo com 811 milhões e o budismo com 360 milhões de pessoas.

sábado, 22 de maio de 2010

A cor da cultura


A cultura no Brasil em evolução

Em 1902, o afro-descendente Rodrigues Alves assumia a Presidência da República. No entanto, foi exatamente na gestão desse afro-descendente que o Brasil começou a pôr em prática, a partir de sua capital, um programa cultural visando europeizar-se de vez. Desde a abolição, a elite se empenhava em construir a nação que sempre pretendeu. Nela, a cultura africana e mesmo a presença negra eram indesejadas. Afinal, não era animador pensar no futuro de um país de “selvagens inferiores” e “negros boçais e degenerados”, nas palavras de um literato como José Veríssimo (1857-1916).

Apesar disso, os descendentes dos antigos escravos buscaram a auto-afirmação e a inclusão social por meio de suas práticas culturais. O tempo que transcorreu da abolição até o recenseamento da população, em 1920, foi, para artistas e intelectuais afro-descendentes, um período de intensa atividade. Escrevendo e atuando em dezenas de montagens teatrais em circos cariocas e pelo Brasil, Benjamin de Oliveira, o “palhaço negro”, cria o teatro popular brasileiro, tão importante à época quanto a televisão em nossos dias.

Da mesma forma, o período marca o apogeu de Eduardo das Neves, adversário porém amigo de Benjamin; da compositora Chiquinha Gonzaga; do compositor e regente Paulino Sacramento; do jornalista Francisco Guimarães, o Vagalume, pioneiro da crônica carnavalesca; de Zeca Patrocínio, pioneiro do cinema brasileiro; de Hemetério dos Santos, autor da primeira gramática da língua portuguesa, bem como o surgimento de Pixinguinha e Grande Otelo, para ficar só nesses exemplos.

Nessa época, se fortalecem e se difundem no eixo Salvador-Rio de Janeiro, por intermédio da ialorixá Mãe Aninha, as bases do culto aos orixás jeje-nagôs, o mais forte traço da africanidade brasileira. Enquanto isso, os batuques bantos recriados no meio rural completam o amálgama do qual nasceu o samba.

Era a cultura brasileira se plasmando pelas mãos da “gente de cor”. Logo depois, todo esse universo de ações e intenções seria apropriado, e mais tarde sufocado, pela indústria cultural globalizada.

Na cena cultural brasileira de hoje, pretos e mulatos somos, quando muito, coadjuvantes, contando-se nos dedos aqueles de nós que chegam ao protagonismo. E dos que chegam, boa parte tem que abrir mão de sua essência e de sua afro-descendência, tolhidos por modernas formas de escravidão, cativos da mídia e do mercado – que ainda nos querem do jeito que a sociedade brasileira nos queria cem anos atrás.

sábado, 15 de maio de 2010

A influência da TV na vida das pessoas

...e revisitando identidade e cultura de massa

Tire a televisão de dentro do Brasil e o país desaparece”, diz Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, co-autor do livro Videologias e ex-diretor de redação da revista Superinteressante. O assunto a ser tratado neste texto é justamente ela, a televisão. Um aparelho que está presente, direta ou indiretamente, na vida de todos e que exerce um papel determinante na formação e nas atitudes de toda a sociedade, exercendo fascínio em uns e repulsa em outros. A televisão, hoje, mostra o mundo ao vivo e a cores.

Atualmente as pessoas utilizam os meios de comunicação como meio de companhia na sociedade individualista em que vivem. A televisão preenche o vazio social e é utilizada pela maioria das pessoas como uma fuga para as dificuldades do cotidiano. Os problemas do dia-a-dia são maquiados pela diversão televisiva.

Aquilo que é apresentado na telinha torna-se verdade absoluta para aqueles que não possuem outros referenciais informativos ou repertório que lhes permita fazer uma leitura crítica do meio. Neste caso, portanto, a TV é um meio de comunicação que dita regras, modas e estilos.

Os comportamentos também são alterados pelo que é veiculado neste meio. Desde o uso de uma simples roupa até uma mudança na escolha política, a televisão é apontada por muitas pessoas como o indicador dos caminhos a serem seguidos. Muitos estudiosos e especialistas afirmam que a televisão é um meio que não possibilita a interatividade do telespectador. As pessoas tornam-se passivas perante suas transmissões. Mas isso pode ser modificado a partir do momento em que a sociedade se tornar consciente dos seus direitos, interferindo ativamente na programação ou no que é veiculado.

A televisão tem um papel importante na formação das pessoas e pode levá-las a refletir sobre a vida e sobre a sociedade em que vivemos. As crianças e os adolescentes brasileiros são provavelmente os que mais vêem televisão no mundo. Esse foi o resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos em dez países: Brasil, Estados Unidos, México, Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e China. A pesquisa indica que as crianças brasileiras são as mais televisuais de todas as crianças dos dez países pesquisados.

Portanto, no Brasil, as crianças passam mais tempo diante da televisão e menos tempo na escola, menos tempo brincando com os amigos, menos tempo lendo, entre outras atividades. Em suma, o que podemos deduzir de acordo com nossas pesquisas é que a televisão também serve tanto para entreter como para (des) informar e (des) educar.

Um meio ou uma desculpa?

Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes. Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo..
Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chopp com batatas fritas. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Terá de trabalhar enquanto os outros tomam Sol à beira da piscina.

O mundo não está nem aí, se você está cansado ou triste, ele não para. E quem vive lamentado ou reclamando da vida nunca vai conseguir chegar a lugar nenhum.

A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade à ilusão é combustível dos perdedores, pois...
Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO. Quem não quer fazer nada, encontra uma DESCULPA

Reggae

O reggae é um estilo de música originário da Jamaica. Bob Marley, cantor e compositor, é o ícone deste estilo musical. O nome reggae surgiu por causa do som que faz na guitarra. O "re" seria o movimento pra baixo, e o "gae", o movimento pra cima. O mesmo acontece com o ska, o nome é derivado do som que é reproduzido na guitarra. Uma das características que podem caracterizar o reggae é a crítica social, como por exemplo cantar a desigualdade, o preconceito, a fome e muitos outros problemas sociais pra tentar desviar os olhos do povo pra isso, um modo de alertar e incentivar o povo a se mobilizar contra seus problemas