sábado, 11 de junho de 2011

Do Senso Comum ao Senso Crítico

O Senso Comum está cercado de opiniões não conclusivas, não fundamentadas e isso podemos observar facilmente em nosso cotidiano. Segundo o Dicionário Virtual Priberam, o senso comum é a “faculdade que a generalidade dos homens possui de raciocinar com acerto” e, o senso crítico, a “faculdade de apreciar e julgar com ponderação e inteligência”.

Por essas concepções, já podemos observar que existe relação entre eles. Enquanto no senso comum raciocinamos com a possibilidade de acertar, no senso crítico somos mais analíticos, ponderados e utilizamos de raciocínio inteligente para chegar a uma conclusão. No senso comum não precisamos de experiências para chegar à conclusão de algo, mas sim, de suposições.

Essas suposições encontramos em crenças, tradições e estão fortemente presentes em nossas vidas. Um forte exemplo disso vem lá de nossa infância, quando nossos pais nos proibiam de comer manga e tomar leite. Segundo a lenda, a ingestão dos dois elementos causaria uma forte intoxicação e poderia provocar a morte.

E essa história nada mais é do que realmente uma história, pois sabe-se que foi inventada com o intuito de proibir os escravos de tomarem leite, já que este era muito valorizado comercialmente.

Como chegaram a essa conclusão? Através do senso crítico, da análise, pois foi preciso vivenciar o ato, pesquisar sobre o assunto, para finalmente concluir que a mistura dos dois ingredientes resulta numa excelente vitamina e não numa poção mortal. Esse é só um exemplo que podemos encontrar em nosso cotidiano.

Quem cria, por exemplo, a idéia de moda, beleza, conduta e etiqueta? Os meios de comunicação e as facções políticas são “fábricas” especializadas em manipular as pessoas para compartilhar das mesmas idéias e dos mesmos ideais.

Podemos ainda citar que no Brasil, no auge da ditadura, o ensino de Filosofia e Sociologia foram extirpados das grades curriculares justamente por formar pensadores. E naquele momento, não era isso que o país queria. Queriam pessoas que simplesmente aceitassem sua condição social e não a questionassem.

Passemos então, ao senso crítico, pois mentira, mesmo que repetida mil vezes, só se tornará “verdade” nas cabeças que as aceitarem como tal.

Um comentário:

Hermenêuticas de Lou disse...

Olá Reginaldo! Boa noite e um excelente domingo para você. Adorei a análise acima bem elaborada como são todos os seus textos aqui. Vim apenas somar um pouquinho de suas idéias. No poder a coisa já desenboca para a rebeldia e as represálias do Governo contra o povo. É bem mais além que uma manipulação. Apesar que eu não gosto nem um pouco do poder, um verdadeiro aniquilador de valores éticos e morais, como foi no regime comunista da Rússia, antes da queda do comunismo no leste europeu. Chegou-se ao cúmulo de processar o poeta Brodski como um "parasita" da sociedade, porque a União Soviética não precisa de poetas... Assim, muito audacioso o Poder, na ditadura militar, por voltas dos anos 1937, o noso poeta, Vinicius de Moraes, também foi banido da sociedade, fora dito, nos escalões do governo que ele era um tipo de vagabundo, e, realmente, naquela época, a imagem do poeta e cantor ficara, manchada por muitos longos anos. Como você colocou bem a questão da razão, ela costuma nos salvar desta ignorância comodista e ociosa, que, até os dias de hoje vem persistindo na nossa arcaica civilização. Devemos dar uma guinada nisso, não é mesmo? Parabéns por abrir novos horizonttes para a crítica da razão mais pura e sensata. Meu carinhoso abraço. Agradeço muitíssimo por eu estar fazendo parte da sua lista de blogs. Toda minha gratidão amigo querido. Lou MoonrIsE.