O termo “Indústria Cultural” foi utilizado por primeira vez por Horkheimer e Adorno na Dialética do Iluminismo. Anteriormente, empregava-se o termo “cultura de massa” que, conceitualmente, refere-se a uma cultura que nasce espontaneamente das próprias massas, a uma forma contemporânea de arte popular.
A realidade da indústria cultural é diferente: o mercado de massas impõe estadardização e organização; os gostos do público e suas necessidades impõem estereótipos e baixa qualidade. A indústria cultural exerce um domínio sobre os indivíduos e, ao preferir a eficácia dos seus produtos, determina o consumo e exclui tudo que é novo, tudo o que se configura como risco inútil.
Segundo Adorno, na Indústria Cultural tudo se torna negocio. Enquanto negócios seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais. Um exemplo disso, dirá ele, é o cinema. O que antes era um mecanismo de lazer, ou seja, uma arte, agora se tornou um meio eficaz de manipulação. Portanto, podemos dizer que a Indústria Cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel especifico, qual seja o de portadora da ideologia dominante, a qual concede sentido a todo sistema.
Aqui, então, vai ser possível dizer que o problema com a indústria cultural não é tanto o que ela diz ou não; não é tanto o fato de ser ela deste ou daquele modo, estruturalmente; nem o fato de ter surgido neste ou naquele sistema político-social – mas, sim, no modo como diz. É que a indústria cultural – na TV, no rádio, na imprensa, na música (particularmente a dita popular, nos fascículos, mas também nas escolas e nas universidades – é o paraíso do signo indicial, da consciência indicial.(…) Como o que ocorre com o índice, de certo modo o que é dado ao receptor é alguma coisa já conhecida. (…) Não há revelação, apenas constatação, e ainda assim uma constatação superficial – o que funciona como mola para alienação. O que interessa não é sentir, intuir ou argumentar, propriedades da consciência icônica e simbólica; apenas, operar.
Não se pode falar em indústria cultural e sua conseqüência, a cultura de massa, em um período anterior ao da revolução Industrial, no século XVIII; do surgimento de uma economia de mercado, uma economia baseada no consumo de bens; e da existência de uma sociedade de consumo, segunda parte do século XIX. Assim, a indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa surgem com funções do fenômeno da industrialização. E estas, através das alterações que ocorrem no modo de produção e na forma de trabalho humano, que determina um tipo particular de indústria (a cultural) e de cultura (a de massa). E isto vai dependendo completamente, do uso crescente da máquina, da submissão do ritmo de humano de trabalho ao ritmo da própria máquina, da exploração do trabalhador, da divisão do trabalho. Conseqüências da revolução industrial, traços marcantes de uma sociedade capitalista, em que é nítida a oposição de classes. Neste momento começa a surgir a cultura de massa que tem como função o fenômeno da industrialização. Podemos observar desde então, conseqüências diretas e indiretas na distribuição cultural dos dias de hoje.
José Teixeira Coelho Neto
Ed .Brasiliense , 1980







