sábado, 27 de março de 2010

Identidade cultural: a língua como registro


A língua nacional como registro

A literatura popular representa o registro do patrimônio lingüístico de um povo e, nesse sentido, a língua, como matéria prima desse registro, torna-se um elemento de unificação. Por tal razão, a consciência da importância de preservarmos nossa identidade cultural é o primeiro passo para preservarmos a própria cidadania. A língua, como elemento unificador, como espelho de uma cultura; sua sonoridade, sua estrutura, sua elocução, que constituem o sentido histórico e político de uma nação. Sua IDENTIDADE e a identidade de um povo – seus cidadãos.

No início da colonização portuguesa no Brasil , o tupi (mais precisamente, o tupinambá, uma língua do litoral brasileiro da família tupi-guarani) foi usado como língua geral na colônia, juntamente com português, principalmente graças aos padres jesuítas que haviam estudado e difundido a língua. Em 1757, a utilização do tupi foi proibida por uma Provisão Real. Tal medida foi possível porque, a essa altura, o tupi já estava sendo suplantado pelo português, em virtude da chegada de muitos imigrantes da metrópole. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, o português fixou-se definitivamente como o idioma do Brasil. Das línguas indígenas, o português herdou palavras ligadas à flora e à fauna (abacaxi, mandioca, caju, tatu, piranha), bem como nomes próprios e geográficos.

Com o fluxo de escravos trazidos da África, a língua falada na colônia recebeu novas contribuições. A influência africana no português do Brasil, que em alguns casos chegou também à Europa, veio principalmente do iorubá (vocabulário ligado à religião e à cozinha afrobrasileiras) e do quimbundo angolano (palavras como caçula, careca, moleque e samba).

Um novo afastamento entre o português brasileiro e o europeu aconteceu quando a língua falada no Brasil colonial não acompanhou as mudanças ocorridas no falar português, principalmente por influência francesa, durante o século XVIII, mantendo-se fiel, basicamente, à maneira de pronunciar da época da descoberta. Uma reaproximação ocorreu entre 1808 e 1821, quando a família real portuguesa, em razão da invasão do país pelas tropas de Napoleão Bonaparte, transferiu-se para o Brasil com toda sua corte, ocasionando um reaportuguesamento intenso da língua falada nas grandes cidades.

Após a independência (1822), o português falado no Brasil sofreu influências de imigrantes europeus que se instalaram no centro e sul do país. Isso explica certas modalidades de pronúncia e algumas mudanças superficiais de léxico que existem entre as regiões do Brasil, que variam de acordo com o fluxo migratório que cada uma recebeu.

No século XX, a distância entre as variantes portuguesa e brasileira do português aumentou em razão dos avanços tecnológicos do período: não existindo um procedimento unificado para a incorporação de novos termos à língua, certas palavras passaram a ter formas diferentes nos dois países (comboio e trem, autocarro e ônibus, pedágio e portagem). Além disso, o individualismo e nacionalismo que caracterizam o movimento romântico do início do século intensificaram o projeto de criação de uma literatura nacional expressa na variedade brasileira da língua portuguesa, argumento retomado pelos modernistas que defendiam, em 1922, a necessidade de romper com os modelos tradicionais portugueses e privilegiar as peculiaridades do falar brasileiro que consagrou literariamente a nossa língua como brasileira.

sábado, 20 de março de 2010

Identidade Brasil: a resistência da cultura nacional

Cultura ou produto para consumo?

Desde 7 de setembro de 1822, os brasileiros buscam compreender o que nos une e nos torna uma nação independente e coesa. Nosso modelo político é frágil, pois reproduz, ainda hoje, a relação entre senhores de engenho, leia-se classe médio/alta, e a senzala. Desde muito cedo, quando a chamada “civilização” aportou com suas naus por aqui, convivemos com o espectro do modelo do dominador: ser europeu/estadunidense ou descender deles significa ser civilizado em terra brasilis. Concede um ar aristocrata à família, como se nos fizesse pertencer a uma “casta” mais alta e por isso devessemos ser tratados de maneira diferenciada.

Esquecemos que mesmo os estrangeiros que aqui aportaram, nos vários momentos da história do Brasil, invariavelmente serviram como escravos ou empregados explorados pelos patrões. Sim, nossa grande população descende de anglo-saxões, latinos, asiáticos, negros e gentios que é oriunda do trabalho árduo escravo ou no limiar da escravidão. Por conta de nossa arrogância e ignorância, passamos a acreditar que os únicos traços culturais que possuem valor são os do branco dominador: o Natal, a Páscoa, o Dia das Bruxas entre tantos outros.

O que aconteceu com as nossas celebrações rurais? Com nossas comemorações religiosas sincréticas como a Umbanda, a Congada, a Folia de Reis? Ainda permanecem no canto escuro do preconceito de nossa sociedade que tenta a todo custo arremedar os “gringos” que, por interesses tácitos a sustentação de seus negócios, continuam a nos ditar regras. O mais incômodo de tudo isso é que continuamos a acreditar nestas regras como estabelecidas por seres “que sabem o que fazem pois em seus países tudo funciona”. No meu país tudo funciona. A única coisa que não funciona é o imaginário do brasileiro, principalmente dos “domesticados” pela cultura estrangeira, pelo mundo das revistas de celebridades e pela exposição maciça aos telejornais de jornalismo marrom.

Cansei! Não como os nossos queridos burgueses do movimento, mas cansei de ver nossa cultura explorada como produto, onde transitam parasitas e alpinistas sociais sempre em busca de exposição, sem contribuição ou preocupação alguma com a cultura de nosso país. Parafraseando o português Fernando Pessoa, na pele de Álvaro de Campos: ” Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há brasileiros no Brasil?

sábado, 13 de março de 2010

Cultura brasileira: sintese


Cultura em síntese

A cultura brasileira reflete os vários povos que constituem a demografia do gigante sul-americano: indígenas, europeus, africanos, asiáticos, árabes etc. Como resultado da intensa miscigenação de povos, surgiu uma realidade cultural peculiar, que sintetiza as várias culturas e se revela, especialmente, nos grandes centros urbanos.

Em cada uma das regiões desse vasto país, é possível encontrar, porém, manifestações culturais próprias de cada um desses grupos étnicos, particularmente nos pequenos municípios e comunidades rurais.

No nordeste, nomeadamente na Bahia e no Maranhão, são comuns as festas, os ritos e os ritmos da tradição africana; no norte do País, o folclore e a culinária indígenas; no sul, as tradições européias, das quais merecem destaque a alemã e a italiana, havendo, mesmo, algumas delas que, tendo já desaparecido em seus países de origem, só subsistem no Brasil.

A tensão entre o que seria considerado uma cultura popular e uma erudita sempre foi bastante problemática no país. Durante um longo período da história, desde o descobrimento até meados dos séculos XIX e XX, a distância entre a cultura erudita e a popular era bastante grande: enquanto a primeira buscava ser uma cópia fiel dos cânones e estilos europeus, a segunda era formada pela adaptação das culturas dos diferentes povos que formaram o povo brasileiro em um conjunto de valores, estéticas e hábitos rejeitado e desprezado pelas elites.

Grande parte do projeto estético modernista foi justamente o de resgatar nos campos considerados "nobres" da Cultura (nas artes em geral, na literatura, na música, etc) e até mesmo nos hábitos cotidianos a vertente popular, considerando-a como a legítima cultura brasileira.

sábado, 6 de março de 2010

Identidade da cultura brasileira


e dando continuidade as identidade da cultura brasileira

As manifestações culturais de negros e indígenas são partes importantes na afirmação das identidades étnicas e da tradição. São manifestações que celebram a vida, a morte; que apresentam hábitos artístico, culturais e espirituais. Além disso, a diversidade das culturas, das diferentes visões de mundo e dos diversos modos de viver o cotidiano é um riquíssimo patrimônio da cultura brasileira – já reconhecida em todo o mundo.

A identidade étnico-cultural, portanto, é responsável por estabelecer as bases de como a pessoa interage com o mundo, com a natureza, com a sociedade, entre muitas outras coisas. Esses são alicerces para toda a vida e que começam a ser construídos já nos primeiros anos da criança a partir do convívio com familiares, com os mais velhos, nas escolas, nas comunidades ou nas aldeias onde vive.

Valorizar as identidades e a cultura negra e indígena tem se apresentado como um caminho para assegurar, para as novas gerações, a noção de pertencimento local ou regional, o aumento da auto-estima, a valorização da tradição e a resistência para manter viva a identidade, a preservação e o desenvolvimento regional.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Os entrelaces da cultura brasileira


Os entrelaces da cultura brasileira e seus exemplos

As manifestações culturais desde a antiguidade trouxeram características fundamentais para o entendimento do povo. No Egito Antigo, os faraós eram grandes interceptores dos valores espirituais na terra, a qual se conjugava a forma divina. Atualmente, as diversas formas culturais dos povos são destacadas pela sua exaltação a uma identidade própria.

Os negros vindos da África no período da escravidão não foram só dores, mas também a difusão das raças na cultura brasileira sendo criada a personalidade brasileira. Com as canjicas, a capoeira, suas danças, seus ritmos, suas tradições o povo brasileiro foi se formando e hoje é um dos povos mais rico culturalmente.

Portanto, a nossa diversidade cultural é o princípio de participação na sociedade brasileira e isto se advém da nossa integração com outros povos.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Cultura brasileira em pauta e evidência II


E dando continuidade...

A característica fundamental idealizada por países desenvolvidos, é de que o crescimento econômico esta alinhado ao desenvolvimento social. Esta questão justificava o fato destes países terem preservado uma cultura voltada para um ideal de desenvolvimento. De fato, o progresso só obteve sucesso com os investimentos feito em pesquisas e educação, que sempre foram muito abrangentes e eficientes. O padrão de vida familiar sempre apresentou uma boa base, voltado para o desejo de crescimento econômico.

Nessa situação, essas nações primordiais sempre direcionaram seus povos a um estilo de vida baseado no sistema educacional rígido, com disciplina, moralidade, eficiência e força de vontade. Desde seus primórdios anos da era industrial, a educação foi a que mais recebeu atenção. A idéia sempre foi valorizar e implantar a figura do profissional do trabalho. Para isso, era necessário criar cursos de aperfeiçoamento e treinamento, capazes de oferecer funcionários competentes para as atividades corporativas da época. Contudo, o que fica abordado é que todas essas aplicações vieram como um aprendizado.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cultura brasileira em pauta e evidência


...e dando continuidade as noções...

Cultura é tudo aquilo que não é natureza, ou seja, tudo o que é produzido pelo ser humano. Por exemplo: a terra é natureza e o plantio é cultura. Uma das características da nossa sociedade é a grande diversificação interna. A diferenciação básica decorre do fato de que a população se posiciona de modos diferentes no processo de produção. Há diferenças de renda, de estilo de vida, de acesso às instituições públicas tais como escola, hospital, centros de lazer. Da mesma forma, a diversificação acompanha a variedade de paisagens regionais do país.

Assim, ao estudarmos cultura no Brasil, podemos nos preocupar em saber o que seria a cultura nacional, ou qual seria a importância dos meios de comunicação de massa na vida do país, ou indagarmos sobre a cultura das classes sociais ou sobre a cultura popular.

A partir de uma idéia de refinamento pessoal, cultura se transformou na descrição das formas de conhecimento dominantes nos Estados nacionais que se formavam na Europa a partir do fim da Idade Média. Esse aspecto das preocupações com a cultura nasce assim voltado para o conhecimento erudito ao qual só tinham acesso setores das classes dominantes desses países.

Esse conhecimento erudito se contrapunha ao conhecimento havido pela maior parte da população, um conhecimento que se supunha inferior, atrasado, superado, e que aos poucos passou também a ser entendido como uma forma de cultura, a cultura popular.

Entende-se por cultura popular as manifestações diferentes da cultura dominante, que estão fora de suas instituições. Assim sendo, distinguimos: o erudito marcado pela branquidade e europeidade e o popular, marcado pelas camadas subalternas, mais criativas, mais abertas à convivência humana e ao atendimento imediato das necessidades espirituais, esta cultura dita como “vulgar” foi recheada de elementos indígenas e africanos.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nocões e considerações preliminares da cultura mundial de massas


A plurarização cultural

Entramos na era da "cultura mundial de massas", na qual Arnold Gehlen via a aparição de um "novo primitivismo". Esta cultura planetária, ocidental e "americanomorfa", pode ser dividida esquematicamente em três grandes setores normalizados:

a) a "cultura de massas" propriamente dita, que produz o E.T. ou a música eletrônica e cuja gênesis foi colocada em manifesto por Theodor Adorno;

b) a cultura elitista, frequentemente abstrusa e abstrata, totalmente universalista e cuja função é social e discriminatória: substituir as divisões etno-geográficas por uma estratificação vertical entre "gentes cultivadas" e o "grande público", à escala de toda a civilização ocidental;

e por último uma cultura "de museu" que codifica a tradição, racionaliza a memória coletiva e gere o passado, com o objetivo de transformar cada cultura nacional num stock folclórico inofensivo que participe no "patrimônio da humanidade".

Nos três casos, é a noção de cultura vivente e específica que desaparece, e com ela a possibilidade de dar uma expressão histórica a uma forma cultural.

A cultura mundial de massas caracteriza-se por duas particularidades principais que impedem praticamente todo o povo que participa nelas realizar uma política cultural nacional: o economicismo (ou a "economização da cultura") e o cosmopolitismo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ainda acerca da cultura


Ainda acerca da cultura

A pergunta é difícil e suscita respostas muito abrangentes. Num ponto tenho a certeza: a cultura é uma fonte inesgotável de riqueza pessoal.

“A cultura é essencial para quê ? Poderíamos começar assim. Mas primeiro ainda fui ao dicionário procurar a palavra “cultura”. Deparei-me com vários significados; pelo menos dois são importantíssimos.

Um: Cultura - desenvolvimento dos conhecimentos e das capacidades intelectuais, quer em geral, quer num domínio particular.

Dois: Cultura - maneiras coletivas de pensar e de sentir, conjunto de costumes, de instituições e de obras que constituem a herança social de uma comunidade ou grupo de comunidades. Engraçado, não é ? Como o primeiro significado da palavra “cultura” se tem vindo a revelar tão necessário para que o segundo possa ser melhor! Se não desenvolvermos as nossa capacidades intelectuais e não ampliarmos os nossos conhecimentos, teremos muito mais dificuldade em compreender corretamente outras “culturas”. Daqui surgem depois questões e conceitos como racismo, xenofobia, violência. Uma pessoa que tenha a referida “cultura” será sempre mais tolerante, mais compreensiva, mais atenta, porque sabe, porque conhece, porque entende. Poderá, assim, fazer com que a segunda definição de “cultura” seja mais coerente e efetiva; poderá fazer com que a herança social da sua comunidade seja mais pacifica,mais solidária. A cultura é essencial? Sem dúvida. Para consolidarmos a nossa comunidade numa base pacifica, tolerante, solidária com o próximo. É preciso conhecer para entender. É preciso conhecer para aceitar. Como dizia a minha avó “ o saber nunca fez mal a ninguém.” E além disso, não ocupa lugar”.

“A cultura é essencial mas não vamos supor que ter cultura é ser erudito, muito cheio de ciências e de saberes. Uma pessoa pode ter pouca instrução mas ter uma linguagem muito culta, modos muito civilizados, sempre boas maneiras. O ideal é reunir a cultura de um povo com os vastos conhecimentos que se prendem nos livros, e claro, de preferência tirar um curso mesmo médio.

Se por um lado é essencial para distinguir os costumes, os hábitos, a tradição de um povo, porque afinal de contas todos nos orgulhamos das raízes, de falarmos uma determinada língua, de nos vestirmos assim ou simplesmente de termos nascido neste país , por outro é a responsável pelas discriminações e xenofobias. Se existe racismo é devido á cultura. Muito dificilmente uma cultura aceita outra e esta “outra” é quase sempre sinônimo de inferioridade. São criados preconceitos que ao longo do tempo têm tendência a generalizar-se e tornarem-se inalteráveis. Só que tirando esta formalidade da cultura, somos todos de carne e osso, todos respiramos, todos vivemos e morremos independentemente da nacionalidade, da cor da pele ou da língua que falamos.

A cultura não é só o saber acumulado ao longo do tempo é preciso saber fazê-lo valer, para nos ajudarmos a nós próprios, através do respeito para com os outros. A cultura é saber e conhecimento, mas acima de tudo respeito e educação para com os que sofrem, os menos afortunados. Porque a ignorância faz parte de todos nós.

É essencial partilhar com os outros o conhecimento que se adquire ao longo da vida. A cultura é como água numa esponja, alguém disse e eu estou plenamente de acordo. Ser culto não é uma opção, mas sim uma obrigação!

Recordo-me de uma conversa entre a Maria e a Joaquina a dada altura diz a Joaquina para a Maria quando for grande quero ter muitos vestidos, a Maria responde eu quero ter muita cultura, mas a Joaquina pergunta-lhe se saíres á rua sem cultura és presa? A Maria diz logo não. Diz a Joaquina então experimenta saíres sem vestido. Dá que pensar, pois é um pouco a realidade que se vive num segundo plano, se não dizer último plano.

Se a cultura é essencial!? É, eu tenho a certeza que sim.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Cultura e arte


Cultura e arte

Ao falar de cultura, é possível fazer um corte no sentido amplo do termo e referir-se apenas a alguns aspectos da produção humana, ligados às diferentes práticas artísticas: pintura dança, música, teatro, literatura, cinema, vídeo, escultura, entre outras. Essa produção cultural, além do caráter simbólico que toda cultura tem, existe independentemente das relações utilitárias e funcionais, ou seja, podemos dizer que elas são inúteis para a nossa vida prática. Um vaso grego, por exemplo, extrapola o valor utilitário de objeto para guardar água, vinho ou óleo. Esse vaso era feito para aparecer, para figurar entre as coisas do mundo, apoderando-se da atenção do espectador, comovendo-o, revelando significados internos que sobrevivem a cada geração. É o reflexo de uma civilização que prezava a simetria, a beleza ideal, o culto aos deuses, a perfeição do fazer artístico e artesanal.

Nesse sentido, então, nem tudo é obra de cultura e é necessário estabelecer distinções entre o que é cultura e o que é entretenimento ou diversão.

Uma obra de arte nos traz um novo conhecimento de mundo. Esse conhecimento não é lógico e racional, mas intuitivo, concreto e imediato, na medida em que nos faz compreender um sentimento de mundo. Voltando ao exemplo do vaso grego, podemos perceber que ele nos transmite o sentimento de um mundo simétrico, proporcional, razoavelmente estável e seguro. Já uma obra de arte contemporânea, como as anamorfoses de Regina Silveira, em que os objetos do cotidiano são apresentados como sombras deformadas dos objetos que existem no mundo real, nos traz o sentimento de um mundo desordenado, torto, inseguro. Um exemplo mais próximo, o videoclipe, revela a velocidade da vida contemporânea (com mudanças bruscas de cena), a fragmentação e a falta de sentido aparente.

A obra de arte, para ter esse efeito sobre nós, apresenta um modo novo de ver a realidade, porque ela não se refere necessariamente ao que de fato existe. A arte não representa o mundo como ele é, mas como poderia ser. Para isso, ela inova em termos de materiais – por exemplo, uma escultura hoje pode ser construída a partir da luz e não de materiais tradicionais como a madeira, a pedra ou o metal; ou uma obra "desenhada" com cortes sobre a tela, em vez da tinta. Inova em temas, inova em estilos e linguagens, cria novos códigos para ser fiel à sua função de evocar um sentimento de mundo.

A arte não tem a obrigação de explicar nada, não é um discurso lógico e, nesse sentido, não explica nada por conceitos. Ela nos faz sentir, por meio de uma obra concreta, uma possibilidade do mundo entrevista pelo artista. Ela nos traz a compreensão de certos aspectos do mundo.

Um produto para o entretenimento e diversão, ao contrário, é repetitivo, só confirma o que já sabemos, ajuda-nos a passar o tempo de uma forma agradável, sem que precisemos engajar nossa sensibilidade, nossos sentimentos ou nossa inteligência na sua interpretação. Ele reforça os valores da cultura em sentido amplo: sabemos de antemão que os maus serão punidos, os bons recompensados, a personagem principal não vai morrer no fim da história, e todos os problemas serão resolvidos a contento, a fim de não provocarem angústias e dúvidas a respeito da vida e do mundo. Esses produtos apaziguam, não criam polêmicas, não nos obrigam a mudar de atitude ou modo de ser e pensar. Eles são construídos respeitando e reafirmando os códigos da cultura dentro da qual são criados. Por isso mesmo, têm o poder de entreter e divertir.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Cultura ou culturas?
Cultura ou culturas? eis a questão...

Devemos falar de uma só cultura ou de muitas culturas? Mesmo dentro de um país, existe uma cultura homogênea, ou várias culturas que se sobrepõem, coexistindo lado a lado?

Na verdade, basta olhar ao nosso redor para sabermos que há muitas culturas dentro de cada país. No caso do Brasil, temos contribuições culturais da colonização pelos portugueses, dos povos indígenas que habitavam estas terras, dos africanos que foram trazidos como escravos, dos imigrantes italianos, alemães, japoneses, coreanos. O que mantém a unidade, entretanto, entre essas várias culturas é a ocupação de um mesmo território, o uso da mesma língua, o compartilhamento de uma mesma história nacional.

É possível, entretanto, falar também de cultura caipira, cultura rural, cultura sertaneja, cultura urbana, cultura nordestina, cultura paulista, cultura carioca e assim por diante, apenas considerando a diversidade geográfica do país e os diferentes tipos de vida de cada um desses grupos.

É só comparar a cultura do Rio Grande do Sul com a do Amazonas para sabermos que as diferenças também são imensas. Do ponto de vista geográfico, o estado do Rio Grande do Sul é dominado pelos pampas, ou seja, por grandes planícies de vegetação rasteira, adequadas para a criação de gado em grandes fazendas. O clima é subtropical, com quatro estações bem demarcadas. O tipo de ocupação dessas terras dá origem à cultura gaúcha, da qual fazem parte o chimarrão, a bombacha, a chimarrita, o churrasco feito a céu aberto, um vocabulário adequado às necessidades e tradições da região. Essa cultura, ainda hoje, é preservada nos Centros de Tradição Gaúcha, que se encarregam de transmiti-la a crianças e jovens, mantendo-a viva no cotidiano de seu povo.

Na Amazônia, ao contrário, a presença da floresta, dos grandes rios e dos igarapés, das várias tribos indígenas levam ao florescimento de uma outra cultura, mais ligada ao modo de vida ribeirinho, dependente da pesca e da coleta. As histórias, as festas, os mitos fazem menção aos animais da floresta que trazem sorte ou azar, mesclando-os a personagens da corte portuguesa.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A importância da Arte na cultura


Tudo é cultura?

Sim e não, dependendo de usarmos o conceito amplo de cultura ou o conceito restrito. Considerando, em primeiro lugar, o conceito amplo ou antropológico, cultura é o modo como indivíduos ou comunidades respondem às suas próprias necessidades e desejos simbólicos. O ser humano, ao contrário dos animais, não vive de acordo com seus instintos, isto é, regido por leis biológicas, invariáveis para toda a espécie, mas a partir da sua capacidade de pensar a realidade que o circunda e de construir significados para a natureza, que vão além daqueles percebidos imediatamente. A essa construção simbólica, que vai guiar toda ação humana, dá-se o nome de cultura.

A cultura, nesse sentido amplo, engloba a língua que falamos, as idéias de um grupo, as crenças, os costumes, os códigos, as instituições, as ferramentas, a arte, a religião, a ciência, enfim, toda as esferas da atividade humana. Mesmo as atividades básicas de qualquer espécie, como a reprodução e a alimentação, são realizadas de acordo com regras, usos e costumes de cada cultura particular. Os rituais de namoro e casamento, os usos referentes à alimentação (o que se come, como se come), o preparo dos alimentos, o tipo de roupa que vestimos, a língua que falamos, as palavras de nosso vocabulário, tudo isso é regulado pela cultura à qual pertencemos. A função da cultura é tornar a vida segura e contínua para a sociedade humana. Ela é o "cimento" que dá unidade a um certo grupo de pessoas que divide os mesmos usos e costumes, os mesmos valores.

Deste ponto de vista, portanto, podemos dizer que tudo o que faz parte do mundo humano é cultura.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Aprendizado cultural


Aprendizado cultural

Uma vez que a cultura é uma construção de grupos humanos, anterior a cada um de nós, precisamos aprender os modos de nossa cultura. Esse aprendizado se inicia no momento em que nascemos, pois o próprio modo do parto é cultural. Aprendemos com quem toma conta de nós, com as roupas em que estamos vestidos, com os sons da língua materna e assim por diante. Esse aprendizado se dá de modo informal, dentro do ambiente em que vivemos com todas as pessoas responsáveis por cuidar de nós. Aprendemos por imitação, por tentativa e erro, castigo e premiação. Aprendemos por meio das palavras, mas também por meio dos comportamentos e atitudes dos outros. A partir do momento em que a criança entra na escola, ela passa para o sistema formal de aprendizado: aprende as regras da língua padrão, Geografia, História, Ciências, Artes, Educação Física e também regras de convívio social entre seus pares (outras crianças), entre crianças e professores, funcionários, dirigentes. Esse convívio social, entretanto, não é parte do "conteúdo formal" de nenhuma disciplina. Continua sendo ensinado por meio do comportamento e das atitudes de todos os envolvidos.

Tudo isso diz respeito apenas à cultura de origem, ou seja, à cultura à qual a criança pertence. Ela conhece somente um modo de cultura, o seu, que se torna sua "segunda pele" e é encarada como o modo "normal", único mesmo, de fazer as coisas, de se comportar. Nesse sentido, a cultura é importante para o funcionamento do grupo, e o aprendizado cultural é indispensável para que cada indivíduo se adapte ao seu grupo. Entretanto, é de extrema importância que cada um também aprenda a contribuir para a sua cultura, criando idéias, objetos, ferramentas, colaborando no desenvolvimento de várias linguagens, enfim, mantendo sua cultura viva e adequada às necessidades do grupo.

Do mesmo modo, é preciso aprender a interpretar a arte, seja ela um filme, uma peça teatral, um espetáculo de música, dança, circo, artes visuais, performance, happening uma vez que a arte é um dos modos humanos de atribuir significados ao mundo.

Aprende-se arte convivendo com obras de arte, seja na escola, em museus, em casa, no cotidiano de cada um. A freqüentação, como é chamada essa convivência com as obras de arte, ajuda a construir um certo "vocabulário" de estilos, de artistas, épocas, linguagens, suportes. Aprende-se arte por meio do fazer artístico, explorando linguagens e materiais, o que nos faz compreender melhor as dificuldades e as soluções encontradas pelos artistas. A convivência com a arte nos mostra soluções variadas para cada um desses problemas.

Aprende-se arte, ainda, pelo estudo da história da arte e das linguagens artísticas, bem como pelo estudo da estética, isto é, dos diversos conceitos de valor em arte.

A cultura, portanto, é o que torna a vida humana possível no mundo. Ela é, ao mesmo tempo, um produto já elaborado pelas gerações que nos precederam, e um processo contínuo de adaptação dessa herança recebida a novos modos de vida, novos problemas, novas necessidades. E, nesse processo, a arte, por não ter utilidade prática imediata, é um campo privilegiado de experimentações, de crítica, até mesmo de denúncia de práticas sociais ultrapassadas. Por meio das obras de arte, é possível vislumbrar outros valores importantes para a vida humana.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Cultura contemporânea


Cultura contemporânea

A cultura contemporânea, também chamada de pós-moderna, caracteriza-se pela flexibilização das fronteiras entre erudito e popular, tradição e novidade, cultura letrada e cultura oral, cultura regional e cultura global, cultura dominante e cultura dominada. Caracteriza-se também pela fragmentação entre múltiplas afiliações, preferências, papéis sociais, etnias, gêneros e assim por diante.

A cultura do livro, da leitura de um texto, que demanda um tempo de trabalho visando à compreensão das idéias do autor, um tempo emocional para entrar no universo aberto pela história e pela temática, vem sendo substituída pela cultura que se poderia chamar de audiovisual: em parte, uma cultura oral, passada de boca em boca, comentada em cada esquina, repetida por muitos; em parte, uma cultura visual, da imagem. Esse modo cultural contemporâneo é sustentado pelo entretenimento, pela publicidade, mas também pela moda, que oferece, com rapidez, aquilo que se poderia desejar sem demandar grandes esforços. Por exemplo, no videoclipe, o que importa é que nos entreguemos ao desfile de imagens e sons, às eventuais emoções que eles possam suscitar, sem precisar procurar um fio narrativo ou tentar estabelecer ligações de sentido entre letra, imagem e som.

A cultura do entretenimento, ao oferecer o mundo como espetáculo constante, a ser consumido e descartado a cada novo momento, propicia a falta de reflexão, a imitação de padrões às vezes inadequados às necessidades sociais do grupo ou pessoais, a confusão entre realidade e ficção. Como exemplo, podemos citar a eleição a cargos públicos de tantos profissionais do entretenimento, sejam eles cantores, atores de cinema, ou apresentadores de programas sensacionalistas de rádio ou de televisão, como o caso de Afanásio Jazadi (eleito deputado estadual por São Paulo em 1986) que se promoveu à custa de exibir o mundo do crime.

A publicidade também projeta, por meio de imagens e trilhas sonoras, aquilo que gostaríamos de ser, mesmo que não o sejamos. Sempre se pode usar o produto, em lugar da qualidade anunciada. E, nessa tarefa, a moda também ajuda a projetar a imagem que se faz de si mesmo ou que gostaríamos que os outros fizessem de nós. O que não se pode esquecer, entretanto, é que a imagem, apesar de mais concreta do que a palavra, é certamente mais ambígua, e seu sentido precisa ser interpretado com cuidado. A imagem se apresenta no espaço e pode ser percebida em um relance, em um instante. Entretanto, para que sua leitura seja mais completa e profunda, precisamos de tempo para analisá-la. Quais são os valores que a imagem projeta? Que elementos ali presentes compõem a mensagem? Como eles se articulam entre si, ou com os textos verbal e musical? O que dizem do contexto de produção? Como se ligam ao contexto de consumo?

A cultura contemporânea é plural, oferece inúmeras possibilidades de identificações diferentes, simultâneas ou não. Será ela, contudo, mais democrática? Ou será que só cria a ilusão de inclusão, de permissão de múltiplas escolhas? Devemos sempre nos lembrar que, para escolher livremente, precisamos conhecer as alternativas e o que elas significam em termos de direitos, deveres e conseqüências.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Cultura e identidade contemporânea


O conceito de identidade engloba:

●a procura por traços distintivos, que singularizam um objeto/pessoa/grupo/comunidade permitindo que seja distinto de outros;
●a busca por traços comuns que permitam reconhecer um objeto/pessoa/grupo/comunidade como sendo o mesmo em épocas diferentes.
A identidade é formada pelo que temos de diferente, de próprio em relação aos outros e o que conservamos sempre igual através do tempo.
Quando aplicado a pessoas, o conceito de identidade é a representação que o sujeito faz de si mesmo, representação esta que sintetiza as múltiplas imagens de si – o que fomos no passado, o que fomos no presente, a representação que os outros têm de nós, a representação ideal do que se gostaria de ser no futuro, a representação de si em diferentes papéis sociais – em uma unidade. Resulta na idéia de quem somos.
Aplicado ao coletivo, é a representação que o sujeito tem de si ou do outro como pertencendo à mesma comunidade. A realidade coletiva é constituída por sistema de crenças, atitudes e comportamentos compartilhados pelo grupo. São modos de sentir, compreender e agir no mundo que se expressam em instituições, comportamentos regulados, artefatos, objetos artísticos, saberes transmitidos. Em uma palavra, que se expressam em uma cultura.
No mundo contemporâneo, em que as várias culturas se sobrepõem, a identidade própria e a coletiva estão sempre em processo, ou seja, não se fecham em uma unidade acabada. Alguns autores preferem falar em identificações múltiplas com culturas diferentes. É possível nos identificarmos, por exemplo, com a cultura feminina tradicional, que privilegia os cuidados da família e, ao mesmo tempo, com um papel profissional, ou com um partido político que exige disponibilidade para a vida fora de casa.
As identificações nem sempre parecem coerentes: uma professora de universidade, que seja mãe e também motoqueira parece uma incongruência. Mas é possível que ela seja uma intelectual séria, em seu papel de pesquisadora e nutridora de mentes e talentos; com responsabilidade moral e afetiva no âmbito da família; e com o direito a momentos de liberdade e de assumir riscos no lazer. Nenhuma dessas representações, por mais diferentes que possam ser, é incompatível com as outras, pois não entram em contradição.
É importante lembrar que nossa identidade é forjada dentro das várias culturas das quais participamos, desde a cultura familiar, que nos dá os valores básicos que guiam nossos primeiros anos de vida, até as culturas que escolhemos à medida que nos tornamos seres adultos autônomos. Essas culturas podem reforçar, negar ou agregar outros valores àqueles que aprendemos e assumimos junto às nossas famílias.

Fonte: http://www.educarede.org.br

sábado, 12 de dezembro de 2009

Comunicação de massa & cia.


Comunicação de massa & cia.

Não da para falar de comunicação de massa sem falar também em cultura de massa, sociedade de massa e indústria cultural. Podemos dizer que a comunicação de massa é uma característica fundamental da sociedade de massa. Ela surgiu no séc. XIX, com o jornal diário, mas se consolidou no séc. XX com o rádio, o cinema e o meio de comunicação de massa por excelência, a TV.

A comunicação de massa é a comunicação feita de forma industrial, ou seja, em série para atingir um grande número de indivíduos, a sociedade de massa. Numa visão apocalíptica, ela é uma conversão da cultura em mercadoria, utilizada pelas classes dominantes de forma vertical para homogeneizar as massas. Para definir esta conversão, os frankfurtianos Adorno e Horkheimer criaram o termo Indústria Cultural, citado pela primeira vez em Dialética do Iluminismo.

Hitler e Mussolini conheciam bem e comprovaram o poder homogeinizador da comunicação de massa, utilizando o rádio e o cinema para difundir suas ideologias políticas e mobilizar as massas. Mas existe uma diferença, embora pequena, entre a industria cultural produzida pelo Estado e a difundida pelas empresas, indústria e comércio, como acontece no modelo norte-americano. No primeiro modelo fica claro o totalitarismo político, porém a sociedade de massa, apesar de não parecer também é uma sociedade totalitária e muito mais perigosa, pois os dominados não têm consciência de que assim o são e não percebem até onde vai essa dominação. Como bem disse Adorno: "O consumidor não é rei, como a indústria cultural gostaria de fazer crer, ele não é o sujeito dessa indústria, mas seu objeto."

A Indústria cultural é conseqüência da industrialização e do desenvolvimento de uma cultura de mercado e exerce um poder alienante sobre as massas, impedindo que elas tenham um certo grau de consciência e reflitam sobre o mundo à sua volta. Segundo Lazarfeld a comunicação possui uma "disfunção narcotizante, pela qual os meios de comunicação criam a ilusão de uma participação nos processos que definem a sociedade, mas é neste mesmo movimento ilusório que eles imobilizam suas audiências." Esta disfunção fica clara na comunicação de massa.

Alguns teóricos afirmam que a comunicação de massa não é uma verdadeira comunicação, pois a comunicação é uma via de dois sentidos e a comunicação de massa ocorre num único sentido. Mesmo assim, a comunicação de massa é um fenômeno praticamente mundial, o que proporciona um mundo "unido pela comunicação" ou o surgimento da Aldeia Global. Segundo McLuhan, "as culturas de massa criadas pelos modernos meios eletrônicos (sobretudo a televisão), e sua linguagem própria, baseada na imagem, significava o surgimento de uma nova cultura popular que ia permitir a comunicação entre os habitantes da aldeia global em um mundo comprimido pelas redes eletrônicas de informação, de onde deduzimos que não há a preocupação com o que se informa, a estes meios basta, tão somente comunicar".

sábado, 5 de dezembro de 2009

Comunicação de massa II
Comunicação de massa e seus novos valores

“A mídia não é apenas a mensagem. A mídia é uma massagem. Estamos constantemente sendo acariciados, manipulados, ajustados, realinhados, e manobrados.”

Os meios de comunicação são considerados como o resultado do processo histórico-científico, no qual a humanidade foi progredindo na descoberta de recursos e valores em tudo o que foi criado, ou seja, a sociedade é o que é, hoje, devido ao desenvolvimento de tecnologias que trouxeram novos valores, novas formas de relacionar-se. A mídia influencia o modo de vida e o comportamento das pessoas nem sempre para o bem, mas ela tem função na nossa sociedade. Qual seria? Ela não assume outras funções, além das suas, ou será que não estão bem estabelecidas?

A pós-modernidade caracteriza-se por fatores como individualismo, consumismo, conhecimento especializado, cultura de massa e, principalmente, valores voláteis. Todos estes fatores estão cada vez mais presentes, porque a internet facilita a comunicação entre as pessoas, tornando-a rápida, acessível para os que estão distantes uns dos outros, mas traz também um contato virtual, relacionamentos superficiais e o isolamento do restante da sociedade. Além disso, aumentou-se o consumismo com o aumento de propagandas e com o surgimento de lojas virtuais.
A indústria cultural atingiu o patamar de ditadora da vida cotidiana: o trabalho, o lazer e outras ações da população são programadas de acordo com os interesses das grandes corporações de entretenimento. A mídia oferece às pessoas sugestões do que fazer, no entanto, o grande problema é que essas sugestões se tornam obsessões, porque todos querem estar “na moda”, querem fazer parte da sociedade, de qualquer forma, mesmo que para isto seja necessário perder a autenticidade e valores morais.
Além disso, a mídia exerce um papel de socializadora e educadora, funções antes ocupadas pela família, pela escola e pela Igreja. Este novo papel é saudável para as novas gerações, é exercido com a devida seriedade? É claro que não se pode generalizar, existem, sim, programas educativos, que trazem reflexões críticas sobre os mais variados assuntos. Agora, há um grande contraponto, porque muitos programas falam sobre violência, tráfico de drogas, como se fossem assuntos banais. Crianças e jovens são educados em meio a tudo isto, não existe filtros para o que veem na televisão e na internet.
Não se pode dizer que os meios de comunicação têm apenas a função de informar. Hoje, o que é vendido não é mais informação e sim, conhecimento. Acontecimentos são de graça, você fica sabendo o que acontece do outro lado do mundo, instantaneamente. As pessoas querem conhecimento, pois não basta estar atualizado para se conseguir um emprego, para se destacar no meio de tantos. Ao se conhecer os fatos, é necessário ter uma leitura de mundo, fazer comparações, traçar paralelos.
Percebe-se assim, que a mídia possui muitas funções, nem sempre muito bem delimitadas, mas que se tornaram bastantes expressivas com o desenvolvimento da tecnologia e do capitalismo. Antigamente, a principal função da mídia era informar. Hoje, ela precisa passar conhecimento, socializar, educar. Todas estas funções nem sempre são realizadas para o bem. Muitas vezes, programas de televisão, jornais, revistas e internet manipulam conteúdos, impedindo o espectador de fazer uma análise crítica de tudo que absorve.
A Internet é hoje sem dúvida um dos canais de comunicação, divulgação e vendas de melhor relação custo benefício da história. Se isso não bastasse, quebra barreiras geográficas, cria novas oportunidades de negócio e revoluciona “velhos mercados” todos os dias.
O Brasil é 6º maior País em número de acessos, são 40 milhões de usuários que passam em média 24 horas por mês conectados a rede. Portanto, tudo isso, ao alcance de um simples clique!

sábado, 28 de novembro de 2009

Comunicação de massa


Comunicação de massa

Apesar de a comunicação autêntica ser a que se assenta sobre um esquema de relações simétricas — numa paridade de condições entre emissor e receptor, na possibilidade de ouvir o outro e ser ouvido, como possibilidade mútua de entender-se —, os meios de comunicação de massa são veículos, sistemas de comunicação num único sentido (mesmo que disponham de vários feedbacks, como índices de consumo, ou de audiência, cartas dos leitores).

Esta característica distingue-os da comunicação pessoal, na qual o comunicador conta com imediato e contínuo feedback da audiência, intencional ou não, e leva alguns[quem?] teóricos da mídia a afirmar que aquilo que obtemos mediante os meios de comunicação de massa não é comunicação, pois esta é via de dois sentidos e, por tanto, tais meios deveriam ser denominados veículos de massa.

Podendo ter diversas interpretações e significados, se referindo às mensagens transmitidas para a massa pelos meios de informação, também através dos indivíduos que englobam essa comunicação social. Ou seja, um sistema produtivo que visa gerar e consumir idéias para diversos objetivos e públicos.

A divulgação em grande escala de mensagens, a rapidez com que elas são absorvidas, a amplitude que atingem todo tipo de público, cuja própria sociedade através da Indústria Cultural criou e se alimenta, gera um enorme interesse e abre espaço para o estudo de nosso comportamento.

Tipos de meios de Comunicação

Podemos citar os meios de comunicação de massa mais comuns, que são: Televisão, Rádio, Jornal, Revistas, Internet.Todos eles têm como principal função informar, educar e entreter de diferentes formas, com conteúdos selecionados e desenvolvidos para seus determinados públicos.

Os meios de comunicação de massa podem ser usados tanto para fornecer informações úteis e importantes para a população, como para alienar, determinar um modo de pensar, induzindo certos comportamentos e aquisição de certos produtos, por exemplo.Cabe aos órgãos responsáveis fiscalizarem que tipo de informação esta sendo veiculada por esses meios, como ao receptor das informações ter criticidade para selecionar e internalizar as informações que considerar úteis para si, denunciado os abusos aos órgãos competentes.

Indústria Cultural e Comunicação de Massa

Não podemos separar a Comunicação de Massa da Indústria Cultural, já que por sua vez elas são dependentes uma da outra, pelo fato de existirem diversos meios de comunicação que são capazes de atingir através de uma mensagem um grande número de indivíduos. Essa indústria é conseqüência de uma sociedade industrializada, muitas vezes alienada, que aceita idéias e mensagens sem um pré-julgamento, entrando diretamente na “veia” dos indivíduos não existindo nenhuma barreira, tornando assim uma sociedade de consumo e global, sem restrições.Horkheimer, Adorno, Marcuse e outros pesquisadores frankfurtianos criaram o conceito de "Indústria Cultural" para definir a conversão da cultura em mercadoria. O conceito não se refere aos veículos (televisão, jornais, rádio...), mas ao uso dessas tecnologias por parte da classe dominante. A produção cultural e intelectual passa a ser guiada pela possibilidade de consumo mercadológico.

Manipulação através da Comunicação de Massa

Estamos acostumados a receber informações diariamente de tudo que se passa ao nosso redor e em todo mundo. Assistimos notícias, anúncios, filmes, detalhes de atores e celebridades, e assuntos gerais que ocupam o tempo e nos isolam da realidade. Toda essa comunicação nos impõe um padrão de vida e felicidade a ser alcançado, com objetivos e ideais muitas vezes impossíveis para todos, mas diante a televisão isso se torna possível. A realidade dos telejornais é passada como algo distante e irreal, enquanto as novelas emocionam o país como se fossem problemas reais que afetam a todos, ou seja, esta inversão entre realidade e ficção é notável principalmente nas novelas assim a novela passa por um relato do real, enquanto o noticiário (que perdeu as referências temporais e espaciais) torna-se irreal. A prova disso são telespectadores que se comovem em demasia com a morte de uma personagem, enquanto um desastre real em algum lugar do mundo passa por ouvintes inertes e insensíveis ao fato. Assim os indivíduos abdicam de sua liberdade pelos meios de comunicação e deixam-se ser controlados. Os principais responsáveis são, o governo e classes sócio-econômicas dominantes, tanto financeiramente como culturalmente, utilizando essas mídias de modo a manipular a sociedade.

sábado, 21 de novembro de 2009

O que é Industria Cultural
O que é Indústria cultural?

O termo “Indústria Cultural” foi utilizado por primeira vez por Horkheimer e Adorno na Dialética do Iluminismo. Anteriormente, empregava-se o termo “cultura de massa” que, conceitualmente, refere-se a uma cultura que nasce espontaneamente das próprias massas, a uma forma contemporânea de arte popular.

A realidade da indústria cultural é diferente: o mercado de massas impõe estadardização e organização; os gostos do público e suas necessidades impõem estereótipos e baixa qualidade. A indústria cultural exerce um domínio sobre os indivíduos e, ao preferir a eficácia dos seus produtos, determina o consumo e exclui tudo que é novo, tudo o que se configura como risco inútil.

Segundo Adorno, na Indústria Cultural tudo se torna negocio. Enquanto negócios seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais. Um exemplo disso, dirá ele, é o cinema. O que antes era um mecanismo de lazer, ou seja, uma arte, agora se tornou um meio eficaz de manipulação. Portanto, podemos dizer que a Indústria Cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel especifico, qual seja o de portadora da ideologia dominante, a qual concede sentido a todo sistema.
Quando confrontamos os problemas da alienação e da revelação, próprios do conceito de indústria cultural, com a questão da significação a partir desta três modalidades de signo, ícone, índice e símbolo, chegamos a conclusão de que a indústria cultural é regida hegemonicamente pelo signo indicial, fato que estimula nos receptores o desenvolvimento de uma consciência indicial.

Aqui, então, vai ser possível dizer que o problema com a indústria cultural não é tanto o que ela diz ou não; não é tanto o fato de ser ela deste ou daquele modo, estruturalmente; nem o fato de ter surgido neste ou naquele sistema político-social – mas, sim, no modo como diz. É que a indústria cultural – na TV, no rádio, na imprensa, na música (particularmente a dita popular, nos fascículos, mas também nas escolas e nas universidades – é o paraíso do signo indicial, da consciência indicial.(…) Como o que ocorre com o índice, de certo modo o que é dado ao receptor é alguma coisa já conhecida. (…) Não há revelação, apenas constatação, e ainda assim uma constatação superficial – o que funciona como mola para alienação. O que interessa não é sentir, intuir ou argumentar, propriedades da consciência icônica e simbólica; apenas, operar.
A inflação de signos indiciais seria o problema da indústria cultural, que processaria a comunicação de maneira fragmentada, acelerada e superficial. Estaríamos essencialmente diante de um problema de forma. Embora considere a abordagem semiótica a mais rica para tratar a questão da indústria cultural, outras modalidades de críticas podem a ela se juntar, fornecendo um quadro mais amplo. Considerando este ponto, podemos dizer que a presença do aparelho de tevê no cotidiano das pessoas é tão forte que muitos pensam que a televisão é o único lazer da população. Além da tevê, a ainda escuta de rádio AM e FM, a leitura de jornais, revistas, escuta de discos, ou seja, um lazer financiado pela publicidade comercial que usualmente se designa como indústria cultural. Com isso, uma outra suspeita de que lazer é todo voltado para o consumo ou para atividade que levam ao consumo.
Os estudos de orçamento-tempo mostraram que, efetivamente, quase a metade do tempo livre de nossa população é gasta com um lazer produzido pela indústria cultural, vindo principalmente da televisão, seguida de longe pelo rádio e, mais de longe ainda, pelos livros, discos, jornais e revistas.
Contudo, é perigoso afirmar que determinada atividade seja, ou não, produzida pela indústria cultural, é também importante observar que tais meios de comunicação de massa nada mais são do que a reprodução de conteúdos de outras práticas de lazer. Como por exemplo, o volume de concertos de música erudita ou popular vistos nas rádios e tevês é incomparavelmente maior do que o das salas de show e concertos ao vivo. O mesmo vale para outros espetáculos artísticos e para o esporte, a ginástica, a jardinagem, a culinária, a informação em geral. Trata-se de um consumo de lazer e não de prática ativa de lazer.
É importante ressaltar então, as relações estabelecidas entre indústria cultural, meios de comunicação de massa e com a cultura de massa. Em um primeiro momento, podemos achar que estas expressões funcionam como sinônimos, mas não é assim.

Não se pode falar em indústria cultural e sua conseqüência, a cultura de massa, em um período anterior ao da revolução Industrial, no século XVIII; do surgimento de uma economia de mercado, uma economia baseada no consumo de bens; e da existência de uma sociedade de consumo, segunda parte do século XIX. Assim, a indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa surgem com funções do fenômeno da industrialização. E estas, através das alterações que ocorrem no modo de produção e na forma de trabalho humano, que determina um tipo particular de indústria (a cultural) e de cultura (a de massa). E isto vai dependendo completamente, do uso crescente da máquina, da submissão do ritmo de humano de trabalho ao ritmo da própria máquina, da exploração do trabalhador, da divisão do trabalho. Conseqüências da revolução industrial, traços marcantes de uma sociedade capitalista, em que é nítida a oposição de classes. Neste momento começa a surgir a cultura de massa que tem como função o fenômeno da industrialização. Podemos observar desde então, conseqüências diretas e indiretas na distribuição cultural dos dias de hoje.
Uma característica muito importante da indústria cultural, é a formação de uma cultura homogênea. Mas aqui no Brasil, por ter uma grande desigualdade na distribuição de renda, acaba por se dificultar a homogeneização da cultura.
Referencia: O QUE É INDUSTRIA CULTURAL?
José Teixeira Coelho Neto
Ed .Brasiliense , 1980

sábado, 14 de novembro de 2009

A facilidade atual da Cultura da informação


A facilidade atual da Cultura da informação

Nunca uma geração foi tão bem informada como a de hoje. Basta um CD para armazenar o conteúdo de 300.000 livros. A aceleração das publicações de todo tipo nos amedronta. Em horas, ou talvez minutos, produzem-se, hoje, mais publicações que em um ano ou em décadas da Idade Média.
Se traduzíssemos os conhecimentos em “bytes”, um aluno que se prepara para a educação superior, deveria armazenar mais “bytes” que Santo Tomás de Aquino gastou em tida sua Suma Theológica. Entretanto, jamais se pode comparar, nem de hoje, a cultura do Angélico com as cabeças confusas da juventude hodierna.

Os escritores antigos viviam à míngua de informações. Hoje, basta um clique e ei-nos conectados pela internet com mais de um bilhão de possíveis “portais” informativos. Tantas informações, mas tudo repleto de nada, tudo superlotado de nada, tudo vazio de tudo, de vida sem sentido, de vida sem chegada.

Diante desse novo universo de imagens, novos hábitos se vão criando por obra e graça de um borboletear permanente de “sitio” a sitio, de “portal” a portal, de “canal” a canal. A inteligência e a memória navegam com a velocidade parecida com a da luz, de modo que nada se lhe adere.
É a pura sensação. Adrenalina em vez de pensamento. Nesse momento entra o que significa “aprender a conhecer”, “aprender a pensar”. Algo bem diferente de restringir-se a freqüentar essas fontes borbulhantes de cascatas informativas; embora tudo isso faça parte, também do aprendizado atual, exige outro gênero de registro mental.

Aprender a conhecer é inserir todo conhecimento no varal do passado, é percebê-lo na atualidade do presente e vislumbrá-lo em sua densidade de futuro.

O importante agora é saber relacionar, contextualizar, em busca de uma verdadeira articulação dos elementos que pareciam fragmentados, em seus conjuntos no mar infinito de ondas passageiras. Pensar, com efeito, é analisar e sintetizar, é separar e unir. Esse jogo de operação mental estimula o pensar. O pensamento atual acentua, demasiadamente, a análise.

Em busca do equilíbrio, cabe insistir na síntese, na ligação estrutural do jogo das palavras no pensar inclusivo que sintetiza o nosso pensamento.

Artigo capturado no Jornal Gazeta de Alagoas/caderno de Política – folha A3 /terça-feira, 06 de outubro de 2009. Texto creditado à Dom Fernando Iório Bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.