sábado, 4 de julho de 2009

Música Popular do Brasil

Dizer que a música popular feita no Brasil é caracterizada por sua riqueza é repetitivo, mas é essencial para defini-la.

Sua história começa com os índios e com a música feita pelos jesuítas que aqui aportaram. Esse encontro entre a música dos jesuítas e a música dos indígenas é a pré-história da música popular do Brasil. A evolução desses ritmos primitivos, como o cateretê ou o cantochão, são ainda hoje tocados em festas populares.

A música popular do Brasil só se tornaria mais forte no final do século 17, com o lundu, dança africana de meneios e sapateados, e a modinha, canção de origem portuguesa de cunho amoroso e sentimental. Esses dois padrões, a influência africana e a européia, alternaram-se e combinaram-se das mais variadas e inusitadas formas durante o percurso que desembocou, junto a outras influências posteriores, na música popular dos dias de hoje, que desafia a colocação de rótulos ou classificações abrangentes.

Durante o período colonial e o Primeiro Império, além dos já citados lundu e modinha, também as valsas, polcas e tangos de diversas origens estrangeiras encontraram no Brasil uma nova forma de expressão.

Já no século 19 surgem os conjuntos de chorões, que adaptam formas musicais européias -como a mazurca, a polca e o scottisch- ao gosto brasileiro e à forma brasileira de se tocar essas construções. Surge então, a partir da brasileirização dessas formas, o choro, e firmam-se novas danças, como o maxixe.

Outras duas coisas que ajudaram decisivamente o aparecimento da canção popular no Brasil foram o carnaval carioca e o gramofone. Pixinguinha, João da Baiana, Donga -autor de Pelo Telefone, primeiro samba gravado, em 1917-, foram grandes nomes nesse período, junto com os continuadores dos chorões.

O samba urbano só se firmaria na década de 30, época em que surge a primeira escola de samba, a Deixa Falar, fundada em 1929. Depois, com a popularização do rádio e do disco a música popular se consolidaria e chegaria ao mundo de opções musicais que hoje o Brasil possui.

sábado, 27 de junho de 2009

O que é a Cultura

A cultura é aquilo que menos espaço ocupa na memória; quanto mais se tem, na maior parte dos indivíduos, mais leves, soltos, independentes e livres se tornam. Quem mais cultura tem, mais próximo fica de conseguir o fenômeno da levitação virtual.No entanto há cultura e culturas. O segredo está naquilo que sabemos valorizar e simultaneamente saber o que desprezar: as que valoramos são as culturas que aceitamos; as que desprezamos são as más culturas. A nossa pura intuição cultural faz-nos funcionar como se tivéssemos um ?nariz? intelectual radical dentro de cada neurônio, pelo qual ?cheiramos? bem a cultura aceitável e rejeitamos as culturas híbridas ou que nos ?cheiram? mal. As que nos ?cheiram bem? parecem-nos perfumes com forte odor que pode durar toda a vida; as que nos ?cheiram mal? emitem como que um fedor cada vez maior, e que pretendemos que dure quanto menos tempo melhor. Tornando- nos susceptíveis e afastando-nos para não sermos contagiados com as suas desagradáveis emissões de ?mau cheiro?.

A cultura, metaforicamente continuando este raciocínio, é como os cogumelos: todos sabemos que há os bons, que são comestíveis; e há os maus, que nos envenenam e matam.Entre o viver e o morrer de cogumelos, há a confusão; ou seja: o fato de ter muita cultura não significar que se esteja mais certo, do que aqueles que tem uma supostamente considerada fraca cultura. Ou seja um ?burro? carregado de livros não é necessariamente um doutor. Significa isto que não é só a quantidade nem a qualidade que conta: é também, e sobretudo, a massa crítica que se desenvolve; a fundamentação lógica dos argumentos; a coragem de assumir a verdade, face às contra correntes de opinião que se levantam; a probabilidade dos fatos culturais acreditados ou inventados serem reais e verdadeiros, mesmo que abstratos ou empíricos, mas que não podem ser considerados como tal por observância de prioridades em conveniências sociais. Ao conservadorismo social ou individual nunca interessa questionar, esses fatos, e sempre lhe irão resistir.


sábado, 20 de junho de 2009

Cultura popular, música popular e artesanato

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Cultura popular, música popular e artesanato

O termo cultura popular é preconceituoso porque divide a população entre “elite” e “povo”, sendo o povo a parcela pobre e sem educação. A cultura popular seria, portanto, uma espécie de reflexo rude da cultura erudita e a sua afirmação a partir da cultura popular definiria seu domínio cultural sobre outras parcelas da população.
A denominação da música como popular leva essa caracterização em conta, na medida em que o termo popular afasta esse tipo de música da música clássica, que seria parte da cultura da elite, e também a afasta do termo música folclórica, indesejado por sua ligação com a tradição e dessa forma com a falta de originalidade.

Do mesmo jeito o artesanato, uma forma de produção tradicional, é desvalorizado pela sociedade industrial. De acordo com García Canclini, em seu texto sobre a venda do artesanato indígena no México, o tratamento dispensado ao artesanato pela sociedade é uma forma de afirmação de poder da cultura dominante sobre a dominada. A venda do artesanato o define como uma arte secundária, já que ele não vai ser exibido em galerias e admirado, mas sim servir como enfeite ou objeto de uso comum para uma pessoa de outra classe social e outra cultura, ou ainda como forma de ostentação, no caso de jóias e mobília trabalhada.

O comércio do artesanato vai servir para sustentar uma família indígena que antes não pertencia ao modo de produção capitalista, mas que será inserida nele com a venda de sua produção artística. Isso estabelece uma relação de cultura dominadora e cultura dominada, já que faz parte desse contexto da dominação cultural que a cultura dominadora se insira no ambiente das culturas dominadas, através de roupas, eletrodomésticos e da inserção no imaginário da cultura dominada de desejos de consumo que antes não existiam.

A música popular usa essa denominação para fugir desse afastamento que o artesanato apresenta: ele é fruto da tradição, de algo que não é novo e não pertence ao povo, mas aos seus antepassados. Dessa forma, ela consegue um apelo comercial de que a música folclórica não desfruta. A música popular é o novo, é o encontro da tradição com a atualidade, e é distante da elite, assim como a denominação da parcela pobre da população de “povo”.

No entanto, ambas as produções, a música e o artesanato, são produtos da cultura popular, se chamarmos de popular o que é feito pelas pessoas de uma sociedade, não importando seu nível de educação ou de adequação junto à elite ou junto aos grupos de maior tradição cultural. No entanto, a denominação da música como popular lhe atribui um significado que facilita a sua circulação no meio comercial e a sua assimilação pela população, enquanto o artesanato fica restrito a ser visto e comercializado como produção de uma cultura dominada e que acaba sendo vista como inferior.

Biliografia consultada:
O que é cultura popular, Antoni Augusto Arantes. Ed. Braziliense


sábado, 13 de junho de 2009

Identidade Cultural

Desde o surgimento do homem, após o agrupamento do mesmo e o convívio social, uma troca de experiências e reciprocidade foi estabelecida.

Todo o conjunto de conhecimentos e modos de agir e pensar dá origem à cultura, toda sociedade tem a sua, pois não existe sociedade sem cultura, independentemente do lugar.

Um recém nascido em seus primeiros minutos já começa, de certa maneira, a se socializar, pois existem várias pessoas ao seu redor criando uma relação social e cultural, quando estiver falando ou aprendendo a falar ele vai adquirir uma língua que é sem dúvida uma herança cultural, sem contar o seu modo de vestir que vai variar conforme o país, a alimentação, os rituais entre outros.

A identidade cultural caracteriza as pessoas pelo modo de agir, de falar, é como se as “rotulasse” a partir dos modos específicos de sua cultura.

A cultura é fruto da miscigenação de diferentes povos que introduziram seus hábitos e costumes, com o contato de uma cultura e outra, pode gerar uma cultura ainda mais diferente.

A identidade cultural move os sentimentos, os valores, o folclore e uma infinidade de itens impregnados nas mais variadas sociedades do mundo, e apresenta o reflexo da convivência humana.

CONFERIR: HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. 3º ed. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 1999.

sábado, 6 de junho de 2009

Música e rótulos

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Música e rótulos

“Cada tipo de música traz consigo uma maneira própria de se pensar sobre música, como se esta fosse a única maneira de se pensar sobre música (e esta, a única música a ser examinada)”.

E traz também um modo peculiar de escuta. E também um jeito de se conversar sobre essa música. E uma atitude estética com relação a tudo.

É por isso que você odeia sertanejo com todas as suas forças. A música pode não ser grande coisa, mas o que você odeia mesmo – talvez mais que a música em si – é o contexto, a cultura que cerca aquele estilo, o jeito de falar da música, os valores de quem gosta daquilo.

Nós não somos capazes de isolar a música desses contextos. Na nossa mente, é tudo uma coisa só.E acho que Cook vê isso como um tipo de prisão, o que eu concordo. No caso do sertanejo, você pode achar que faz sentido colocar tudo num saco só e pensar que quem está envolvido na produção daquela música é igual a quem consome: tudo horroroso.

Não é isso que eu estou discutindo aqui. Principalmente porque o argumento de Nicholas Cook independe do gênero musical: ele se aplica a todo tipo de música. Em outras palavras, alguém está te enquadrando num tipo específico de “tribo” por causa do tipo de música que você ouve. Mesmo que você esperneie e diga que ouve heavy metal, mas toma banho todo dia.

Nicholas Cook está dizendo que nós aplicamos formas fixas de pensamento a outros gêneros e passamos a pensar música naqueles termos somente. Se você só ouve música clássica, acaba criando resistência a ouvir outros estilos porque seus hábitos de escuta e a linguagem que você usa pra falar daquela música treinaram a sua percepção e seu gosto. Mas mais importante que isso, a cultura da música clássica pode impedir que você entenda e aprecie uma cultura musical diferente como jazz, por exemplo.

Isso porque você já associou música clássica a sofisticação, erudição, refinamento, introspecção, sobriedade, sisudez, melancolia e maturidade. E rock você já associou a rebeldia, energia, imaturidade, emoção, juventude, inconseqüência e liberdade. Não é capaz de aplicar as características de um estilo no outro.

Esses adjetivos são, na verdade, elementos extra-musicais, atitudes que aparecem principalmente na biografia dos músicos. Aparecem também nas letras das músicas, claro, o que não deixa de ser importante. No entanto, tais palavras passam a ser a própria definição daquele gênero musical e são adotadas como filosofia de vida pelos ouvintes. E tornam-se a própria definição de música.

“Rock é rebeldia”! “Beethoven é melancólico”, diz você.
E só aprendemos a ouvir música sem tais rótulos depois de algum treino. A maioria não aprende.
E precisa aprender a fazer isso pra poder curtir a música? Pergunta você.
Não. Mas é meu trabalho ficar perguntando essas coisas.

sábado, 30 de maio de 2009

Pobre Samba meu


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Pobre Samba meu

Associado à tradição, a partir dos anos 1950, o Samba perde espaço e prestígio no mercado para estéticas musicais mais “modernas”, como a Bossa Nova, a Tropicália e o Rock.

Durante a primeira metade do século XX, o Samba se tornou o principal gênero do mercado de música popular brasileira. Na voz de cantores de grande apelo popular, como, entre outros, Chico Alves, Nelson Gonçalves e Orlando Silva, o “cantor das multidões”, que pelas ondas do rádio alcançavam públicos do Brasil inteiro, pode-se dizer que o gênero se firmou como símbolo da unidade nacional e, gradativamente, ampliou seu prestígio no conjunto da sociedade e se consagrou no mercado. Apesar de eventuais preconceitos das elites intelectualizadas contra esse gênero saído dos morros cariocas, redutos dos pobres e excluídos, o mercado musical sempre conviveu muito bem com o imaginário impresso nas composições, fortemente apoiado em referências simbólicas – “o morro”, o “barracão”, a “favela” – originárias das rodas comunitárias onde eram produzidas. No final da década de 1950, contudo, esse convívio relativamente tranqüilo começou a se alterar. Foi quando jovens da classe média, como Carlos Lyra, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, passaram a se reunir em apartamentos da Zona Sul do Rio de Janeiro para trocar idéias e propostas musicais. Não precisavam de muito. Bastavam “um cantinho, um violão”, como na música de Tom Jobim. Dispensavam a voz “impostada” dos grandes intérpretes do período e o aparato cênico que a Rádio Nacional e o cinema montavam para apresentar os novos lançamentos da MPB.

O fato é que o surgimento da Bossa Nova inaugurou uma nova fase no mercado de música. Para seus teóricos, a Bossa Nova se caracterizava pela busca de novos elementos musicais capazes de dar ao Samba um caráter “moderno”, em sintonia com o desenvolvimentismo do momento político-cultural do governo de Juscelino Kubitschek. O Brasil vivenciava uma atmosfera de otimismo e de crença no futuro, e o novo gênero seria uma expressão legítima de tais sentimentos. Em vez dos antigos temas da música brasileira, falava-se agora do barquinho, do violão, do sol, do sul, do mar e do amor. Mas e o Samba? Que lugar estaria reservado a ele nessa nova conjuntura?


sábado, 23 de maio de 2009

Cultura de Massa




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O que é Cultura de Massa?

A cultura de massa é formada por grande parte da população, o dito “povão”. Algo que domina a cabeça das pessoas de uma forma que acabam perdendo sua própria cultura. Isso acontece devido a grande variedade que as indústrias oferecem.Na charge de Quino mostra o personagem que até então desconhecia a televisão, ao vê-la simplesmente ficou super manipulado.

O porque das imagens?

A ovelha: é um animal fácil para ser comandado, ela obedece qualquer ordem sem reclamar.

O diabo: é visto pela sociedade como um maligno(quer sempre o mal)

A Televisão: é um meio de comunicação onde toda a população muito utilizada

O Homem: é dominado pela cultura de massa. (Televisão)

Falando da imagem...

Quino era um pastor que vivia feliz cuidando de suas ovelhas, desprezando os bens materiais.Certo dia o diabo veio atentá-lo e colocou em sua frente uma televisão, a partir deste momento ele mudou seu dia -a- dia em função da televisão, deixou inclusive seu trabalho(cuidar das ovelhas) de lado pra ficar na frente da TV.Até que chegou o momento que Quino virou uma ovelha, pois obedeceu aos comandos da mídia, representando que o ser humano domina-se fácil pela cultura de massa.
Cultura ofuscada

«Não é que, no nosso tempo, o representante da cultura seja menos escutado do que no passado o eram o teólogo, o artista, o sábio, o filósofo, etc. É que, atualmente, tem-se consciência da massa que vive de mera propaganda. Também no passado, as massas viviam de má propaganda, mas, então, sendo a cultura elementar menos difundida, essa massa não imitava as pessoas verdadeiramente cultas e, portanto, não fazia surgir o problema de saber se estava mais ou menos em concorrência com essas pessoas cultas.»

sábado, 16 de maio de 2009

Cultura de Massa e Indústria Cultural


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Cultura de Massa e Indústria Cultural

Considerando este ponto, podemos dizer que a presença do aparelho de tevê no cotidiano das pessoas é tão forte que muitos pensam que a televisão é o único lazer da população. Além da tevê, a ainda escuta de rádio AM e FM, a leitura de jornais, revistas, escuta de discos, ou seja, um lazer financiado pela publicidade comercial que usualmente se designa como indústria cultural. Com isso, uma outra suspeita de que lazer é todo voltado para o consumo ou para atividade que levam ao consumo.

Os estudos de orçamento-tempo mostraram que, efetivamente, quase a metade do tempo livre de nossa população é gasta com um lazer produzido pela indústria cultural, vindo principalmente da televisão, seguida de longe pelo rádio e, mais de longe ainda, pelos livros, discos, jornais e revistas.

Contudo, é perigoso afirmar que determinada atividade seja, ou não, produzida pela indústria cultural, é também importante observar que tais meios de comunicação de massa nada mais são do que a reprodução de conteúdos de outras práticas de lazer. Como por exemplo, o volume de concertos de música erudita ou popular vistos nas rádios e tevês é incomparavelmente maior do que o das salas de show e concertos ao vivo. O mesmo vale para outros espetáculos artísticos e para o esporte, a ginástica, a jardinagem, a culinária, a informação em geral. Trata-se de um consumo de lazer e não de prática ativa de lazer.

É importante ressaltar então, as relações estabelecidas entre indústria cultural, meios de comunicação de massa e com a cultura de massa. Em um primeiro momento, podemos achar que estas expressões funcionam como sinônimos, mas não é assim.

Não se pode falar em indústria cultural e sua conseqüência, a cultura de massa, em um período anterior ao da revolução Industrial, no século XVIII; do surgimento de uma economia de mercado, uma economia baseada no consumo de bens; e da existência de uma sociedade de consumo, segunda parte do século XIX.

Assim, a indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa surgem com funções do fenômeno da industrialização. E estas, através das alterações que ocorrem no modo de produção e na forma de trabalho humano, que determina um tipo particular de indústria (a cultural) e de cultura (a de massa). E isto vai dependendo completamente, do uso crescente da máquina, da submissão do ritmo de humano de trabalho ao ritmo da própria máquina, da exploração do trabalhador, da divisão do trabalho. Conseqüências da revolução industrial, traços marcantes de uma sociedade capitalista, em que é nítida a oposição de classes. Neste momento começa a surgir a cultura de massa. Podemos observar desde então, conseqüências diretas e indiretas na distribuição cultural dos dias de hoje.

Uma característica muito importante da indústria cultural é a formação de uma cultura homogênea. Mas aqui no Brasil, por ter uma grande desigualdade na distribuição de renda, acaba por se dificultar a homogeneização da cultura.

sábado, 9 de maio de 2009

Forró... um celeiro de culturas



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No post de hoje damos continuidade da expressiva música nordestina, enfocando o gênero Forró e seus contextos no discurso da Música Popular Brasileira no seu universo cultural.
O Forró, assim como o Samba, possui as mesmas raízes, se originando da mistura de influências indígenas, africanas e européias. O batuque - dança de roda onde os africanos mostravam a sua cultura - foi o tronco principal no que diz respeito à formação da música popular no Brasil. Dele surgiram variações que se espalharam tanto em áreas urbanas quanto rurais, sob vários nomes e estilos próprios conforme a região do país. Duas histórias cercam a origem do nome Forró. A mais difundida é de que os ingleses, que trabalhavam na construção de uma estrada de ferro no Nordeste, promoviam bailes "For All", com a trilha sonora e a dança local - entenda-se Baião - e assim o nome foi pegando. A outra versão, mais nacionalista e apegada às raízes, diz que a palavra tem sua origem na língua africana, com o vocábulo Forrobodó, que em um determinado dialeto significa exatamente festa, bagunça. Essa versão, mais "científica" é do pesquisador Câmara Cascudo.

O Forró e suas variações como Música e Dança

Forró é o coletivo da cultura e musicalidade popular do nordestino e pode ser dividido em vários segmentos:

* Forró pé-de-serra é o som feito pelos precursores do gênero, sempre com a presença do conhecido tripé: triângulo, sanfona e zabumba.

* Baião: Nascido de uma forma especial de os violeiros tocarem lundus na zona rural do nordeste (onde recebia o nome de baiano e era dançado em roda), esse ritmo foi transformado em gênero musical a partir de meados da década de 40, como resultado do trabalho de estilização feito por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, quando sofreu influências de ritmos como o samba e a conga.

* Xote: Ritmo de origem européia que surgiu dos salões aristocráticos da época da Regência. Conhecido originalmente com o nome schottisch, passando a ficar conhecido como chótis e finalmente xote. Saiu dos salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais.

* Xaxado: O nome é uma onomatopéia, baseada no som que as alpercatas dos sertanejos faziam ao serem arrastadas durante os passos de dança. É uma dança do agreste e sertão pernambucano, bailada somente por homens, que remonta da década de 20. O acompanhamento era puramente vocal, melodia simples, ritmo ligeiro, e letra agressiva e satírica. Tornou-se popular pelos cangaceiros do grupo de Lampião.

* Coco: dança de roda do Norte e Nordeste do Brasil, fusão da musicalidade negra e cabocla. Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí a sua designação. O ritmo sofreu várias alterações com o aparecimento do Baião.

* Forró universitário é um movimento cultural, que começou em Itaúnas- ES e se desenvolveu em outras cidades do Sudeste do Brasil, com o pessoal das faculdades. Acrescentou-se à música do Forró Pé-de-serra elementos como o baixo e a guitarra e à dança uniu-se passos de Samba-Rock, Salsa e Zouk.

Gonzagão, o pioneiro

Sem Luiz Gonzaga, o forró não estaria hoje nos bailes de todo o Brasil, como a última moda musical. O Velho Lua nasceu em Exu, sertão pernambucano, em dezembro de 1912. Filho do sanfoneiro Januário, desde pequeno ele tomou familiaridade com o instrumento. Foi no Rio de Janeiro, disposto a tentar carreira de músico no rádio, que se inscreveu no programa de Ary Barroso, em 1941, com a canção Vira e Mexe, com a qual tiraria o primeiro prêmio e seria contratado pela Rádio Nacional. O Forró é a linguagem poética que Gonzagão usava para contar sua vivência dura de sertanejo, as tristezas e doçuras da vida nordestina tão esquecida pelo resto do Brasil. A música nordestina de Luiz Gonzaga sofreu preconceito no início. Porém, o Forró foi conquistando o grande público, deixando de ser só uma música para saudosos migrantes nordestinos ou pessoas de classe social inferior. Quase sessenta anos depois, com a nova onda do forró, nada mais justo que ver a música do Velho Lua, morto há vinte anos, ser presença obrigatória nas casas noturnas de todo o país. E admirada por tantos adolescentes.

Mas, ao lado de Luiz Gonzaga não podem faltar compositores consagrados no forró como Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Almira Castilho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Edmílson do Pífano, os velhos Trios Nordestino e Virgulino e mais atualmente bandas como Falamansa, Rastapé e Forróçacana.

sábado, 2 de maio de 2009

HISTÓRIA DAS IDEIAS

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HISTÓRIA DAS IDEIAS

partir da filosofia grega, nasceu a reflexão crítica e a necessidade de explicações racionais para o mundo. Ao contrário do pensamento oriental, que nunca rompeu definitivamente com a prática religiosa, a filosofia ocidental parte rumo à aventura única: entender o mundo dos homens de uma perspectiva antropocêntrica. Nessa estante de conhecimento, alinhamos obras, autores e escolas filosóficas em uma mostra do que o homem pensou, criou e transformou a partir de suas idéias. Obras e autores se sucedem. Um novo livro é sempre resultado do antigo, serve de base para crítica ou para o próximo.

Fonte e endereço desta matéria:
http://www.superinteressante.com.br/superarquivo/2002/conteudo_266256.shtml
Acesso em 02/05/2009.

sábado, 25 de abril de 2009

AOS ESTUDANTES DE HISTÓRIA

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AOS ESTUDANTES DE HISTÓRIA

Não devemos deixar de nos engajar nos transmites políticos da instituição que pretende nos formar. Todo historiador só será digno deste rótulo ao ser participante ativo da história. Não estamos nessa somente para narrarmos a história dos outros. Somos os próprios atores e autores da história. E na nossa formação acadêmica não vejo como estar de fora da política que rege nosso aprendizado.

Como pretensos historiadores temos o privilégio de nos atermos aos momentos históricos que formaram nosso sistema educacional, portanto temos o dever de construirmos desde já, um melhor sistema que cumpra com os deveres de se criar um país, e por que não um mundo menos alienado, e mais voltado para a educação do cidadão. Por isso espero que este ano de 2009, seja propício a isto.

Pense positivo!

sábado, 18 de abril de 2009

Um pouco de Cultura Nordestina em expressões

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Um pouco de Cultura Nordestina em expressões

Sair um pouco de temas sérios é sempre bom! Por isso, resolvi compartilhar um texto super interessante de dialetos que comumente é falado aqui pelo nosso Nordeste e também na nossa querida Alagoas desde a capital e entrando por todo o seu interior. O texto expressa situações de fala dos cearenses em específicos, mas pode muito bem ser aplicado a todos os estados vizinhos e situações ao seu redor, note-se, menos no que diz respeito a "botar boneco", isso é tipicamente cearense.


Cearense não briga... ele risca a faca!
Cearense não vai em festa... ele cai na gandaia!
Cearense não vai com sede ao pote... ele vai dicumforça!
Cearense não vai embora... ele vai pegá o beco!
Cearense não conserta... ele dá uma guaribada!
Cearense não bate... ele senta o sarrafo!
Cearense não sai pra confusão... ele sai pro balai de gato!
Cearense não bebe um drink... ele toma uma!
Cearense não joga fora... ele rebola no mato!
Cearense não discute... ele bota boneco!
Cearense não é sortudo... ele é cagado!
Cearense não corre... ele faz carrera!
Cearense não ri... ele se abre!
Cearense não brinca... ele fresca!
Cearense não compra garrafinha de cachaça... ele compra um celular!
Cearense não toma água com açúcar... ele toma garapa!
Cearense não calça as sandália.... ele calça as opercata!
Cearense não morre... ele bate a biela!
Cearense não exagera... ele alopra!
Cearense não percebe... ele dá fé!
Cearense não vigia as coisas... ele pastora!
Cearense não vê destruição... ele vê só o distroço!
Cearense não sai apressado... ele sai desembestado!
Cearense não observa... ele passa os pano!
Cearense não agarra a mulher... ele arroxa!
Cearense não dá volta... ele arrudêia!
Cearense não serve almoço... ele bota o dicumê na mesa!
Cearense não diz fulano não é de confiança... ele diz a mercadoria é sem nota!
Cearense não espera um minuto... ele espera um pedaço!
Cearense não é distraído... ele é avoado!
Cearense não fica encabulado... ele fica todo errado!
Cearense não comete gafe... ele dá uma rata!
Cearense não sobe na arvore... ele se trepa no pé de pau!
Cearense não passa a roupa... ele engoma a roupa!
Cearense não ouve barulho... ele ouve zuada!
Cearense não acompanha casal de namorados... ele segura vela!
Cearense não dá cantada... ele quêxa!
Cearense não é esperto... ele é desenrolado!
Cearense não é rico... ele é estribado!
Cearense não é homem... ele é macho ou é cabra danado!


Em outro post trago mais!

sábado, 11 de abril de 2009

A HISTÓRIA VIVE
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A HISTÓRIA VIVE

A História sempre foi cultivada por todas as sociedades, pois, preocupa-se com o Homem, seu passado, seu presente e futuro.

Importância da História

Precisamos estudar História como o ar que respiramos: pois, ela está sempre presente, mesmo sem a gente perceber. É como o mar, sempre em movimento. A História é rica, agitada, viva e dinâmica que empenha as criaturas na luta por melhores situações e não no saudosismo de outras eras. É Cheia de alegrias e dores, bem do jeito das pessoas que aqui vivem. É movida pela força dos grupos humanos, com caras, hábitos e interesses diferentes. Se pensarmos, por exemplo, na História de nosso Brasil, veremos que ela vai sendo construída entre o silêncio, festas, prisão, paixões, tiroteios, carinhos, ódios. Na verdade, o grande personagem da História, somos todos nós, seres humanos.

Desta forma é preciso ficar alerta, porque, de modo geral, as pessoas associam a palavra “HISTÓRIA" (do grego HISTOR – aquele que viu que testemunhou um acontecimento) a uma lista de datas, fatos, nomes de grandes personagens, quase que uma lista telefônica exclusiva de pessoas importantes.

Não há homem sozinho, e o que ele construiu, realizou, sonhou ou perdeu, aconteceu em conjunto, com outras pessoas e em determinadas circunstâncias da época.

Assim, fica claro que a História não é o saber das coisas velhas, mas o Homem preocupado com seu destino, sua origem buscando entender, dominar e superar sua realidade. A justa compreensão do sentido histórico faz o homem alguém, integrado em seu tempo, ao contrário do suposto pelos cultivadores da disciplina, apenas para endeusar a pátria, a religião em práticas distorcidas e condutoras da falsificação de todo o tipo. Quem não está em sintonia com sua época não pode entender outras épocas.

É dentro desta visão da História que precisamos refletir, por exemplo, como foram 'celebrados' os 500 anos de História do Brasil. Será que podemos afirmar que são apenas 500 anos de História? Que fato utilizou-se para começar a contar os ditos "500 anos" dessa História? Por que iniciar em 1500? E antes?

Não permitir essa reflexão é desconhecer a História, portanto, é dar outro "sentido" aos acontecimentos, é “endeusar" o fato, fazendo com que o povo e os nossos alunos continuem a ver apenas a história do Herói e do Vencido. É Reafirmar que o brasileiro é 'manso' e não resiste.
E, no entanto, nosso Brasil está aí mergulhado na injustiça, na violência, na desigualdade social, em episódios que nos deixam indignados.

A História Vive. Façamos deste momento forte da História, uma reflexão e não uma 'reprodução' como muitos meios de comunicação e escolas estão fazendo.

Pense nisso e reflita!

sábado, 4 de abril de 2009


Feliz primeiro de abril em xeque

Feliz primeiro de abril
Você sabia que o dia da mentira tem tudo a ver com o ano novo? Conheça essa incrível história! Você já sabe que pregar peças é uma tradição no chamado dia da mentira. Descubra agora de onde vem esse costume!

Feliz ano novo?
A instituição de primeiro de abril como o dia da mentira tem suas raízes na celebração do ano novo. Ué, mas o ano novo não começa no dia primeiro de janeiro? Pois é. Só que nem sempre foi assim.

Antigamente, o ano novo era celebrado em março, no dia em que ocorre o chamado equinócio. Nessa data, a posição do Sol em relação à Terra faz com que a duração do dia seja igual à da noite. Esse fenômeno ocorre em 21 de março – ou 22, nos anos bissextos – e marca o início da primavera no hemisfério Norte e do outono no hemisfério Sul.

No passado, o final de março era marcado por uma série de festividades que faziam a despedida do ano velho. O primeiro dia útil do ano ficava sendo, então, o primeiro de abril. Viu como era diferente?

Um nó na cabeça!

Mas onde entra a parte da mentira nessa história? Imagine só: você certamente está acostumado a celebrar o ano novo na passagem de 31 de dezembro para primeiro de janeiro. De repente, um comunicado avisa que a festa foi transferida para junho. Não ia dar uma confusão na sua cabeça? Pois foi mais ou menos isso o que aconteceu!

No ano 44 antes de Cristo, foi elaborado o calendário juliano, no Império Romano. Uma das mudanças instituídas por ele foi a transferência do início do ano para primeiro de janeiro. Só que, na prática, não foi bem isso o que aconteceu. “Como a informação não circulava, cada aldeia fazia do seu jeito e muita gente continuou a celebrar o ano novo em primeiro de abril”, conta o astrônomo Alexandre Cherman, da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.

Já em 1582, o papa Gregório XVIII ordenou que passasse a ser utilizado o calendário gregoriano. Nele, o ano novo também era celebrado em janeiro. Mas, dessa vez, a teoria iria ser posta na prática, pois um decreto do rei da França deixou bem claro: o ano novo deveria passar a ser festejado em janeiro.

O dia dos tolos
Só que algumas pessoas continuaram insistindo em manter a celebração em primeiro de abril. Começaram a ser chamadas de tolos. Muitos debochavam delas, já que agora o primeiro de abril era uma grande mentira! Por causa disso, a data ficou conhecida como o dia da mentira ou o dia dos tolos, como é chamada nos países de língua inglesa.

Com o passar do tempo, desenvolveu-se o hábito de pregar peças e contar mentiras no dia primeiro de abril nos países da Europa e nos colonizados por europeus, como o Brasil. Essa tradição continua valendo nos dias de hoje, quando nem pensamos mais na possibilidade de começar o ano em outra data!

Gostou da história? Então, que tal contá-la aos seus amigos? Só não se esqueça de avisar que não é piada de primeiro de abril, senão eles não vão acreditar!

Outros dias
Até hoje o ano novo é celebrado em outras datas em algumas culturas. “A escolha do dia primeiro de janeiro para marcar o início do ano é uma convenção”, explica Alexandre Cherman, da Fundação Planetário do Rio de Janeiro. “Tanto que em outros calendários, como o judaico e o chinês, o ano começa em uma data diferente."


Bastante interessante não?

sábado, 28 de março de 2009

HISTÓRIA DAS MENTALIDADES
A chamada História das Mentalidades é um ramo da teoria da história.

Esta variante da História salienta o sentimento de pertença a uma determinada comunidade que reconhece as mesmas vivências, reforça e entrelaça os fenômenos culturais e sociais e o conjunto de hábitos e atitudes. Ao mesmo tempo, através dela compreende-se e interpreta-se melhor a cultura dos outros.
É considerada uma análise de tipo mais profundo da História, pois visa perscrutar e compreender as grandes alterações nas formas de pensar e agir do Homem ao longo dos tempos. Inscreve-se no chamado tempo longo (a longa duração), de teor essencialmente estrutural e que atua nos diversos fatores de uma sociedade. Tem implicações na política, na sociedade, na economia, na cultura, na filosofia e na religião. Enquadra cada complexo histórico-geográfico e determina-o profundamente, não obstante, por sua própria natureza, não ser evidente discernir o que pertence especificamente a uma época e o que constitui permanência.
As suas repercussões são multidirecionais e aplicam-se ao homem como indivíduo, ser pensante e intelectual, à família, aos grupos, às comunidades, às nações. Entra igualmente no domínio do público e do privado, revelando para cada época sensibilidades e vivências próprias no relacionamento com os outros.
Por ser do domínio do tempo longo, a perspectiva temporal é fundamental para seu estudo. Devido à sua abrangência intrínseca, permite ampliar o conceito de documento, extravasando em muito o mero documento escrito de cariz oficial. Os atos inconscientes são tão ou mais importantes que a formalidade dos decretos e das ordens régias; a Arte, a Literatura, os costumes, os ritos, a religião são manifestações fundamentais para revelar a consciência auto-reflexiva que o homem tem de si numa determinada época.
Com a história das mentalidades, a elaboração histórica deu um salto qualitativo, quer em termos científicos quer no concernente ao seu ensino. A História Nova de Marc Bloch foi a grande impulsionadora da história das mentalidades. Um outro grande impulsionador desta teoria foi o filósofo e epistemólogo francês Michel Foucault, ligado à psicanálise.
A história das mentalidades é um meio de compreensão dos mecanismos sócio-históricos sobre um pano de fundo onde os conceitos elaboram-se a partir dos estados mentais de grupos coletivos.
Desse modo, as manifestações que estão ligadas ao amar, lazer, morrer e viver num sentido de desvelar os discursos. Para além do óbvio visando uma inteiração entre o antropológico, a sociologia e a psicanálise. Em que a autoridade, tradição e passado está ligado a investigação multidisciplinares.
Para compreender a história das mentalidades é preciso fazer uma remontar aos séculos XIX e XX, onde conceitos estabelecidos pelo historiador Leopold von Ranke que idealizava uma história tradicional, política voltada à biografia dos reis, foi contestada mais tarde por Marc Bloch e Lucien Febvre que, em busca de uma história-problema e de uma história do cotidiano fundaram a "Revue des Annales", em torno da qual se estabeleceu a chamada Escola dos Annales.
A história das mentalidades teve como destaques principais dois historiadores que com suas obras mostraram o pensar e o agir na História do mental: Bloch editou "Os Reis Taumaturgos", uma obra comparativa entre crença e autoridades dos Reis e Febvre publicou "O Problema do Ateísmo no Século XVI: a religião de Rabelais" onde defendia a tese da História ser uma forma de estudo interdisciplinar.
Apesar de estudar o modo de agir e pensar do indivíduo a História das mentalidades estava ficando "fora de moda" e os historiadores não gostam de ser tratados e rotulados como “historiador do mental” e a partir de meados da década de 1980, na França, esse tipo de análise histórica já estava sendo reformulada, dando lugar a sua principal herdeira, a Nova História Cultural.

sábado, 21 de março de 2009


Identidade e Imaginário do Nordeste na obra de Luiz Gonzaga

Antes tarde do que nunca. Finalmente, Luiz Gonzaga, DNA não apenas da música nordestina, mas da MPB como um todo, terá uma homenagem por aqui mais uma vez onde desempenho estudo temático com ênfase no Imaginário e Identidade do Nordeste na obra de Gonzagão. Inclusive por aqui no blog já dediquei post ao nosso querido Lua, só é conferir.

O rei do baião pode ser considerado um dos primeiros popstars brasileiros. As inúmeras turnês que fez pelo Brasil comprovaram a identificação do público com sua obra.

Pioneiro, Luiz Gonzaga foi responsável pela sistematização de uma série de elementos visuais, rítmicos, melódicos, comportamentais e poéticos que construíram um formato autêntico e rico de cultura regional nordestina facilmente reconhecível até hoje.

O Brasil conheceria menos o Nordeste sem ele. Com seu chapéu de couro e a bandoleira de cangaceiro cruzada no peito, ele espalhou os ritmos e o jeito de sua terra mundo afora. Mas o próprio Nordeste talvez conhecesse menos o Nordeste sem o gênio que resumia naquela figura celebérrima de sanfoneiro. Autor de sucesso como
Asa branca, Juazeiro, Assum preto e Último pau-de-arara, Luiz Gonzaga, o Gonzagão, não foi apenas a voz que fez falar o sertão silencioso. Assim como o Brasil conheceria menos o Nordeste e o Nordeste conheceria menos a si mesmo, também o Brasil, sem ele, conheceria menos o Brasil.

Até uma próxima vez!

domingo, 15 de março de 2009

PANORAMA E PERSPECTIVAS SOBRE O ENSINO DA HISTÓRIA

Sempre questiono o porquê do ensino da História. São tantas datas, fatos, “heróis”, lugares e contextos que parecem que não servem para muita coisa, além de base para questões do vestibular. No entanto, há um erro muito grande nessa afirmação anterior, quem disse que História se limita às datas, aos fatos, aos supostos heróis, aos inúmeros lugares e contextos?

Não podemos fugir desses pequenos “detalhes”, no entanto limitar o ensino da História a isso é mais ou menos fazer com que os nossos alunos saião da escola especializados nessa disciplina. Fracamente, qual seria o sentido disso? Pode ser bastante útil para o vestibular, que está começando a mudar esse sentido meramente informativo, no entanto não tem utilidade nenhuma para a vida.

Esse deve ser ponto central do ensino da História, a vida, pois nos esquecemos que a História é feita por homens e mulheres que também tiveram 13, 15,17 ou 23 anos um dia, que também tiveram dúvidas, desejos e escolhas. Esses Seres Humanos entraram para a galeria da História porque em algum momento – para bem ou o mal – fizeram escolhas e certamente saíram do lugar comum e assumiram a História em suas mãos.

Meus caros, entre tantas outras utilidades que a História nos serve – e veremos isso ao longo do ano – uma das mais importantes é nos fazer entender que nós somos os únicos responsáveis pelas nossas vidas e por nossas escolhas, não quero dizer que somos uma ilha, porém precisamos tomar a História em nossas mãos, não para fazermos parte de livros, mas para modificarmos nossas próprias vidas e – por que não? – estimular um pouco a mudança na vida das pessoas que amamos ou daquelas que precisam.
Aos que ainda acham que História é apenas uma “decoreba”, que se limita ao passado, sinto decepcionar, porque ao longo desse ano em sala de aula e no Blog veremos que ela está muito longe disso, pois além de nos ajudar a viver melhor, ela pode ser um divertido passatempo.
"A educação faz um povo fácil de ser liderado, mas difícil de ser dirigido; fácil de ser governado, mas impossível de ser escravizado.”
(Henry Peter).

domingo, 8 de março de 2009


TRIBUTO

A MINHA “IRMÔ - UMA GRANDE MULHER

Passados quatro anos da tua morte, julgo que já é tempo de te prestar a minha homenagem.

Partiste num pranto de dor, apenas junto daqueles que realmente te amavam. Nos últimos dias da tua existência via em ti alguém que queria partir e que já tinha sofrido o suficiente.

Mais uma vez quebro a rotina do blog em temas temáticos para entrar no universo da memória e desta forma homenagear uma grande e excepcional mulher: dona Maria de Lourdes, ou simplesmente Dona Lourdinha, em cujo sobrenome (Santos) impõe-se a marca da grandeza da mulher nordestina.

Viveu, Dona Lourdinha, 59 anos de intensas atividades diversificadas tais como doméstica, comerciante, educadora e também como administradora de uma prole que só lhe deu alegrias e muito orgulho. Pudera! Sempre soube impor a ela o verdadeiro sentido do amor ao próximo e que a honradez e a dignidade são os maiores valores que alguém pode exibir em sua vida. Sua vida inspirou exemplos dignos, fidalgos da primazia a grandeza.

Dona Lourdinha a exatos quatro anos nos deixou órfãos. Partiu para o plano superior. Serena, consciente de que nenhum dos seus rebentos, muito mais sucedâneos, seqüenciarão na conformidade do que ensinou ou nutriu, o sonho que sempre acalentou no sentido de que a harmonia familiar continuará como exemplo maior que se pode legar.

Com Luiz Correia dos Santos, mais conhecido como seu Luiz de Dom, seu companheiro e marido (cuja existência é exemplo de honradez e caráter).

Construiu um particular mundo que pode ser descrito como um recanto onde se adensaram nas belezas da cidade de Delmiro Gouveia, localizada na região sertaneja alagoana. Nascida no então estado de Pernambuco, ela e seu Luiz de Dom – também nordestino, só que alagoano -, mantiveram no município uma primorosa residência onde abundavam harmonia e felicidade mutua.

Braço direito do marido, enquanto este se dedicava a vida de comerciário e comerciante, ela administrava vamos dizer assim a propriedade e, concomitantemente, tratava da educação e formação da cidadania dos três filhos – Lucineide, Luciano e Lucielma -,simbolizando o resultado exitoso de sua missão de mulher e mãe exemplar, sem falar dos vários agregados que por lá viviam onde um desses no qual me refiro sou eu mesmo.

Dona Lourdinha é, no sentido mais representativo da dedicação e do amor, o exemplo, também, mais eloqüente de que vencer na vida é via de conseqüência resultante de competência materna.

Eu gostava de ouvi-la. Dona Lourdinha sempre tinha na ponta da língua uma palavra de conforto e de equilíbrio, todas as vezes que instada a se pronunciar sobre questões do cotidiano. Ou da própria vida. Era sábia, realista e mantinha uma linha de filosofia de vida. Dinâmica, estava sempre ocupada com assuntos sérios. Solidária, nunca entendeu como sacrifício, correr em socorro dos outros.

Não duvido de milagres. Sou um sujeito pragmático. Entretanto, creio que para o comum dos mortais o céu está muito distante ou impossível de ser alcançado. Mas para Dona Lourdinha, criatura diferenciada, o céu, sim, ela já mereceu. De lá das alturas, continuará olhando para os seus com o mesmo fervor, todavia com muito mais força e poder, porque está ao lado de Deus.

Dona Lourdinha nunca deixou de manifestar a sua crença nos milagres. Induvidoso é que se alcançou esse lugar privilegiado nas alturas, não foi por milagres. Foi por mérito. Deus é justo.

Ao contemplá-la no seus últimos dias de vida, me assaltou um sentimento de profunda tristeza, ao mesmo tempo de revolta, porque pessoas como ela jamais deveriam morrer. A mesma coisa me ocorreu quando vi um dos meus outros irmãos, se preparando para ganhar outra dimensão.

Dona Lourdinha foi uma extraordinária mulher, irmã, mãe. O que mais marcou a sua personalidade foi a humildade, o amor ao semelhante, a palavra de perdão e o profundo sentimento religioso. Faz-me uma falta imensa.

Mas o vazio que essa heroína, Dona Lourdinha, nos deixa com sua partida definitiva, é realidade inquestionável: jamais será preenchido.
Os dias festivos, as datas comemorativas marcarão, para sua família, ainda mais a sua ausência. Era ela quem cuidava de reunir filhos, genros, nora e netos em torno de si.

Dona Lourdinha representou e honrou o verdadeiro sentido da palavra família.
Sua saudade será eterna para aqueles que aprenderam a verdadeiramente amá-la.

Um grande poeta contemporâneo certa vez escreveu: “O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis” – Fernando Pessoa. Esta citação nos dá a grandiosidade do ser humano imaginado e representado como identidade da mulher que todos nós gostávamos e que agora de uma maneira fantástica está no patamar lá de cima nos guiando com o aprendizado que nos foi dado ainda aqui em vida.

A linha de conteúdos nesse blog inicialmente em sua elaboração era trazer posts interessantes com temas que de uma maneira ou outra envolvesse o nosso cotidiano citando a cultura, identidade e memória, e hoje trago a tona um ensaio que a muito vinha se construindo, que é a memória da lembrança em vida de minha irmã que representou muito na nossa caminhada.

Ela partiu nos deixando órfãos em uma terça-feira, oito de fevereiro do ano de dois mil e cinco, ficando ali a certeza que o melhor de maneira brilhante tinha se manifestado. Nossa casa ficou vazia, sem a sua presença, deserta do seu convívio. Porém em nossas vidas ficará as marcas imorredoras de sua bondade que será lembrada eternamente em nossos corações, brotando preces para o descanso eterno da sua alma. De repente, os sonhos, a luta, os planos, a vida, tudo se foi, de agora em diante, só saudades pelo vazio que você deixou.

A morte criou um lugar no meu coração maior do que quando eras viva, pois só aí me apercebi plenamente da tua importância para mim.

Termino esta minha homenagem com uma promessa e uma certeza: nunca te esquecerei, estarás sempre no meu coração!

Aí de cima, não deixes de olhar por nós e de nos ajudares.

Com muito amor e saudade. Valeu Dona Lourdinha!!!!!!!!!!!!!!!!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

HISTÓRIA: CONCEITOS

Entre um post e outro volto a falar tematicamente de História.

"O importante não é tanto relatar fatos passados ou enumerar acontecimentos que podem ser localizados geograficamente e datados cronologicamente, mas sim, mostrar que em cada momento os homens estão produzindo uma realidade cultural." (Neidson Rodrigues)

Captar as diferentes formas como os homens concebem a vida e transformam-na em diversos momentos históricos, como se relacionam entre si e com a natureza são objetivos do ensino de História, que permite ao aluno ter uma maior compreensão da sua realidade, pelo confronto com as demais, percebendo as rupturas e permanências e reconhecendo-se como sujeito histórico, ativo no processo de aprendizagem.

Entendendo por sujeitos históricos indivíduos, grupos, classes sociais, participantes de acontecimentos de repercussão coletiva ou situações cotidianas na busca pela transformação ou continuidade de suas realidades, valorizam-se o indivíduo ou os grupos anônimos, enquanto protagonistas da construção de suas histórias, e não meras sombras dos feitos heróicos dos grandes personagens.

Por isso, a disciplina de História não pode e não irá reduzir-se unicamente a informações sobre o passado, mas:
●passar aos alunos a concepção de mundo, a visão de realidade que imperava nas diversas épocas;
●fazer os alunos entenderem que as relações sociais de produção, as relações de trabalho e as relações com o mundo, são responsáveis por impulsionar uma determinada época na busca de alternativas;
●fazer com que percebam que foram as condições da época que permitiram determinadas ações;
●captar as conseqüências dos fatos históricos em termos do desdobramento do conhecimento científico e técnico que o mundo conheceu a partir destas ações.

Para a compreensão de que, por trás de um fato relatado, existem as relações sociais, econômicas, políticas e culturais que o produzem, recorre-se a uma multiplicidade documental que abrange não só o escrito e institucional, mas também os filmes, os artigos de jornais e revistas, as imagens, os relatos orais, os objetos e os registros sonoros.

O contato com esta diversidade de fontes possibilita ao aluno perceber as diferentes temporalidades existentes simultaneamente e/ou ao longo da história, reconhecendo também sua realidade como múltipla, conflituosa e complexa, encarando o conhecimento histórico não como uma sucessão de fatos no tempo, mas sim como ações humanas organizadas transformadoras de um dado momento.

Tendo em vista tal proposta, o intercâmbio com conceitos trabalhados por outras disciplinas torna-se imprescindível para que o aluno, em confronto com novos procedimentos de reflexão e análise, desenvolva a capacidade de interpretar características da sua realidade e relacione-as com às informações históricas. Desta forma, o aluno passa a ter uma dimensão mais ampla e significativa dos conteúdos específicos da área, enriquecendo o seu conhecimento e passando a ter subsídios para construir o seu próprio saber

A reflexão sobre a relação entre os acontecimentos e os grupos, tanto os do presente quanto os do passado, a prática da pesquisa e a convivência com diferentes métodos de abordagem favorecem a formação de um aluno crítico, reflexivo e consciente do seu papel enquanto cidadão.

As atividades que deverão ser realizadas pelos alunos e que constituem a estrutura do curso são: leitura e análise de textos; resumos, pesquisas e redações; discussões em painéis; transposições de linguagem; testes de revisão e avaliações.

Mantendo a perspectiva curricular de integração sistemática com disciplinas afins, o curso de História tem como objetivo levar o aluno a desenvolver as seguintes habilidades:
●analisar a época em que vive, situando-se diante dos problemas atuais, com base numa visão de evolução econômica, política, social e cultural da humanidade;
●identificar o sentido dos diversos aspectos de nossa herança cultural;
●aplicar os conhecimentos adquiridos à realidade brasileira, a fim de melhor interpretá-la, e nela atuando;
●expor idéias de forma clara e compreensível nas atividades e avaliações propostas.
Até a próxima!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Lição de Sabedoria de Vida (de um velho índio)

Achei muito interessante este texto, de uma Sabedoria muito profunda e atual. Através de lendas, anedotas, historias aparentemente simples, que passam de geração em geração , esses mestres antigos – como este velho índio – nos trazem uma lição de Vida tão valiosa.

Uma noite, um velho Cherokee contou ao seu neto sobre uma batalha que acontece dentro das pessoas. Ele disse: "Meu filho, a batalha é entre dois "lobos" dentro de todos nós.

“Um é Mau - é a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o desgosto, a cobiça, a arrogância, a pena de si mesmo, a culpa, o ressentimento, as mentiras, o orgulho falso, a superioridade e o egoísmo”.

“O outro é Bom - é a Alegria, a Paz, a Esperança, a Serenidade, a Humildade, a Bondade, a Benevolência, a Empatia, a Generosidade, a Verdade, a Compaixão e a Fé”.

O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao Avô : Qual o lobo que vence ?

O velho Cherokee simplesmente respondeu : O que você alimenta.
Bastante interessante não? Pense nisso!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O que é o estudo de História nos bancos escolares?

É o que nos conta o texto abaixo tendo como ponto de partida a idéia de que a finalidade do conhecimento histórico é propiciar o desenvolvimento das forças transformadoras da História, colaborar com essa conscientização, com o movimento de se relacionar o passado e o presente, em busca de respostas para questões eternas: quem somos, para onde vamos, de onde viemos, para onde queremos ir.

A História é uma área do conhecimento humano preocupado com a compreensão do passado. Buscando em fontes que relatam o passado, procura dar sentido às ações do homem com a intenção de dar resposta a questões do presente. Dessa forma, esse campo de conhecimento oferece um instrumental útil e necessário para que possamos enxergar em uma perspectiva mais profunda o mundo que nos rodeia.

Além de oferecer mais conhecimento, a História tem a interessante capacidade de remontar o passado de formas completamente diferentes. O historiador vai até o passado com um conjunto limitado de perguntas e documentos que o permitem fazer “apenas” uma forma de compreender um determinado período de tempo. Por isso, não podemos encerrar a compreensão de qualquer fato na obra de um único estudioso.

Grosso modo, as primeiras linhas de estudo da História se desenvolveram nas cavernas, quando os primeiros grupos humanos se preocupavam em registrar o desenrolar de sua própria vida cotidiana. Na Antigüidade, os primeiros historiadores se preocupavam em relatar as peripécias dos grandes personagens e o cenário épico das guerras travadas entre os povos. Muitas vezes, comprometidos com algum dos lados dessa história faziam um relato tendencioso e impreciso.

Na verdade, não podemos mesmo pensar que o historiador deixa suas preferências de lado na hora de trabalhar com o passado que lhe atrai. No entanto, durante muito tempo, o estudo da História se mostrou espalhado em relatos desprovidos de algum tipo de rigor que garantisse algum tipo de objetividade. A partir do século XVIII, observamos a proposição de alguns pensadores que tentaram dar critérios mais rígidos no estudo da História.

Nessa corrente, temos a ascendência de um ideal em que o historiador teria a capacidade de falar do passado sem interferir o conhecimento com suas opiniões pessoais. A partir de então, os fatos históricos começariam a ser julgados com base na importância maior dos fatos de ordem política e econômica. Restringindo com bastante força outros temas de análise histórica, esse tipo de perspectiva veio a perder força somente no decorrer do século passado.

Atualmente novos temas vêm tendo bastante força no campo dos estudos históricos. A História oral, a Micro-história e a História Cultural são alguns dos novos campos de atuação dessa área do conhecimento. Tendo caráter fortemente reflexivo, a História possibilita a criação de um espírito crítico capaz de elucidar uma relação mais interessante do homem com a realidade que o cerca.

Tudo de bom e até a próxima!