sábado, 20 de agosto de 2011

Atitude filosófica: seus maiores atributos


Quais os maiores atributos da atitude filosófica?

A atitude filosófica é uma atitude crítica, onde diz não às evidências, problematizando e questionando, consiste em abordar os problemas sem preconceitos, mas para ter uma atitude filosófica não basta problematizar e questionar temos também de arranjar argumentos válidos para tudo o que dizermos.

Um dos pontos que pode ser considerado menos bons desta atitude é dizer não ao senso comum, aos preconceitos e crenças, ou seja dizendo que afinal não sabemos aquilo que imaginávamos saber, à sempre algo de novo para descobrir e aprender, tal como diz a famosa afirmação de Sócrates,” Só sei que nada sei.”. Esta é a fundamental verdade filosófica onde todos se devem apoiar. Mas um dos principais atributos da atitude filosófica é ser interrogante sobre os factos, ideias, situações e comportamentos, até mesmo os nossos. É ser “curioso” acerca do porquê das coisas.

Com esta atitude distanciamo-nos do nosso mundo rotineiro, através do pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se tivéssemos acabado de nascer.

Devemos manter sempre uma atitude crítica por mais adultos que sejamos, devemos questionar e fundamentar os nossos pontos de vista sem receios de errar…

sábado, 13 de agosto de 2011

Conhecimento Filosófico

Conhecimento Filosófico

O conhecimento filosófico tem por origem a capacidade de reflexão do homem e por instrumento exclusivo do raciocínio. Como a Ciência não é suficiente para explicar o sentido geral do universo, o homem tenta essa explicação através da Filosofia. Filosofando, ele ultrapassa os limites da Ciência – delimitado pela necessidade da comprovação concreta – para compreender ou interpretar a realidade em sua totalidade. Mediante a Filosofia estabelecemos uma concepção geral do mundo.

Tendo o homem como tema permanente de suas considerações, o filosofar pressupõe a existência de um dado determinado sobre o qual refletir, por isso apóia-se nas ciências. Mas sua aspiração ultrapassa o dado científico, já que a essência do conhecimento filosófico é a busca do “saber” e não sua posse.

Tratando de compreender a realidade dos problemas mais gerais do homem e sua presença no universo, a Filosofia interroga o próprio saber e transforma-o em problema. É, sobretudo, especulativa, no sentido de que suas conclusões carecem de prova material da realidade. Mas, embora a concepção filosófica não ofereça soluções definitivas para numerosas questões formuladas pela mente, ela traduz em ideologia. E como tal influi diretamente na vida concreta do ser humano, orientando sua atividade prática e intelectual.

sábado, 6 de agosto de 2011

A importância da Filosofia na construção do conhecimento

A importância da Filosofia na construção do conhecimento

A filosofia tem valor especial, principalmente por sua grandeza de objetivos e de liberdade proveniente da visão rigorosa resultante de sua essência. A importância do saber ou do ensino de filosofia para a construção do conhecimento tem sua partida na compreensão do que o conhecimento filosófico é diferente do senso comum e do religioso.

Portanto, é na interseção deste fazer educativo plurinterdisciplinar que o ensino da filosofia poderá ressignificar-se para desempenhar a sua tarefa e atingir os seus fins.É no bojo intersubjetivo e inter-objetivo dos vários saberes disciplinares e experiências que sua função poderá dilatar-se e aprofundar-se, elevando os jovens ao nível dos domínios do saber sistematizado numa dimensão crítico-reflexiva e transformadora.

O caráter emancipatório da filosofia para a construção do conhecimento crítico-reflexivo encontra sustentação nas condições reais sociais. Dessa forma, reconhece as estruturas da sociedade, na qual os homens estão inseridos e onde são sujeitos ativos e pensantes, bem como autores da dinâmica que dialeticamente alteram o curso das coisas em nome de um fim que é o próprio homem.

Uma educação alicerçada na filosofia, provoca mudanças de comportamento, contribui para a elevação da auto-estima; leva a comunidade escolar a ação-reflexão-ação, o que permite atentar para o verdadeiro sentido do que vem a ser educação para o pensar, posto que, o ato de formar o ser humano resulta de um ato intencional em que educar compreende acionar os meios intelectuais de cada educando para que ele possa assumir o uso de suas potencialidades físicas, intelectuais e morais, sempre atento ao contexto em que está sendo vivenciado.

sábado, 30 de julho de 2011

Sem medo de pensar

"Sem Medo de Pensar" passeia com as crianças pela história das ideias

"Sem Medo de Pensar" apresenta às crianças a vida e as ideias dos principais pensadores da história e que mudaram o mundo com suas teorias.

O passeio pelo tempo retorna à Grécia, com o surgimento dos primeiros filósofos, os conhecidos pré-socráticos.

"A filosofia desses primeiros filósofos poderia ser descrita como uma 'filosofia da natureza', que pretende responder a uma pergunta muito concreta e ao mesmo tempo ampla (...) isso quer dizer que os primeiros filósofos se perguntavam sobre a origem do mundo e de todos os seres."

A partir de Tales, considerado o primeiro filósofo ocidental, a história avança com Sócrates e seus discípulos. Em seguida, deixando muito claro as divisões de pensamentos e os interesses de cada "escola", apresenta personagens da Idade Média (Santo Agostinho), da Idade Moderna (Descartes), sobre a evolução e subjetividade do homem (Darwin, Freud, Marx) até chegar às teorias da ciência de Einstein e até as mais recentes de Stephen Hawking.

"Sem Medo de Pensar" é um obra que desperta o conhecimento, e além de tudo, um sorriso e uma satisfação de entrar em contato com as ideias que são responsáveis por traçar os caminhos da humanidade, ainda hoje.

"Sem Medo de Pensar"Autores: Denise Despeyroux e Francesc Miralles; Roberto Negreiros (ilustração)
Editora: WMF Martins FontesPáginas: 104
Fonte: Livraria da Folha/www.folha.com
Acesso em 13/08/2011

sábado, 23 de julho de 2011

Fábula Cherokee dos dois lobos

Fábula Cherokee dos dois lobos

Dois anciões da tribo estavam preocupados com um dos garotos que, por se sentir injustiçado, tornou-se agressivo.
O avô do menino o leva para conversar nos ermos da pradaria.
"Entendo sua raiva. Na planície dentro do meu peito, há uma batalha terrível entre dois lobos que vivem dentro de mim. Esses dois lobos tentam dominar o espírito de todos nós."
O garoto se interessa. Ele continua.
"Um é negro como a calada da noite. Seus dentes afiados e tenazes como a raiva, a inveja e o ciúme. Ele caça a tristeza. Suas garras são afiadas como a cobiça, a arrogância e a pena que alguém sente por si mesmo. Esse lobo fareja culpa, ressentimento, inferioridade a quilômetros. Ele busca o orgulho, a glória e a superioridade."
Diante dos olhos brilhantes do pequeno índio, o velho completa.
"O outro lobo é branco. Seu olhar é tranquilizador como o perdão de um pai. seus músculos fortes como a esperança de um amanhecer. Seus pêlos brilham como a serenidade de um lago. Ele fareja paz, humildade e empatia onde estiver. Ele é veloz como um gesto de bondade, audaz como a generosidade. Ese lobo busca verdade, harmonia e fé."
Ambos ficaram em silêncio então. O neto pensou nessa luta.
Então ele perguntou ao avô:
"Qual lobo vence?"
O velho índio então responde:
"Aquele que você alimentar!"

sábado, 16 de julho de 2011

O mito da caverna

O mito da caverna é apresentado pelo grande mestre Platão em sua mais conhecida obra: A república, Livro VII.

No mito, este mundo sensível onde vivemos não é o mundo real. O mundo real é o mundo das ideias. O mundo sensível é uma cópia imperfeita do mundo das ideias, onde cada coisa tem sua ideia correspondente. O mito apresenta algumas pessoas - que seríamos nós no mundo sensível - que estão acorrentadas dentro de uma caverna e não conhecem o mundo externo. Na parede desta caverna, passam sombras de objetos externos provocadas por uma fogueira que está atrás dos objetos. Como os habitantes da caverna não conhecem o mundo externo, então eles pensam que o mundo resume-se àquelas sombras.

Porém o sujeito que escapa da caverna depara-se com o mundo das ideias, que é o mundo do intelecto e da filosofia. Ele é ameaçado pelos ainda presos quando retorna e tenta avisá-los. Matrix é um filme que fundamenta-se neste mito.

Podemos dizer que o mito é uma analogia do mundo sensível na seguinte articulação: a sombra está para a coisa (qualquer que seja a coisa) assim como a mesma coisa está para a sua ideia. Ou seja, a ideia tem mais realidade do que a coisa assim como a coisa tem mais realidade do que sua sombra. A forma da articulação é como em um está sobre dois assim como dois está sobre quatro (1/2 = 2/4): uma analogia simples. E Platão é muito bom em analogias. Aqui tem uma historinha lúdica muito boa do mestre Maurício de Sousa que resume bem o mito.

sábado, 9 de julho de 2011

A caverna


A caverna

(...) é o mundo sensível onde vivemos. O fogo que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (do bem e das ideias) sobre o mundo sensível. Somos os prisioneiros. As sombras são as coisas sensíveis, que tomamos pelas verdadeiras, e as imagens ou sombras dessas sombras, criadas por artefatos fabricadores de ilusões. Os grilhões são nossos preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos, nossas paixões e opiniões. O instrumento que quebra os grilhões e permite a escalada do muro é a dialética. O prisioneiro curioso que escapa é o filósofo. A luz que ele vê é a luz plena do ser, isto é, o bem, que ilumina o mundo inteligível como o Sol ilumina o mundo sensível.

O retorno à caverna para convidar os outros a sair dela é o diálogo filosófico, e as maneiras desajeitadas e insólitas do filósofo são compreensíveis, pois quem contemplou a unidade da verdade já não sabe lidar habilmente com a multiplicidade das opiniões nem mover-se com engenho no interior das aparências e ilusões. Os anos despendidos na criação do instrumento para sair da caverna são o esforço da alma para libertar-se. Conhecer é, pois, um ato de libertação e de iluminação. A paideia filosófica é uma conversão da alma voltando-se do sensível para o inteligível. Essa educação não ensina coisas nem nos dá a visão, mas ensina a ver, orienta o olhar, pois a alma, por sua natureza, possui em si mesma a capacidade para ver.

(M. Chauí, Introdução à história da filosofia. São Paulo:Companhia das Letras, 2002)

sábado, 2 de julho de 2011

O tempo em Platão



O tempo em Platão

Platão argumenta que o tempo (chrónos) “é a imagem móvel da eternidade (aión) movida segundo o número” (Timeu, 37d). Partindo do dualismo entre mundo inteligível e mundo sensível, Platão concebe o tempo como uma aparência mutável e perecível de uma essência imutável e imperecível - eternidade. Enquanto que o tempo (chrónos) é a esfera tangível móbil, a eternidade (aión) é a esfera intangível imóbil. Sendo uma ordem mensurável em movimento, o tempo está em permamente alteridade. O seu domínio é caracterizado pelo devir contínuo dos fenômenos em ininterrupta mudança.

Posto que o tempo (chrónos) é uma imagem, ele não passa de uma imitação (mímesis) da eternidade (aión). Ou seja, o tempo é uma cópia imperfeita de um modelo perfeito – eternidade. Isso significa que o tempo é uma mera sombra da eternidade. Considerando que somente a região imaterial das formas puras existe em si e por si, podemos dizer que o tempo platônico é uma ilusão. Ele é real apenas na medida em que participa do ser da eternidade.

sábado, 25 de junho de 2011

O Mundo das ideias

O Mundo das ideias

Se olharmos 20 cavalos lado a lado iremos verificar que nenhum deles é igual ao outro. Diferem na cor, no tamanho, nos defeitos. Mas saberemos que todos são cavalos. Por que temos esta certeza? Por que temos a imagem mental do que seja um cavalo.

Pois Platão interessou-se por este questionamento. Os filósofos anteriores a Sócrates, e por isso chamados pré-socráticos, se dedicaram a explicar os fenômenos da natureza e de que são constituídas as coisas. Alguns afirmaram que tudo era transitório, outros que nada mudava. Platão aproveitou as duas idéias.

Na natureza tudo era imóvel, mas ao mesmo tempo tudo mudava. O filósofo criou uma teoria de dualidade. Tudo na natureza é composto por duas partes.

Uma que alcançamos por nossos sentidos. Assim vemos o tamanho de um cavalo, sua cor, seus defeitos, sentimos seu cheiro, sentimos sua pele. É o que chamou de mundo sensível. E tudo que pertence a este mundo está em transformação, é transitório.

Mas a outra parte, que ele chamou de mundo das idéias, só é acessível pela razão. Neste mundo está a idéia do que seja um cavalo, a "forma" que "moldou" o cavalo. E o mundo das idéias é eterno e imutável.

O mais interessante, é que na sua teoria, este mundo da idéia existe antes do sensível. A idéia do cavalo existe antes do cavalo em si. Segundo Platão, as almas vivem no mundo das idéias e encarnam no mundo sensível esquecendo das idéias que existiam em seu mundo original. Quando tem contato com os cavalos através dos sentidos vai aos poucos lembrando da idéia de um cavalo. Esta idéia, que alcança através da razão, é o cavalo perfeito, eterno.

Desta forma, a alma existe antes do corpo, e em nosso mundo fica limitada pela matéria. O corpo é uma prisão para a alma. O bom é o mundo das idéias. O mundo da matéria é instável, aparente e tenta imitar sem muito sucesso o mundo das formas.

É claro que muita gente contesta esta idéia de Platão, a começar por seu discípulo mais famoso, Aristóteles. E você? O que acha?

sábado, 18 de junho de 2011

O Senso comum, o que é


O Senso comum...o que é

Em livros e sites de Sociologia (e de Filosofia) encontra-se muitas vezes a afirmação de que o senso comum é um conhecimento prático e a afirmação de que o senso comum é o mesmo que o conhecimento vulgar. No entanto, ambas as afirmações são incorretas e ai explico.

O senso comum inclui conhecimentos práticos (aquilo que se chama saber-fazer, como por exemplo saber cozer um ovo ou saber coser um botão), mas estes são apenas uma parte e não a totalidade do senso comum.

O senso comum inclui também conhecimentos que não são práticos. Nomeadamente, conhecimentos (embora pouco elaborados) de ideias – aquilo que em Filosofia se chama conhecimento proposicional ou “saber que”. Por exemplo: saber que (em Portugal) só se pode votar a partir dos 18 anos, saber que a lixívia debota a roupa, etc.

Por outro lado, o senso comum inclui também superstições (crenças falsas e sem qualquer justificação plausível, como por exemplo acreditar que ver gatos pretos traz infelicidade) e crenças não supersticiosas sobre os mais diversos aspectos da vida (convicções morais, políticas, sociais, etc., como por exemplo acreditar que se deve pagar as dívidas, acreditar que não se deve matar pessoas inocentes, etc.), que não têm um caráter prático.

Não se pode também dizer que o senso comum é o mesmo que o conhecimento vulgar. Os conhecimentos que fazem parte do senso comum são, sem dúvida, “vulgares”: são saberes simples, pouco elaborados e resultam da experiência de vida e não de investigações. Todavia, e como já foi dito, o senso comum inclui também superstições. Estas, sendo crenças falsas e sem justificação, não são conhecimentos. O problema não está, portanto, na palavra “vulgar”, mas na palavra “conhecimento”. Não se pode identificar senso comum e conhecimento vulgar, pois alguns conteúdos do senso comum não são conhecimentos.

As distinções entre senso comum e conhecimento prático e senso comum e conhecimento vulgar estão de acordo com a compreensão que os sociólogos habitualmente têm da natureza e do papel da Sociologia.

A segunda distinção é, nesse contexto, particularmente relevante. Os sociólogos reconhecem que têm de se precaver contra o senso comum. Alguns utilizam a esse respeito a expressão “ruptura com o senso comum”. O que tal expressão significa é que, para constituir conhecimentos sociológicos de caráter científico, o sociólogo não se deve deixar influenciar pelas crenças falsas que adquiriu no seio da sua comunidade ao longo do processo de socialização e não se deve contentar com as crenças verdadeiras que adquiriu do mesmo modo, pois aquelas são superstições enganadoras e estas não passam de conhecimentos vulgares e superficiais que precisam de ser aprofundados.

sábado, 11 de junho de 2011

Do Senso Comum ao Senso Crítico

O Senso Comum está cercado de opiniões não conclusivas, não fundamentadas e isso podemos observar facilmente em nosso cotidiano. Segundo o Dicionário Virtual Priberam, o senso comum é a “faculdade que a generalidade dos homens possui de raciocinar com acerto” e, o senso crítico, a “faculdade de apreciar e julgar com ponderação e inteligência”.

Por essas concepções, já podemos observar que existe relação entre eles. Enquanto no senso comum raciocinamos com a possibilidade de acertar, no senso crítico somos mais analíticos, ponderados e utilizamos de raciocínio inteligente para chegar a uma conclusão. No senso comum não precisamos de experiências para chegar à conclusão de algo, mas sim, de suposições.

Essas suposições encontramos em crenças, tradições e estão fortemente presentes em nossas vidas. Um forte exemplo disso vem lá de nossa infância, quando nossos pais nos proibiam de comer manga e tomar leite. Segundo a lenda, a ingestão dos dois elementos causaria uma forte intoxicação e poderia provocar a morte.

E essa história nada mais é do que realmente uma história, pois sabe-se que foi inventada com o intuito de proibir os escravos de tomarem leite, já que este era muito valorizado comercialmente.

Como chegaram a essa conclusão? Através do senso crítico, da análise, pois foi preciso vivenciar o ato, pesquisar sobre o assunto, para finalmente concluir que a mistura dos dois ingredientes resulta numa excelente vitamina e não numa poção mortal. Esse é só um exemplo que podemos encontrar em nosso cotidiano.

Quem cria, por exemplo, a idéia de moda, beleza, conduta e etiqueta? Os meios de comunicação e as facções políticas são “fábricas” especializadas em manipular as pessoas para compartilhar das mesmas idéias e dos mesmos ideais.

Podemos ainda citar que no Brasil, no auge da ditadura, o ensino de Filosofia e Sociologia foram extirpados das grades curriculares justamente por formar pensadores. E naquele momento, não era isso que o país queria. Queriam pessoas que simplesmente aceitassem sua condição social e não a questionassem.

Passemos então, ao senso crítico, pois mentira, mesmo que repetida mil vezes, só se tornará “verdade” nas cabeças que as aceitarem como tal.

sábado, 4 de junho de 2011

Dialética: Para além do senso comum


Dialética: Para além do senso comum

Para o senso comum, a oposição entre verdadeiro e falso é algo de fixo; habitualmente ele espera que se aprove ou se rejeite em bloco um sistema filosófico existente; e, numa explicação sobre tal sistema, ele só admite uma ou outra dessas atitudes. Não concebe a diferença entre os sistemas filosóficos como o desenvolvimento progressivo da verdade; para ele, diversidade significa unicamente contradição. O broto desaparece na eclosão da flor e poder-se-ia dizer que aquele é refutado por esta; do mesmo modo, o fruto declara que a flor é uma falsa existência da planta e a substitui enquanto verdade da planta.


Essas formas não só se distinguem, mas se suplantam como incompatíveis. No entanto, sua natureza cambiante faz delas momentos da unidade orgânica em que não só não estão em conflito, mas onde tanto um quanto outro é necessário; e essa igual necessidade faz a vida do conjunto. Mas comumente não é assim que se compreende a contradição entre sistemas filosóficos; e, ademais, o espírito que apreende a contradição habitualmente não sabe liberá-la ou conservá-la livre de sua unilateralidade, e reconhecer na forma, do que parece se combater e se contradizer, momentos mutuamente necessários.

sábado, 28 de maio de 2011

Senso Crítico ou Senso Comum


Senso Crítico ou Senso Comum

Senso Comum descreve as crenças e proposições que aparecem como normal, sem depender de uma investigação detalhada para alcançar verdades mais profundas como as científicas.

No Brasil dizem que não existem direitos para os mais pobres, que o Brasil é o país da corrupção, será mesmo.

A meu ver se os brasileiros exigirem seus direitos que estão na constituição, cobrar maior atuação dos políticos para melhoria da qualidade de vida podem ter certeza que muitas coisas irão mudar.

Senso crítico é a capacidade que um individuo tem de criar sua própria opinião, independente do senso comum. Desenvolver o senso critico é permitir ver o novo, é a oportunidade de criar. Ex Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, se formos, além disso, podemos desenvolver o nosso senso critico, Ele descobriu o Brasil após vieram os portugueses exploraram os nossos Índios nossa terra e hoje os Índios no Brasil sofrem com as mudanças culturais e muitos deles na atualidade não tem direito a terra.

Portanto a partir de hoje vamos desenvolver cada vez mais o nosso senso crítico e ao receber informações ou pesquisar algo vamos além e descobrir o novo para após podermos CRIAR.


sábado, 21 de maio de 2011

Relativismo cultural


Relativismo cultural

O Relativismo cultural é uma ideologia político-social que defende a validade e a riqueza de qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética dos mesmos.

O relativismo cultural defende que o bem e o mal, o certo e o errado, e outras categorias de valores são relativos a cada cultura. O "bem" coincide com o que é "socialmente aprovado" numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade. Portanto esta atitude consiste em aceitar as diferenças culturais, considerando que estas devem ser respeitadas e preservadas, e como tal não pode haver misturas entre as culturas. O relativismo cultural pode levar ao racismo, isolamento e estagnação.

Relativismo cultural é o princípio que prega que uma crença e/ou atividade humana individual deva ser interpretada em termos de sua própria cultura. Esse princípio foi estabelecido como axiomático na pesquisa antropológica de Franz Boas nas primeiras décadas do século XX e, mais tarde, popularizado pelos seus alunos. A idéia foi articulada por Boas em 1887: "...civilização não é algo absoluto, mas (...) é relativa, e, nossas idéias e concepções são verdadeiras apenas na medida de nossa civilização".

O Multiculturalismo foi o responsável por uma série de estudos de ordem organizacional dentro do mundo corporativo. Afinal, é justamente a esfera econômica a primeira a se emaranhar nos termos da globalização. E globalização comercial envolve, como vimos no caso Nintendo, a consideração de valores morais, de normas de comportamento e de modos corretos de se agir comercialmente. A questão é que agir comercialmente implica em resolver problemas que, em um contexto globalizado, nenhuma nação havia tido de enfrentar antes. Diante disso, o multiculturalismo se impõe como elemento fundamental na aprendizagem conceitual e nos processos de inovação, tão necessários na época da mobilidade. Isso ocorre porque, no que tange à resolução de problemas, como afirma Fleury, cada grupo desenvolve suas próprias formas de resolver seus problemas comuns, de acordo com sua própria cultura organizacional.

Se nossa cultura concebe formas de lidar com diversos problemas, incluindo os de ordem empresarial e corporativista, isso não quer dizer que nossas formas de resolução sejam as únicas possíveis, muito menos as únicas corretas ou adequadas. Abre-se, portanto, o caminho para a observação das diferenças de cultura organizacional como formas variadas de resolução, que muito podem contribuir para se enfrentar os novos problemas que emergem na pós-modernidade.

Dentro do novo contexto de relações empresariais que nos encontramos, para empreender um processo organizacional adequado e efetivo, torna-se necessário, conforme Afonso Fleury:

Compreender as formas de interação, as relações de poder no interior das organizações e sua expressão ou mascaramento através de símbolos e práticas organizacionais.

É o que teve de ser feito no caso da inserção dos países do Oriente no mercado Ocidental. Não bastou simplesmente o uso convencional das práticas administrativas. Tornou-se necessário o conhecimento do contexto cultural que valida as ações das empresas orientais. Da mesma forma, diante das circunstâncias diferenciadas emergentes nas novas relações de negócios, o juízo moral sobre as práticas culturais necessita ser reavaliado, o que coloca a questão ética em primeiro plano como elemento determinante nas orientações administrativas do século XXI.

sábado, 14 de maio de 2011

Etnocentrismo

Etnocentrismo

É a atitude de quem só reconhece legitimidade e valores às normas e valores vigentes na sua cultura ou sociedade. Ato da discriminação cultural baseado na crença de superioridade cultural.

Etnocentrismo é um fenômeno social muito comum em todos os aspectos culturais que vigoraram até o século XIX e mesmo no século XX, e que deve ser conhecido por conta de suas implicações nos processos administrativos e éticos dos tempos atuais nos quais nos encontramos.

Etnocentrismo poderia ser definido como um conceito antropológico, segundo o qual a visão ou avaliação que um indivíduo ou grupo de indivíduos faz de um grupo social diferente do seu é apenas baseada nos valores, referências e padrões adotados pelo grupo social ao qual o próprio indivíduo ou grupo fazem parte.

O conceito de etnocentrismo surge como uma característica comum aos povos antigos. Isolados geograficamente, cada grupo étnico forma sua própria cultura, com seus valores, comunicação e comportamentos adequados às representações de seus conceitos existenciais. Da mesma forma, como cada cultura atribui seus valores e leis, bem como suas normas de conduta, à legislação metafísica dos deuses, torna-se comum a crença de que sua cultura é a referência de juízo sobre todas as demais culturas, quando ocorre o encontro entre duas etnias diferentes.

Todavia, o que era justificado por um conjunto cultural organizacional sistêmico, quando ocorre a derivação para os meios comerciais, e quando as tecnologias delimitam as fronteiras geográficas, passa a ser utilizado como um referencial arbitrário, que pode não se justificar nos contextos de relações empresariais. Isso resultou em uma série de situações desagradáveis, e em choques de valores que culminaram em desorganização, equívocos e conflitos comerciais.

O fato de que o ser humano vê o mundo através de sua cultura tem como conseqüência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência, denominada etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos pela ocorrência de numerosos conflitos sociais.

Não existem grupos superiores ou inferiores, mas grupos diferentes. Um grupo pode ter menor desenvolvimento tecnológico (como, por exemplo, os habitantes anteriores aos europeus que residiam nas Américas, na África e na Oceania) se comparado a outro mas, possivelmente, é mais adaptado a determinado ambiente, além de não possuir diversos problemas que esse grupo "superior" possui.

sábado, 7 de maio de 2011

Harmonia das diferenças


Harmonia das diferenças

Você já pensou que o nosso grande problema, nas relações pessoais, é que desejamos que os outros sejam iguais a nós?

Em se falando de amigos, desejamos que eles gostem exatamente do que gostamos, que apreciem o mesmo gênero de filmes e música que constituem o nosso prazer. No âmbito familiar, prezaríamos que todos os componentes da família fossem ordeiros, organizados e disciplinados como nós. No ambiente de trabalho, reclamamos dos que deixam a cadeira fora do lugar, papel espalhado sobre a mesa e que derramam café, quando se servem.

Dizemos que são relaxados e que é muito difícil conviver com pessoas tão diferentes de nós mesmos. Por vezes, chegamos às raias da infelicidade, por essas questões.

E isso nos recorda da história de um menino chamado Pedro. Ele tinha algumas dificuldades muito próprias. Por exemplo, quando tentava desenhar uma linha reta, ela saía toda torta. Quando todos à sua volta olhavam para cima, ele olhava para baixo. Ficava olhando para as formigas, os caracóis, em sua marcha lenta, as florzinhas do caminho. Se ele achava que ia fazer um dia lindo e ensolarado, chovia. E lá se ia por água abaixo, todo o piquenique programado.

Um dia, de manhã bem cedo, quando Pedro estava andando de costas contra o vento, ele deu um encontrão em uma menina, e descobriu que ela se chamava Tina. E tudo o que ela fazia era certinho. Ela nunca amarrava os cordões de seus sapatos de forma incorreta nem virava o pão com a manteiga para baixo. Ela sempre se lembrava do guarda-chuva e até sabia escrever o seu nome direito. Pedro ficava encantado com tudo que Tina fazia. Foi ela que lhe mostrou a diferença entre direito e esquerdo. Entre a frente e as costas.

Um dia, eles resolveram construir uma casa na árvore. Tina fez um desenho para que a casa ficasse bem firme em cima da árvore.

Pedro juntou uma porção de coisas para enfeitar a casa. Os dois acharam tudo muito engraçado. A casa ficou linda, embora as trapalhadas de Pedro. Bem no fundo, Tina gostaria que tudo que ela fizesse não fosse tão perfeito. Ela gostava da forma de Pedro viver e ver a vida. Então Pedro lhe arranjou um casaco e um chapéu que não combinavam. E toda vez que brincavam, Tina colocava o chapéu e o casaco, para ficar mais parecida com Pedro.

Depois, Pedro ensinou Tina a andar de costas e a dar cambalhotas. Juntos, rolaram morro abaixo. E juntos aprenderam a fazer aviões de papel e a fazê-los voar para muito longe. Um com o outro, aprenderam a ser amigos até debaixo d'água. E para sempre.

Eles aprenderam que o delicioso em um relacionamento é harmonizar as diferenças. Aprenderam que as diferenças são importantes, porque o que um não sabe, o outro ensina. Aquilo que é difícil para um, pode ser feito ou ensinado pelo outro. É assim que se cresce no mundo. Por causa das grandes diferenças entre as criaturas que o habitam.

* * *

A sabedoria divina colocou as pessoas no mundo, com tendências e gostos diferentes umas das outras. Também em níveis culturais diversos e degraus evolutivos diferentes. Tudo para nos ensinar que o grande segredo do progresso está exatamente em aprendermos uns com os outros, a trocar experiências e valorizar as diferenças.

Autoria Desconhecida

sábado, 30 de abril de 2011

Walter Benjamin - Magia e Técnica - Arte e Política


Walter Benjamin - Magia e Técnica - Arte e Política

Walter Benedix Schönflies Benjamin nasceu em Berlim, em 15 de julho de 1892 e morreu em Portbou, na data de 27 de setembro de 1940. Era um filósofo e sociólogo judeu alemão.Associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, foi inspirado pelo místico judaico Gerschom Scholem.

Ele afirmava que há laços entre vida e palavra, evidenciando que a consciência decorre das práticas sociais e culturais da educação não formal. Ele dizia que “esse caráter de comunidade entre vida e palavra apóia-se na organização pré-capitalista do trabalho, em especial na atividade artesanal". Afirmava que "o artesanato permite, devido aos seus ritmos lentos e orgânicos, em oposição à rapidez do processo do trabalho industrial, e devido a seu caráter totalizante, em oposição ao trabalho fragmentário do trabalho em cadeia, por exemplo, uma sedimentação progressiva das diversas experiências e uma palavra unificadora".

Walter Benjamin tem razão, pois "o ritmo do trabalho artesanal se inscreve em um tempo mais global, tempo em que se tinha justamente, tempo para contar".

De acordo com ele, "os movimentos precisos do artesão, que respeita a matéria que transforma, têm uma relação profunda com a atividade narradora: já que esta é também, de certo modo, uma maneira de dar forma à imensa matéria narrável, participando assim da ligação secular entre a mão e a voz, entre o gesto e a palavra”. (Gagnebin, Apud Walter Benjamin, 2008, 10 e 11 - Magia e Técnica - Arte e Política).

Walter Benjamin afirma que quando este fluxo que liga mão e voz se rompe, quando não há mais a transmisão de uma experiência, porque as pessoas não se interessam mais umas pelas outras, cada uma passa a viver de forma isolada e neste compasso memória e tradição já não mais existem e o indivíduo se torna isolado. Assim, seguindo desorientado e com base somente em seus próprios recursos pessoais, desorienta-se e não tem mais com quem compartilhar. e torna-se um desaconselhado.

Nesta nova fronteira de tempo, precisamos de novas narrativas, novas fabulações pois as grandes narrativas como a globalização; trabalho para todos, não funcionam mais. Nós teremos que reinventar a vida e construir novos sonhos, num ato criativo de bricolagem de símbolos, significados e valores passíveis de reinvenção permanente e de experimentação livre” (BECK ; BECK-GERNSHEIM E ALAIN EHRENBERG, Apud BENDASSOLI, 2007, 294 - Trabalho e Identidade em Tempos Sombrios).

Parafraseando Benjamin, a narração não é de modo algum um produto só da voz. A alma, o olho e a mão definem uma prática e esta nos deixou de ser familiar, porque o trabalho produtivo foi sendo transformado em tecnologia e o lugar que o trabalho ocupava durante a narração está agora vazio. Sua voz se calou!

Na verdade o narrador é a figura na qual o humano se encontra consigo mesmo e sem narrativas (conjuntas, participativas) o ser humano está despossuído de si mesmo, vagando pela estrada que ao final, não vai dar em lugar nenhum!

Fonte: http://conhecimentoefilosofia.blogspot.com/2011/01/walter-benjamin-magia-e-tecnica-arte-e.html
acesso março 2011

sábado, 23 de abril de 2011

O tempo e a atualidade de Walter Benjamin

O tempo e a atualidade de Walter Benjamin

Um dos intelectuais mais influentes do século 20, Walter Benjamin sempre procurou associar seu pensamento às questões de seu tempo. Sua trajetória intelectual pode muito bem ser lida como esforço de um autor comprometido com a reflexão crítica sobre sua época. Nascido na cidade de Berlim, em 1892, de origem judaica, Benjamin estudou filosofia e literatura nas universidades de Freiburgo, Berlim e Munique. Durante a I Guerra Mundial, emigra para a Suíça, onde, em 1919, obtém o título de doutor na Universidade de Berna, com um trabalho sobre o conceito de crítica de arte no romantismo alemão. Nos anos seguintes, período conhecido na Alemanha como República de Weimar (1919-1933), Benjamin trabalhou como crítico literário publicando em importantes jornais da época.

Uma de suas contribuições foi escrever sobre a chamada perda da experiência.Nos seus relatos, usou como imagem um acontecimento depois da primeira guerra mundial, questionava por que os soldados que voltavam da guerra regressavam sem nada para contar, mudos?

“Não era perceptível ao fim da guerra que os homens que voltavam dos campos de batalha haviam ficado mais silenciosos, não mais ricos e sim mais pobres em experiência comunicável. Se aceitarmos a noção de que a narrativa deriva da necessidade humana básica de explicar a realidade, não é surpreendente que houvesse menos entusiasmo a seu respeito em 1919. Como alguém poderia esperar poder explicar qualquer coisa no mundo onde a tecnologia humana movida pela cobiça humana havia mudado tudo, exceto as nuvens no céu?” (Walter Benjamin)

Por que os soldados voltavam sem nada para contar? Vazios de experiência?Walter Benjamin usou a idéia do Freud, a função permanente da consciência de aparar choques e de reagir a estímulos impede não só a consistência psíquica do que foi vivido, porque não dá para o psiquismo acompanhar e representar, memorizar e criar uma narrativa para o que foi vivido, como impede a transmissão.

Para Freud, isso é experiência, a qual é a obra psíquica de uma vida inteira, ou seja, poder narrar para mim mesmo o que eu estou vivendo e achar que algo disso que eu estou vivendo pode ser transmitido para o outro, de forma em que se cria uma espécie de corrente e a vida não pertence apenas àquele que vive, mas uma vida que se transmite, a sabedoria de vida, o legado.

Para Benjamin, o homem contemporâneo perdeu o valor da experiência, contrapondo a palavra experiência à palavra vivência. Essa vivência que não produz narrativa nem transmissão.

sábado, 16 de abril de 2011

Walter Benjamin... mas com o pensamento na modernidade


Walter Benjamin... mas com o pensamento na modernidade

Em “O narrador”, Benjamin formula uma outra experiência: além de constatar o fim da narração tradicional, esboça a ideia de uma outra narração – uma narração nas ruínas da narrativa, uma transmissão entre os cacos de uma tradição em migalhas; portanto, uma renovação da problemática da memória.

O narrador não tem por alvo recolher os grandes feitos. Deve muito mais apanhar tudo aquilo que é deixado de um lado como algo que não tem significação, algo que parece não ter nem importância nem sentido, algo com que a história oficial não sabe o que fazer. Ou ainda: o narrador e o historiador deveriam transmitir o que a tradição, oficial ou dominante, justamente não quer recordar.

Em “O narrador”[Walter Benjamin et al. São Paulo: Abril Cultural, 1983. Os pensadores], Walter Benjamin repercorre a história da arte de narrar observando-a de um ângulo que absorve o avanço técnico, mas que percebe a perda de humanismo. Ele anota: “O indício mais remoto de um processo em cujo término se situa o declínio da narrativa é o advento do romance no início da Era Moderna.

O que separa o romance da narrativa (e do gênero épico em sentido estrito) é sua dependência essencial do livro. A difusão do romance só se torna possível com a invenção da imprensa. A tradição oral, patrimônio da épica, tem uma natureza diferente da que constitui a existência do romance. O que distingue o romance de todas as outras formas de criação literária em prosa – o conto-de-fadas, a saga, até mesmo a novela – é o fato de não derivar da tradição oral, nem entrar para ela. Mas isso o distingue sobretudo da ação de narrar. O narrador colhe o que narra na experiência, própria ou relatada. E transforma isso outra vez em experiência dos que ouvem sua história. O romancista segregou-se. O local de nascimento do romance é o indivíduo na sua solidão, que já não consegue exprimir-se exemplarmente sobre seus interesses fundamentais, pois ele mesmo está desorientado e não sabe mais aconselhar.

LIVROS - Onde buscar conhecimento e ensinamentos históricos para superar os desafios da realidade? Walter Benjamin respondeu com a sua prática: nos livros. O conhecimento e a experiência antes guardados na memória, hoje têm o seu lugar de armazenamento privilegiado nos livros. Mas a profusão de informação circulante não nos permite a simplificação hedonista. Experiência de vida e experiência de leitura, quando bem orientadas, podem iluminar o próximo passo.

Os textos críticos dirigidos à questão do poder e do direito (“Crítica da violência, crítica do poder”, de 1921), crítica do que ele denominou de concepção “burguesa”, ou seja, instrumental, da linguagem (“A tarefa do tradutor”, de 1921, e do artigo de juventude “Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem dos homens”, de 1916). Refletiu em vários ensaios críticos sobre questões como a da coleção e do colecionismo (textos sobre coleção de brinquedos e de livros), escritos voltados para a recordação de sua infância (Crônica berlinense e Infância e, Berlim) são profundamente inovadores.

Sua produção crítica era, ao mesmo tempo, teoria da literatura (como as de Proust, Kafka, Brecht, Goethe, Hebel etc). Seu livro sobre o drama barroco alemão, e as reflexões que acompanham as notas de seu trabalho que ficou incluso sobre as passagens de Paris são mais eloquentes. Com Benjamin aprendemos que a cultura é a partir de meados do século 20 toda ela como que transformada em um documento e, mais ainda, ela passa a ser lida como testemunho da barbárie.

Diante das radicais mudanças ocorridas na humanidade ao longo do século XX (século de avanços tecnológicos gigantescos, mas também de uma violência e de uma capacidade genocida nunca antes posta em prática como então) Benjamin procurou “soprar” sobre este novo homem e esta nova paisagem, palavras e imagens que deveriam nos ajudar a perceber nossos novos contornos. Ajudar a realizar o design da humanidade na era da sua reprodução sintética.

A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica, seu texto mais influente no campo da história da arte foi publicado em 1936. Nele, Benjamin trata da perda “aurática” da obra de arte, em função das novas técnicas de reprodução, cujo paradigma estaria no cinema e na fotografia, artes nas quais se perde a distinção entre cópia e original. Ele analisa as conseqüências no desenvolvimento da própria arte, as mudanças na percepção do espectador e os impactos sociais e políticos que se desdobrariam a partir desse novo paradigma.

sábado, 9 de abril de 2011

Crítica da cultura moderna na filosofia de Walter Benjamin...Arte massificada… e exposta


Crítica da cultura moderna na filosofia de Walter benjamin...Arte massificada… e exposta

Walter Benjamin é um importante filósofo do século XX. Ele pertenceu à famosa Escola de Frankfurt, cujos resultados são de uma brutal fecundidade para o pensamento contemporâneo.

“No interior de grandes períodos históricos, a forma de percepção das coletividades humanas se transforma ao mesmo tempo que seu modo de existência”. Essa é a frase dita por Walter Benjamin, na qual percebemos que o homem é totalmente influenciado pelo meio em que vive.

O ser humano que vive no capitalismo pós-industrial é marcado por idéias e concepções lançadas pela indústria cultural, pela indústria que determina o nosso modo de vida por curtos períodos constantes de tempo.

A aura é uma contemplação, uma coisa que aparece distante, mesmo que esteja perto. As massas atualmente, entretanto, não querem o distanciamento! Ao contrário, elas querem ter algo o mais próximo possível, perdendo o caráter único de cada coisa. Logo, a aura é destruída e ao invés da unidade e durabilidade, temos a transitoriedade e repetibilidade (imagem).

Foi também por seguir os conceitos impostos pela sociedade na indústria cultural que o valor de culto (obras criadas a serviço de um ritual) deu lugar ao valor de exposição (obras criadas a partir de sua exponibilidade).

Além disso, Walter Benjamin defende a ideia de que as formas de sensibilidade humana se alteram com essa transitoriedade e repetibilidade das coisas, com essa imagem de reprodução – com a destruição da aura talvez tenhamos perdido a essência de nosso ser.

Talvez tenhamos nos tornado robôs consumistas que simplesmente atendem às regras impostas pela indústria cultural. Talvez perder a aura signifique perder a alma. Talvez a reprodutibilidade técnica não aproxime o indivíduo da obra, como se costuma crê, ao passo que no meu conceito a obra é sua essência, assim como a alma é a nossa.

Impossível seria essa aproximação sendo que não há mais essência, sendo que ela fora destruída com o apelo das massas. Talvez a sociedade apenas acredite que está cada vez mais próxima das obras com a reprodutibilidade, quando na verdade está mais longe, perdendo o seu principal e não podendo assimilar nada devido à transitoriedade que ela espelha.

Walter Benjamin foi um dos maiores pensadores do século XX. Praticando a crítica da cultura moderna, ele atravessou assuntos como literatura, história, cinema, poesia, religião, política, linguagem, ética, arte… Mas jamais deixou a Filosofia como base de sua análise.